segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Descoberto hormônio que pode ajudar na prevenção e no controle do diabetes

WASHINGTON - Cientistas identificaram uma substância no organismo humano que pode levar a outras formas de combater do diabetes e alguns tipos de doenças relacionadas à obesidade.Chamado de lipoquinas, o novo tipo de hormônio identificado pelos cientistas faz parte de uma classe de hormônios produzidos pela gordura corporal.

Quando em equilíbrio, previne o acúmulo de gordura no fígado e melhora a capacidade do organismo de controlar glicose. A descoberta feita por cientistas da Harvard School of Public Health e liderada por Gokhan Hotamisligil está na publicação Cell deste mês e mostra um estudo feito com ratos.

Uma das funções dos hormônios é atuar como mensageiros químicos do corpo, levando informações para células e órgãos. Estas informações são fundamentais para vários processos, entre eles o crescimento, o equilíbrio do metabolismo, o desejo sexual e o humor.Os hormônios já conhecidos pelos médicos se dividem em dois grupos - os derivados de esteróides ou de proteínas. Segundo Hotamisligil, este é o primeiro exemplo de um grupo de hormônios derivado da gordura. Por enquanto, pesquisadores devem chamar a nova substância de lipoquinas (lipokines, em inglês).

Se as lipoquinas funcionarem em humanos como funcionaram nos testes com ratos, acredita Hotamisligil, a descoberta da cura para do diabetes, assim como a de outras doenças hepáticas, está próxima.

- Temos evidências de que estes hormônios são produzidos apenas pelas células de gordura - afirma Hotamisligil.

Uma das funções das lipoquinas é transmitir informações para o fígado que evitem que o órgão acumule gordura excessiva. O hormônio também otimiza o uso de glicose pela musculatura.

- A função das lipoquinas no fígado e nos músculos é parecida com a ação da insulina, que ajuda a controlar a quantidade de açúcar no sangue - diz o pesquisador.

Portadores de diabetes têm níveis muito altos de açúcar no sangue. Aqueles com o tipo 2, que está relacionado à obesidade, tem resistência à ação da insulina ou não produzem a quantidade suficiente do hormônio. À medida que o indivíduo engorda, o nível de outro hormônio, o palmitoleato, cai. Pesquisadores já conheciam esta substância, mas não sabiam qual era sua relação com a produção de gordura. Agora, descobriram que o palmitoleato e as lipoquinas estão diretamente relacionados.

Equilibrando a ação das lipoquinas em diabéticos, estes pacientes não teriam mais dificuldade em controlar a glicose. Além disso, o acúmulo de gordura no fígado ficaria mais difícil.

Uma das possibilidades, acredita Hotamisligil, é criar exames que meçam os níveis de palmitoleato no organismo, identificando precocemente as chances de doenças como o diabetes e, quem sabe, prevenindo os distúrbios em estágios iniciais.

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