quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Culto ao Corpo e o Desenvolvimento de Transtornos Alimentares

Quando tudo o que passa pela mente é emagrecer a qualquer preço

Uma das grandes preocupações da psiquiatria atualmente está relacionada com a influência da cultura, dos hábitos de vida e dos valores sociais enquanto fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Isto porque, nos dias de hoje, vivemos numa sociedade em que valorizamos o corpo perfeito, a magreza, as curvas torneadas e sem gordura. Vivemos numa época em que muitas meninas atribuem a sua felicidade a um corpo sem defeitos, esculpido, capaz de escravizar. Para estas moças, o conceito ideal de felicidade está no próprio corpo.
A grande consequência dessa cultura do culto ao corpo na saúde emocional se vê na ocorrência de alguns transtornos alimentares, sendo os mais comuns, a anorexia e a bulimia. Epidemiologicamente falando, estes transtornos atingem 1% da população feminina entre 18 e 40 anos de idade, tendo como grupo vulnerável para o desenvolvimento destes transtornos as meninas adolescentes e adultas jovens que aspiram trabalhar em atividades que privilegiam e enfatizam o estado de magreza, ex-gordinhas que se tornam obsessivas por práticas frequentes de dietas e pessoas com baixa autoestima, insegurança e perfeccionistas.



Hoje, os transtornos alimentares são muito discutidos, seja na comunidade científica, seja com o público comum, que se vê familiarizado com este tema. A anorexia já foi abordada em novelas e noticiários, retratando as limitações auto-impostas na dieta, o padrão alimentar anormal, a acentuada perda de peso induzida e mantida pela própria pessoa. Além disso, a pessoa doente tem uma perturbação na percepção do seu esquema corporal. Em outras palavras, é como se ela estivesse de frente ao espelho e enxergasse o seu corpo como um corpo gordo. Assim, ao perceber o seu corpo desta maneira, a anoréxica mantém um jejum progressivo que pode vir acompanhado de aumento excessivo de práticas de exercícios físicos. A este quadro, somam-se o afastamento social e a irritabilidade.

Na bulimia, que também já foi inúmeras vezes comentada na televisão, é característica a ingestão excessiva de alimentos em curto espaço de tempo, seguido de sentimentos de culpa e vergonha, que levam a vômitos voluntários para o controle do peso. Na bulímica, o rosto permanece arredondado e inchado, a pele seca e com cortes nas articulações das mãos devido aos traumas repetidos contra os dentes para vomitar, estes dentes tomam formato de meia lua pela ação erosiva do vômito e o humor é extremamente instável. Podemos encontrar o uso freqüente de diuréticos, laxativos e moderadores do apetite. Enfim, o tema principal de toda a conversa de quem tem transtorno alimentar é emagrecer .

Quanto ao seu tratamento, orienta-se que ele seja farmacológico, nutricional e psicoterápico. Nenhum tratamento irá agir de maneira isolada, principalmente porque as causas são complexas e podem vir associadas com outros transtornos psiquiátricos e clínicos. Medicamentos como os antidepressivos e antipsicóticos podem ser prescritos pelo médico. Diferentes técnicas psicoterápicas podem ser utilizadas, sendo as mais conhecidas e empregadas a da terapia cognitivo-comportamental.

Muitas vezes também, nos deparamos com pacientes desidratados, desnutridos e com o sistema imunológico debilitado. Para a correção do padrão nutricional prejudicado, estimula-se o ganho de peso, por meio da ingesta de alimentos ricos em nutrientes que auxiliarão na produção de anticorpos.

Vale ressaltar que, concomitantemente a todos estes tipos de tratamentos, é também recomendado que a família busque compreender que não se trata de um problema tão simples assim e, que a falta de regras claras no ambiente familiar ou até mesmo o excesso de regras, bem como a preocupação excessiva com a aparência física, com o corpo ou com regimes podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Manter a calma e a persistência familiares são fundamentais para a compreensão da anorexia e da bulimia.

Gisela Cardoso Ziliotto é coordenadora adjunta do curso de Enfermagem da Universidade Nove de Julho (UNINOVE).

Fonte: Minha Vida

Um comentário:

Anna disse...

Olá, quero dizer que eu concordo com isso totalmente, que hoje apenas ser magro(a) é o que interessa, tem que se preocupar com a aparência, mas sim deve gostar de si mesmo. Obrigada por me dizer isso, muitas vezees nao almoço ou janto por causa dessas gordurinhas a mais.