quarta-feira, 17 de março de 2010

Sintomas da Doença Celíaca São Semelhantes em Jovens e Idosos

Uma pesquisa liderada pelo Dr. Peter Green, um dos grandes nomes no estudo da doença celíaca, e recém publicada na revista científica Digestive Diseases and Sciences, revela que os sintomas e manifestações da doença celíaca, tanto clinicamente como histologicamente, não diferem entre pessoas jovens e idosas.

Sabe-se atualmente que a doença celíaca – uma intolerância permanente ao glúten, a qual se manifesta em pessoas geneticamente predispostas – pode afetar pessoas de qualquer faixa etária. No entanto, foram poucos os estudos que se concentraram na análise das manifestações da doença em idosos, ou seja, pessoas com 65 anos de idade ou mais. Agora um novo estudo, envolvendo mais de 270 pacientes celíacos, fez exatamente isto: analisou os sintomas clínicos da doença, sua duração, alterações na mucosa intestinal, problemas de saúde associados e a saúde óssea de pacientes celíacos idosos com diagnóstico confirmado, comparando os resultados com aqueles de pacientes celíacos jovens, com idade entre 18 e 30 anos.

Segundo os especialistas, os resultados do estudo foram surpreendentes, na medida em que se esperava que vários dos sintomas e complicações da doença fossem mais severos entre os idosos, em função possivelmente de um tempo mais longo de convivência com a doença não diagnosticada. Porém, tanto no grupo dos idosos como no grupo dos jovens a duração dos sintomas antes do diagnóstico (ou seja, o tempo médio para o paciente ser diagnosticado) foi semelhante: uma média de 5.8 anos entre os jovens e 6.1 anos entre os idosos. As manifestações clínicas da doença previamente ao diagnóstico também não diferiram, sendo a diarréia o principal sintoma apresentado (em 49% dos jovens e 50% dos idosos). Outros fatores, como o grau de atrofia vilositária intestinal (ou seja, a magnitude da perda das vilosidades dos intestino delgado, resultado da reação auto-imune desencadeada pela ingestão de glúten por estes pacientes) bem como de outras condições auto-imunes também foi semelhante nos dois grupos. As únicas diferenças observadas foram na prevalência de problemas na tireóide e neuropatia, os quais foram mais frequentes entre os pacientes idosos.

Diante destes resultados, os autores reforçam a idéia de que a doença pode se desenvolver em qualquer momento da vida. Assim, é possível que uma pessoa com suspeita da doença porém resultados negativos possa manifestar a doença no futuro. Com base neste argumento, os autores enfatizam a necessidade de exames regulares entre os grupos de risco (por exemplo parentes de primeiro grau de celíacos e portadores de outras condições auto-imunes) ou com os sintomas da doença, mesmo que já tenham sido testados anteriormente.

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