segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Mudança de Hábitos


Recentemente ao fazer uma “limpeza” em meu armário, encontrei uma edição de “Veja” (23 de abril de 2007 – Ano 30 n°16) e nela há uma matéria sobre o cardápio de brasileiro. O título da matéria é “Cardápio Renovado”, de Flávia Varella.

A matéria fala de uma pesquisa realizada pelo Inan (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição) e que traça um perfil do novo estilo alimentar da população. Como muitos devem saber, o cardápio do brasileiro tem como base o arroz e feijão, mas o que a pesquisa mostra é que o consumo destes dois itens vem caindo e dando lugar à novos itens, antes mais “escassos” à grande maioria da população, como as proteínas, seja pelo consumo de carnes, seja pelo consumo de leite e derivados. Mas junto com o aumento do consumo de proteínas, esta ocorrendo também o aumento no consumo de carboidratos simples (açúcares) com conseqüente redução do consumo de fibras (carboidratos mais complexos e de difícil digestão), sem contar o consumo de gorduras cada vez mais maléficas à saúde, como as gorduras saturadas ou “trans”.

E isto é verdade, ao longo do tempo, principalmente nos últimos 10 anos uma grande fatia da população passou a ter acesso à alimentos que antes eram inatingíveis, ou seja, não tinham condições financeiras de adquirir, mas com o sucesso inicial do plano Real e a estabilidade da economia, com a inflação de certa forma controlada, ainda que em níveis que gostaríamos que estivessem mais baixos, alguns alimentos passaram a ser mais acessíveis, seja pelo aumento da oferta, seja pelo aumento da renda.

Mas isto não significa que passamos a comer melhor e para isso, não é preciso muito para explicar, basta estar atento ao noticiário que dia após dia tem nos informado sobre o aumento da população “obesa”, ou seja, estamos engordando, mas o que é pior, estamos “criando” uma população que terá grandes problemas de saúde.

Mas por quê?

Nosso padrão alimentar mudou, isto não há dúvidas. Se você tem avós ou até mesmo bisavós vivos, pergunte a eles o que eles comiam e verá que você hoje come muito menos verduras e legumes do que eles, mas mais do que isso, verá que você possui em sua dieta itens que eram “impensáveis” para eles, como “fast-food”. Até mesmo o ato de realizar as refeições mudou.

Quantas vezes por semana você se senta com sua família para fazer uma refeição? Quantas vezes vocês realizam uma refeição feita em casa e equilibrada?

Estamos sim, comendo mais e pior. E para fechar o “caixão”, estamos nos exercitando cada vez menos. A vida está cada vez mais sedentária, e não cômoda. Estamos optando pelo simples e rápido e deixando de lado o que nos faz bem. Atividades de lazer estão cada vez mais restritas, reservadas a pequenos espaços e com pouca mobilidade. Nosso filhos, seja pela falta de opções e pela falta de segurança, estão cada vez mais “encarcerados” em apartamentos ou condomínios.

É preciso uma mudança de postura, ou reportagens como a de abril de 2007 não serão apenas reportagens, mas sim profecias, alertas que ouvimos, ou lemos, mas que infelizmente não aceitamos.

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