sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Biscoitos Brasileiros Livres de Gordura Trans já são Maioria

Levantamento feito pela Associação Nacional da Indústria de Biscoitos (ANIB), em parceria com o Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado de São Paulo (SIMABESP), atestou que 65% dos biscoitos disponíveis no mercado brasileiro já são livres da gordura trans.

Para o estudo foram realizadas intensas pesquisas e trabalho junto aos fornecedores especializados em um período de dois anos.

De acordo com o presidente do SIMABESP e vice-presidente da ANIB, José dos Santos dos Reis, esta mudança foi ocasionada pela ampla divulgação de que a gordura trans é prejudicial à saúde do consumidor. A Resolução 359/360, de 2003, que estipulou um prazo para que as empresas incluíssem nas suas embalagens os percentuais dos componentes de cada produto, inclusive de gordura trans, foi outro fator importante, que gerou preocupação dentro das indústrias em encontrar um equilíbrio nas formulações.

Segundo Reis, o uso de gordura trans no setor de biscoitos deverá ser extinto em até dois ou três anos, pois os empresários dependem dos fornecedores de matérias primas alternativas, que precisam aumentar a produção para atender à indústria alimentícia.


Novas matérias primas

A substituição da gordura trans por outras matérias primas é esperada também nos demais setores de alimentos e não só apenas nos biscoitos. Essa adaptação implica na implantação de novos padrões de tecnologia nas indústrias, com impacto nos custos do processo de produção.

Por este motivo a retirada da gordura trans é feita gradualmente, para que haja oferta mais ampla e conseqüente estabilização de preços.

O grupo técnico de orientação da ANIB e do SIMABESP faz um alerta importante: retirar a gordura trans não resolve o problema se a substituição acarretar no aumento do índice de gorduras saturadas, que são igualmente prejudiciais. O mais importante é encontrar outra alternativa que não interfira na qualidade, no sabor ou na textura dos produtos.

Gordura trans

A utilização de gordura trans na indústria alimentícia já é alvo de discussão há mais de uma década. Somente nos Estados Unidos, os estudo já datam de oito anos atrás.

Esse período, segundo José dos Santos dos Reis, é recente, visto que os processos de fabricação são longos. Segundo ele, as empresas fornecedoras de gorduras vêm trabalhando em conjunto com fabricantes para minimizar a utilização não apenas das gorduras trans, mas também de outros vilões da saúde, como as saturadas.

Reis afirma, ainda, que em virtude de todos os alimentos possuírem uma série de substâncias que também demandam um limite de consumo, a indústria não pode simplesmente abolir todos eles, mas pode buscar o equilíbrio e uma alimentação balanceada, o que é buscado atualmente com base na pirâmide alimentar divulgada em 2005, que preconiza uma dieta equilibrada entre gorduras, carboidratos e proteínas.


Produção de biscoitos em números

• Em 2007, foram 1.131 milhões de toneladas, com faturamento de cerca de R$ 7,42 bilhões

• Atualmente funcionam no país 585 indústrias de biscoitos
• As 20 maiores representam 75% do mercado

• Cerca de 45% das vendas são feitas via supermercados; 35% em atacadistas; 20% com distribuidores; e 5% direto ao varejo

• O consumo anual de cada brasileiro é, em média, de 6 quilos

• Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar do ranking de países produtores de biscoitos, com 1,5 milhões de toneladas.

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