sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Homem Que é Homem (HQEH)

Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin, Armani ou Calvin Klein.

O que seria deste país se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? O Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha.

Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse.

Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador.

No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de boiola. Aliás, essa coisa de chamar v... de boiola não é coisa de HQEH. HQEH chama v...de v... mesmo e pronto.

Mulher do amigo de Homem que é Homen é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa assim, extraconjugal, mas assumida, entende? Coisa dessa geração que chama a isso de relacionamento aberto. Que isso é papo de muIher pra dar pra todo mundo.

HQEH acha que movimento gay é coisa de v...

HQEH nunca vai a vernissage, muito menos em mostra de arte moderna, que aliás, não serve pra nada, a não ser reunir um monte de v... num mesmo local.

HQEH não está lendo a Capricho (se o HQEH tem menos de 16 anos), Nova Cosmopolitan (se tem entre 16 e 30 anos) ou a Marie Claire ( se tem mais de 30 anos), não leu Capricho, não está lendo a Nova, muito menos lerá a Marie Claire.

HQEH diz que não tem preconceito, mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.

Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira, entradas para um espetáculo de mímica.

Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton", "Vamos ao balé?", "Prove estas cebolinhas".

Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf.

Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.

Luis Fernando Veríssimo

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