sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Utilidade Pública

PRO TESTE identifica falhas graves em diversos produtos alimentícios à venda em todo o país

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor – PRO TESTE realiza regularmente uma série de testes para identificar problemas de rotulagem, segurança e até mesmo fraudes em produtos alimentícios que penalizam a saúde e o bolso do brasileiro.
Entre as principais falhas estão excesso de gorduras – especialmente trans -, sal e glutamatos, e também alguns problemas decorrentes da legislação inadequada que vigora atualmente no país. Confira a retrospectiva dos últimos estudos preparada especialmente para o Nutritotal!

Teste de néctar de uva
Foram sete marcas de néctares de uva levadas para avaliação em laboratório, que analisou, entre outros aspectos, o teor de frutas, a filtragem e a higiene das bebidas. Não foram encontrados problemas graves. As bebidas não abusam dos conservantes, apresentam bom teor de frutas e não pecam na higiene. A grande diferença neste teste aconteceu na degustação. Nenhuma das bebidas recebeu avaliação ‘muito boa’ no painel de consumidores. A opinião da maioria foi que os sucos são muito doces.

Bolo de chocolate
O IDEC avaliou o equilíbrio nutricional de seis marcas de bolo pronto de chocolate, entre outros aspectos. Os bolos não foram considerados más escolhas, concluiu o Instituto, mas não devem ser consumidos todos os dias. Isso porque, algumas porções continham quase metade da gordura indicada para ingestão diária de crianças. Este é um alerta para os pais que oferecem os bolos freqüentemente para o lanche da criançada.
Também foram encontradas informações erradas nos rótulos, exagero na quantidade de conservante ou traços de organismos geneticamente modificados. Duas marcas apresentaram mais de 1 g de gordura trans por porção e várias apresentaram açúcar e gordura total em excesso. Outros problemas foram a presença de fragmentos de insetos - próprios da farinha de trigo utilizada no preparo dos produtos -, que não representam perigo para a saúde.

Milho para pipoca
Entre as 12 marcas de milhos para pipoca – seis para microondas e seis tradicionais -, não foram encontrados grandes problemas. Pouca sujeira, sem riscos para o consumidor e poucos defeitos, fazem com que as pipocas estourem bem, tenham teor de sal aceitável e agradem na degustação.
As principais diferenças entre as versões tradicionais e para microondas são preço e teor de gordura. Além de mais caras, as de microondas revelaram excesso de gordura. Por esse motivo, a conclusão do teste é que para cuidar da saúde e do bolso, embora mais trabalhosa, a versão tradicional é a mais indicada.

Lasanha congelada
A lasanha é um alimento bastante calórico, que deve ser consumido com moderação. Além de gordura e sal em excesso em todas as marcas avaliadas, até mesmo resquícios de frango foram encontrados em duas marcas distintas de lasanha congelada sabor bolonhesa. Foram sete marcas no total, todas apontando desequilíbrio do ponto de vista nutricional.
A fim de padronizar a avaliação, foram analisadas porções de 325 g, que equivale a cerca de meio pacote. Em média, mais de 40% das calorias provinham das gorduras, quando o ideal é que não ultrapassassem 25%. Quanto à gordura trans, foi encontrado até 1,5 g em uma única porção, quando o limite preconizado pela Organização Mundial da Saúde deveria ser de 2 g ao dia. Quanto ao sal, cujo consumo diário não deve ultrapassar 6 gramas, é trazido em até 60% desse valor.

Frango congelado
Talvez em decorrência da fiscalização insuficiente por parte dos Ministérios da Agricultura e da Justiça, os frangos comercializados vêm lesando o consumidor em diferentes frentes. O gelo acondicionado nas embalagens de frango vendidas nos balcões frigoríficos do varejo, por exemplo, é uma antiga fraude que castiga o bolso do consumidor brasileiro. Além do prejuízo financeiro, de comprar água a preço de frango, o produto fica muito mais suscetível à contaminação.
Dos cinco frangos congelados e resfriados adquiridos pela PRO TESTE, a água separada das aves descongeladas estava acima do limite estabelecido por Instrução Normativa do Ministério da Agricultura.
Notadas logo na retirada da carne da embalagem, as placas de gelo representam prejuízo ao consumidor e devem ser denunciadas como fraude, para que as empresas responsáveis sejam punidas. A persistência nesta prática abusiva pode levar o fornecedor a responder administrativamente, além de sofrer processos civil e criminal.

Barras de cereais
A PRO TESTE testou 12 barrinhas de cereais e encontrou problemas de informação especialmente nos rótulos. As calorias estavam reduzidas em até 30% e as fibras em menor quantidade que o prometido na embalagem.
Também houve ausência de data de fabricação e de recomendação de conservação e consumo, como, por exemplo, que o produto deve ser consumido de uma só vez. As informações de alguns rótulos não descreviam o produto com veracidade. Sabendo do especial interesse dos consumidores desses produtos quanto à quantidade de fibras, por exemplo, diversas barras se intitulavam “fonte de fibras” ou de “alto teor de fibras”, quando não eram. Segundo a Portaria 27 da Anvisa, um produto só pode ser denominado fonte de fibras se contiver, no mínimo, 3 g de fibras para cada 100 g do total sólido, enquanto que “alto teor de fibra” deve conter, pelo menos, o dobro dessa quantidade. E não foi o que o Instituto encontrou. Alguns produtos continham até 60% menos fibra do que prometiam. Também houve diferença na quantidade de gordura declarada e medida.

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