sábado, 31 de janeiro de 2009

Óleo de Peixe Contra Depressão

Estudo brasileiro reitera eficácia de ácidos graxos poli-insaturados em pacientes com Parkinson

Estudos epidemiológicos feitos há mais de uma década em várias partes do mundo têm apontado uma relação entre consumo de peixe e baixa incidência de casos de depressão. No Japão, Coréia e Chile, onde o consumo do alimento é elevado, essa incidência é consideravelmente menor que a observada em países como Alemanha ou Estados Unidos, cuja população ingere menos peixe e derivados.
Esses resultados foram corroborados por pesquisas do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que mostraram que ácidos graxos poli-insaturados da família ômega-3, presentes no óleo de peixe, reduzem a depressão. O estudo foi realizado com um grupo de portadores da doença de Parkinson, que sofrem de depressão em 50% dos casos.
"A introdução do óleo de peixe na alimentação dos portadores de Parkinson que acompanhamos revelou-se boa opção terapêutica para combater a depressão, principalmente por ser um suplemento com poucos efeitos colaterais", disse a fisiologista Anete Curte Ferraz, coordenadora do estudo.
Os ácidos graxos da família ômega-3 podem ser encontrados em maior concentração em peixes e outros animais marinhos com elevado teor de gordura, especialmente os procedentes de regiões frias, como o salmão, a sardinha e o atum. Nozes e linhaça também são fontes da substância.
O óleo de peixe, como a maioria dos lipídios (gorduras), possui ácidos graxos em sua estrutura. Essas substâncias – principalmente os ácidos docosahexaenoico e eicosapentanoico, que participam de processos bioquímicos importantes – estão presentes na membrana dos neurônios e são necessárias para o desenvolvimento e o funcionamento de certas células do cérebro.
O resultado dos testes mostrou redução de 50% dos sintomas depressivos em 42% dos pacientes que consumiram óleo de peixe. "Só 6% dos que receberam placebo apresentaram redução expressiva da depressão", contou Ferraz. Como o número de voluntários que participaram do estudo é pequeno, não se pode, segundo ela, generalizar os dados obtidos para toda a população de parkinsonianos. "Mas eles apontam um resultado importante", destacou.
O mecanismo de ação antidepressiva do ômega-3 presente no óleo de peixe ainda é desconhecido, e a equipe da UFPR pretende avaliá-lo na próxima etapa do estudo. Isso será feito a partir do uso de modelos animais e por meio da análise do sangue de pacientes.
A depressão afeta cerca de 120 milhões de pessoas no mundo. Ela tornou-se bastante comum no século 20, e há estimativa de que uma em cada quatro pessoas vai sofrer algum transtorno neurológico durante a vida.
Embora o estudo da UFPR tenha verificado a ação do óleo de peixe para combater a depressão em portadores da doença de Parkinson, os pesquisadores acreditam que os ácidos graxos poli-insaturados da família ômega-3 possam ser efetivos contra a depressão causada por quaisquer circunstâncias. "Mas os efeitos do suplemento alimentar são temporários; perduram apenas enquanto são consumidos", ressalta a coordenadora do estudo.

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