segunda-feira, 29 de outubro de 2007

José Guimarães: Capes, Pós Graduação e Patentes


Recentemente li numa revista médica uma entrevista com o atual presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge de Almeida Guimarães. E um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a questão de falta de investimentos em pesquisas e como deixamos de patentear diversas descobertas. Vou transcrever agora o que diz este senhor.

“Não temos essa tradição (empresas investirem em pós-graduação). A Petrobras, por exemplo, precisa de milhares de pessoas na área de exploração de petróleo e gás e vem reclamar da gente (Capes) que não existe pessoal qualificado. Aproveitamos para dizer a eles que invistam em bolas de pós-graduação, que aí dá para resolver (hummm...será que é por isso que há tantos estrangeiros na coordenação das grandes obras da Petrobras???). Esse problema da Infraero com os controladores de vôo, por exemplo, a Capes poderia resolver isso em dois tapas. A gente chama os melhores professores, cria um mestrado profissional e, em um ano, resolvemos o problema (diga a verdade: para dizer algo assim, tem que ter ciência do que diz, não?). É simples (!!!). Mas eles teriam de bancar. Não dá para a Capes financiar tudo. Mas falta essa visão (a mesma que EUA, Europa e Japão possuem).”

Agora o pior:

“A Petrobras, por exemplo, não faz patente (!!!). a Unicamp tem mais patentes que a Petrobras. No mundo desenvolvido, só 2% das patentes registradas são de origem acadêmica. O restante é de empresas. O Brasil não tem essa tradição. O motor a álcool, por exemplo, não foi patenteado. Todo mundo, hoje, produz motor a álcool e o país não ganha um tostão com isso (!!!).”

Revista: Pesquisa Médica – Do Laboratório à Prática Clínica. Número 3 – Jul-Set/2007.

E depois ficamos discutindo sobre a patente de nomes como cachaça, açaí e etc, que europeus, americanos, japoneses simplesmente registram como se fossem, pasmem, deles (!!!).

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