domingo, 10 de agosto de 2008

Gordura Trans e Amamentação Não Combinam

A síndrome metabólica é um conjunto de anormalidades que compreende a coexistência variável de obesidade, hipertensão arterial, aumento da quantidade de insulina na corrente sanguínea e elevação das taxas de triglicérides, levando ao aparecimento de doenças cardiovasculares e aumentando o risco de morte em até 2,5 vezes. Esta síndrome chega a ocorrer em mais de 40% dos adultos com mais de 60 anos e não é desprezível o acometimento de adultos entre 20 e 49 anos.
A obesidade é uma doença de difícil controle, cuja prevalência aumenta a cada ano em todo o mundo. No Brasil, a obesidade infantil também é motivo de preocupação de médicos e nutricionistas. Isso porque, nos últimos 20 anos, os índices de obesidade cresceram mais de 240%. Só no Brasil, cerca de 10% das crianças são consideradas obesas.
Uma boa notícia foi a descoberta de que a obesidade infantil pode ser evitada já na amamentação. Esse foi o resultado da tese de doutorado da nutricionista Patrícia Dias de Brito, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec) da Fiocruz, agraciada como o melhor trabalho experimental no formato pôster durante o Ganepão 2008 – III Congresso Brasileiro de Nutrição, realizado em São Paulo.
Segundo o estudo, mulheres devem ficar atentas à sua alimentação, evitando o consumo de alimentos ricos em gordura trans, especialmente durante a amamentação. Isso porque, durante a observação de ratos filhotes amamentados por mães que ingeriram grande quantidade de gordura trans, notou-se que os mesmos apresentaram maior percentual de gordura quando adultos, bem como maiores taxas de triglicerídeo e menores de HDL (colesterol bom).
As gorduras trans
As gorduras trans são formadas por meio de um processo de hidrogenação natural ou industrial e estão presentes principalmente nos alimentos industrializados e em alimentos de origem animal. As gorduras trans de origem industrial, provenientes da transformação de óleos vegetais líquidos em gordura sólida quando em temperatura ambiente, são utilizadas para melhorar a consistência dos alimentos e aumentar a vida de prateleira.
Este tipo de gordura é reconhecido fator de risco para problemas cardiovasculares. Além de afetar os níveis de colesterol, a gordura trans altera a parede dos vasos sanguíneos das artérias, sendo altamente aterogênicas. Além de todos estes riscos, a gordura trans não traz nenhum benefício, portanto, o ideal é que não seja consumida.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o limite diário de gordura trans sugerido para crianças é de 1 g ao dia, e para o adulto 2 g ao dia.
O estudo
Com título Dieta hiperlipídica rica em ácidos graxos trans na lactação altera a fisiologia materna e programa a composição corporal, a trigliceridemia e o perfil hormonal de ratos adultos, a tese foi elaborada após a observação de ratos, durante seis meses, amamentados por ratas alimentadas com uma ração rica em ácidos graxos trans. De acordo com a autora, as ratas que ingeriram a ração com gordura trans, embora apresentassem menor peso corporal, apresentaram maior percentual de gordura e crescimento de níveis de triglicerídeo e colesterol séricos, quando comparadas às mães que receberam dieta balanceada.
Com relação aos filhotes, os que foram amamentados por mães que ingeriram altos teores de gordura trans, mesmo seguindo uma alimentação balanceada após o desmame, apresentaram percentual maior de gordura corporal, aumento de triglicerídeo e redução do HDL-colesterol na vida adulta.
Segundo a nutricionista, esse fenômeno é denominado programação metabólica, ou seja, os ratos foram sendo programados pelas características do leite que recebiam à medida em que eram amamentados. Em uma fase em que ocorre o amadurecimento de funções orgânicas, o teor de ácidos graxos do leite deve ter sido armazenado no animal, ficando memorizadas pelo organismo.
Autor: Chico Damaso
Publicado no site: Nutritotal

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