domingo, 27 de junho de 2010

Diferenças precoces e persistentes no nível de colesterol entre crianças saudáveis e crianças com sobrepeso

Crianças que estão com sobrepeso, correm um grande risco de terem perfis lipídicos que sinalizem para um alto risco cardiovascular, e que esse risco possa deteriorar-se com a idade de acordo com nova pesquisa apresentada no Pediatric Academic Societies Annual Meeting 2010.

O apresentador do estudo Asheley C. Skinner, professor assistente do Departamento Geral de Pediatria e Medicina Adolescente da Universidade da Carolina do Norte, na Escola de Medicina de Chapel Hill, disse à *Medscape Pediatrics* que crianças com sobrepeso apresentam um perfil lipídico pior do que as crianças com peso normal, considerados todos os componentes lipídicos em todas as idades da infância.

Mais ainda, as diferenças tornam-se piores com o avançar da idade, principalmente em torno da puberdade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados compilados do National Health and Nutrition Education Survey (NHANES) de 1999 a 2006.

Colesterol total, lipoproteínas de baixa densidade (LDL), lipoproteínas de alta densidade (HDL), e triglicerídeos foram mensurados em crianças e adolescentes após um período de jejum de pelo menos 8 horas.

Os participantes foram categorizados como sobrepeso com índice de massa corporal que excedia 85º percentil da porcentagem e pacientes saudáveis se o índice de massa corporal variava de 5º a 85º percentis da porcentagem.

O grupo de sobrepeso era formado por 1959 crianças de 3 a 17 anos de idade e o grupo saudável consistia de 3119 pacientes, que foram cruzados.

O grupo do Dr. Skinner construiu curvas de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos de jejum, cruzando dados de meninos e meninas que estavam sobrepeso com aqueles que apresentavam peso saudável.

Em geral, todas as curvas mostraram o mesmo padrão ondulado, iniciando-se por uma elevação até atingir o pico que, dependendo do lipídio, varia em valor atual e tempo (8 a 11 anos), seguido por variações na curva e, finalmente por variações de subida naqueles de 16 e 17 anos de idade, relatou o Dr. Skinner.

Nas curvas de colesterol total, LDL, e triglicerídeos, o padrão foi similar, com lipídios elevados em crianças com sobrepeso por toda variação de idade, com as diferenças ficando mais acentuadas perto da adolescência.

A situação foi revertida nas curvas de HDL onde os níveis de colesterol bom foram consistentemente mais altos nos pacientes saudáveis, notou o Dr. Skinner.

A situação para triglicerídeos foi, particularmente dramática, com elevações precipitadas em crianças com sobrepeso, em torno de 4 anos de idade. Os níveis foram mantidos produzindo valores mais e mais altos na adolescência.

Os níveis excederam 200 mg/dL nas crianças com sobrepeso na idade em torno de 8 anos de idade e mantiveram o crescimento consistente, atingindo o pico de 250 mg/dL em torno de 16 anos de idade.

O Dr. Skinner concluiu que "esses resultados sugeriram que valores anormais de lipídios podem persistir e se acumular em crianças sobrepeso durante a sua infância”.

Embora os pesquisadores continuem a analisar os dados disponíveis, para a descoberta de fatores mais específicos, um banco de dado maior se faz necessário.

O Dr. McMurray também mostrou que os níveis de colesterol elevado em crianças obesas independem de atividade física. Ele estudou tendências semelhantes na Carolina do Norte, com um estudo mostrando que crianças obesas relatam consumir menos calorias que seus amigos que possuem peso saudável.

Autor: Brian Hoyle
Publicado em 05/13/2010

fonte: MedScape

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