sexta-feira, 12 de março de 2010

Consumo de leite por adultos: indicações e contra-indicações

O termo reações adversas aos alimentos é utilizado para denominar qualquer reação anormal que ocorra após a ingestão do alimento. A alergia alimentar se restringe apenas às reações nas quais o sistema imunológico está envolvido. Isto ocorre por uma falha da defesa intestinal do organismo, permitindo que alguns alimentos atravessem a parede do intestino, provocando manifestações clínicas como urticária ou vermelhidão nos lábios. Estas alergias atingem até 8% das crianças menores de três anos e 3% dos adultos.

Entre os alimentos, o leite é um dos principais agentes causadores, especialmente na fase pediátrica.

Enquanto isso, a intolerância chega a atingir mais de 50% da população e é uma doença crônica, que pode demorar meses, ou até anos para ser diagnosticada. Os sintomas são diversos e podem ocasionar danos nos sistemas nervoso central, urinário, respiratório, gastrintestinal, entre outros, levando a enxaqueca crônica, depressão, tontura, congestão nasal, rinite, sinusite, asma brônquica crônica, urticária, psoríase, acne, cãibra, náusea, diarreia, obesidade, entre outros. Novamente, o leite é apontado como uma das principais substâncias envolvidas, ao lado de café e grãos.

Além de tudo isso, mitos e crenças populares completam o afastamento dos adultos ao consumo de leite. Não é raro ouvir que leite é para bezerros, ou que o homem é o único mamífero que continua consumindo leite na idade adulta e ainda o faz utilizando o produto de outras espécies.

Mitos e verdades

Médicos e estudiosos seguem produzindo diversos materiais sobre o tema, que também chamou a atenção de pesquisadores dos Institutos de Tecnologia de Alimentos (ITAL-Apta) e de Economia Agrícola (IEA-Apta) e da própria Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O produto deste trabalho é o livro "Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência", lançado recentemente durante o 8º Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos (SLACA), em Campinas, São Paulo.

Coordenada pela professora Adriane Elisabete Costa Antunes (UNICAMP) e pela pesquisadora Maria Teresa Bertoldo Pacheco (ITAL), a publicação faz uma revisão abrangente da literatura científica e apresenta os mitos e verdades em torno do consumo de leite por adultos.

Diz o prefácio que o objetivo do livro é trazer informações atualizadas e abrangentes sobre o tema, oferecendo aos profissionais da área de alimentos e saúde, bem como para a população em geral, uma ferramenta de consulta.

Em um dos trechos, revela que novas descobertas apontam para a capacidade de continuar ingerindo leite na fase adulta como decorrente de uma mutação genética que proporcionou benefícios evolutivos aos indivíduos lactase persistentes, e que este padrão genético tem se tornado cada vez mais frequente na população mundial.

Esta, segundo Adriane, é a razão pela qual a intolerância a lactose é ainda tão grande. Ela diz que há regiões da África, Ásia e Oriente Médio em que chega a 80% da população.

Benefícios do leite

O leite é rico em proteínas, vitamina A, auxiliando na regulação do sistema nervoso e aumentando a resistência a infecções. É também a principal fonte de cálcio absorvido na alimentação, responsável por cerca de 70% do mineral ingerido pelo homem. É, portanto, uma importante arma para a prevenção de problemas como a osteoporose, especialmente para as mulheres, que são as mais acometidas.

Ainda para as mulheres, o consumo de leite é também muito importante em uma importante fase de suas vidas. Durante a gestação e lactação, elas precisam de cálcio. Na falta, acabam retirando do próprio organismo, podendo desenvolver, além da osteoporose, osteopenia e osteomalacia.

Estudos revelam, inclusive, que cerca de 45% das mulheres com intolerância à lactose descobrem-se livres do problema durante o período de gravidez e de lactação.

Fonte: Nutritotal

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