quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Vitamina D e o Sol

A Vitamina D tem por principal função fisiológica manter as concentrações de Cálcio e Fósforo no sangue em um nível que sustente os processos celulares, a função neuromuscular, bem como a calcificação óssea. Ela atua aumentando a eficiência do intestino delgado em absorver o cálcio e o fósforo da dieta e mobilizando os depósitos destes minerais dos ossos.

É encontrada em grande quantidade no óleo de peixe e em menor teor nas carnes e alimentos derivados da carne. A vitamina D presente nos alimentos pode existir na forma de vitamina D3 (colecalciferol) ou vitamina D2 (ergocalciferol). Também está disponível em alimentos fortificados (leite, derivados do leite, margarinas e cereais matinais) e suplementos alimentares.

Além das fontes alimentares, a vitamina D também pode ser obtida por meio da síntese endógena de vitamina D3 (colecalciferol), que ocorre na pele na presença de luz solar. Além disso, é importante ressaltar que a exposição à radiação ultravioleta A (UVA) e B (UVB) aumenta o risco de câncer de pele. Atualmente, o câncer de pele é considerado um problema de saúde pública, sendo o tipo de câncer mais freqüente no mundo.

A síntese endógena de vitamina D depende apenas dos raios UVB. A intensidade dos raios UVB varia conforme latitude, altitude, período do dia e do ano, entre outros, em contraste com a intensidade dos raios UVA, que é predominante e relativamente constante. Cabe lembrar que a mesma radiação UVB que induz à síntese endógena de vitamina D na pele também é responsável pelo aparecimento do câncer.

Desta forma, levanta-se uma questão importante: existe um nível de exposição solar seguro para manter as concentrações adequadas de vitamina D sem aumentar o risco de câncer de pele? De fato, ainda não há um consenso sobre a dose de exposição solar que garanta um risco mínimo de desenvolvimento de câncer de pele.

A síntese máxima de vitamina D3 ocorre dentro de um curto período de exposição solar. Gilchrest sugeriu que indivíduos de pele clara atingem a produção máxima de pré-vitamina D após 5 minutos de exposição solar. O autor também sugere que estes indivíduos requerem exposição solar de 2 a 8 minutos sem proteção ou de 10 a 30 minutos com bloqueador solar para otimizar a síntese de vitamina D.

Por outro lado, vários fatores podem influenciar o risco-benefício da exposição solar. Por exemplo, a melanina presente na epiderme de negros, que os protege de danos no DNA, limita a síntese de vitamina D. Em contrapartida, indivíduos de pele mais clara, com menos melanina, sintetizam a vitamina D mais efetivamente, porém apresentam maior risco de desenvolver câncer de pele. Idosos são menos capazes de sintetizar vitamina D por terem epiderme mais fina e menor concentração de 7-dehidrocolesterol, constituinte de membrana celular que a UVB converte em pré-vitamina D.

Sendo assim, a recomendação de uma quantidade de exposição solar pode ser impraticável considerando os numerosos fatores que influenciam a formação de vitamina através da radiação ultravioleta. Além disso, é difícil definir uma dose que represente um risco mínimo de câncer de pele. Portanto, a obtenção de vitamina D por meio de alimentos como substitutos da exposição solar pode ser uma forma de abster o risco de câncer de pele.

Nenhum comentário: