sexta-feira, 26 de março de 2010

O Sobrepeso e Obesidade Podem Causar Câncer

O sobrepeso (definido por um índice de massa corporal – IMC – entre 25 e 29,99 kg/m2) e a obesidade (IMC > 30 kg/m2) aumentam substancialmente o risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Os principais são o de endométrio, de mama, de próstata e colorretal, mas também podem ser desenvolvidos os de rim, esôfago, estômago, bexiga, fígado, pâncreas, ovário e a leucemia.

A obesidade influencia negativamente no prognóstico destes pacientes em diversos aspectos, incluindo as comorbidades e os fatores endócrinos.

Além de servir como depósito de energia, o tecido adiposo produz e secreta inúmeros peptídeos e proteínas bioativas, denominadas adipocitocinas. As adipocitocinas influenciam uma variedade de processos fisiológicos, como o controle da ingestão alimentar, a homeostase energética, a sensibilidade à insulina, a angiogênese, a proteção vascular, a regulação da pressão e a coagulação sanguínea.

Por isso, os estudos indicam que possa haver uma ligação entre as adipocitocinas e o câncer, além de resistência à insulina, processos inflamatórios e estresse oxidativo. As evidências sugerem que a resistência à insulina associada à síndrome metabólica, como complicações da obesidade, promovem a patogênese do câncer.

Em particular, a adiponectina (uma adipocitocina) e a leptina (hormônio secretado pelos adipócitos) possivelmente influenciam na etiopatogenia de diferentes tumores malignos. Um número razoável de estudos tem indicado que a leptina pode potencializar o crescimento de células cancerosas, enquanto a adiponectina parece ter efeito contrário. Junto com a leptina, a adiponectina participa da manutenção da homeostase energética. A obesidade acontece quando esta regulação é interrompida.

Estar com sobrepeso ou obeso no momento do diagnóstico de câncer colorretal indica mau prognóstico. Indivíduos obesos têm 1,34 mais chances de falecer devido ao câncer, comparado com os doentes com IMC <>

Estudos afirmam que o risco de desenvolvimento de câncer do endométrio aumenta com o aumento do IMC. Aproximadamente 60% dos cânceres de endométrio são atribuídos à obesidade, e mulheres obesas com este tipo de câncer têm seis vezes mais chance de morrer por conta da patologia do que as não obesas. Além da gordura corporal total, a gordura abdominal parece mais ligada à doença. Por outro lado, a prática de atividade física e uma alimentação saudável são fatores de proteção comprovados cientificamente.

Obesidade e sobrepeso são fatores de risco modificáveis. Ou seja, pode ser reduzidos com a adoção da prática regular de atividades físicas, melhora dos hábitos alimentares e, se necessário, intervenção medicamentosa.

Indivíduos com sobrepeso que sobrevivem ao câncer têm grandes chances de desenvolver uma segunda neoplasia maligna, outras comorbidades e declínio mais acentuado das funções fisiológicas. Por outro lado, um estudo observou que estes indivíduos, sobreviventes dos cânceres de mama, próstata ou coloretal, que iniciaram atividade física, melhoraram a qualidade da dieta, conseguiram perder peso durante um ano e demonstraram uma melhora na qualidade de vida em geral, comparado aos indivíduos que não realizaram estas mudanças em suas vidas.

Fonte: Nutritotal

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