terça-feira, 27 de julho de 2010

Atividade Física contribuindo em tratamentos de quadros Depressivos

Vou reproduzir um post que acabei de ler e que vai de encontro ao que costumo dizer a meus amigos e pacientes. O texto é de Bianca Trentine, do site "Corpo em Foco"

Anda se sentindo triste, desanimado, sem vontade de sorrir, querendo não acordar mais, sem motivação para viver? Então seja forte, pense positivo e vamos fazer algum exercício.

A depressão é uma doença psíquica que, além de afetar o emocional de um indivíduo tornando-o incapaz de sentir prazer, afeta seu funcionamento fisiológico. É uma das doenças que causam maior índice de incapacitação psico-fisico-social à população geral, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) perderá apenas para as doenças cardiovasculares quanto a esse índice.

A atividade física é um importante aliado do tratamento antidepressivo devido ao seu baixo custo e sua característica preventiva de patologias que podem levar um indivíduo a situações de estresse e depressão. Os estudos que relacionam a atividade física à depressão têm verificado que indivíduos que praticam atividade física de forma regular reduzem significantemente os sintomas depressivos. A medicação farmacológica antidepressiva apresenta influencias positivas no tratamento da depressão, porém muitos pacientes não aderem ou não persistem a esse tipo de tratamento devido aos seus efeitos colaterais e ao seu alto custo. A falta de acesso e persistência ao tratamento farmacológico aumenta a procura por tratamentos antidepressivos alternativos, como eletroconvulsoterapia, psicoterapia e a atividade física.

A maioria dos psiquiatras percebe que a atividade física auxilia “de moderadamente a totalmente” o tratamento da depressão. De acordo com este grupo as variáveis que são moderadamente ou muito melhoradas com a prática da atividade física regular são:

  • A melhoria da estabilidade emocional,
  • A imagem corporal positiva,
  • O aumento da positividade e autocontrole psicológico,
  • A melhora do humor, a interação social positiva,
  • A diminuição da insônia e da tensão.

Alguns estudos indicam que o efeito antidepressivo da atividade física pode ser verificado rapidamente, sendo que 3 semanas de algumas seções regulares são suficientes para se perceber a melhora no estado de humor em pacientes com depressão subclínica. Os efeitos antidepressivos do exercício físico são percebidos em vários estudos, mas embora a maioria destes sejam realizados com exercícios aeróbios como a caminhada, estes efeitos também podem ser atribuídos aos exercícios anaeróbios. Uma caminhada durante 30 minutos, pode ser tão efetiva no alívio dos sintomas da depressão quanto o tratamento padrão à base de medicamentos antidepressivos, conforme publicado no The Archives of Internal Medicine.

Existem várias explicações para isso:
  • Melhora a neurotransmissão de Norepinefrina, Serotonina e Dopamina, resultando uma melhora de humor;
  • Exercício proporciona distração, diversão e um desligamento de emoções e comportamentos desagradáveis;
  • Aumento da temperatura corporal, devido ao exercício resulta em efeitos tranqüilizantes;
  • O aumento de endorfinas reduz a sensação de dor e estado de euforia;
  • Capacidade física melhorada proporciona aos indivíduos um senso de controle e auto-suficiência, entre outros.
Em pacientes depressivos os movimentos são comprometidos, e o profissional de Educação Física é capaz de identificar sinais motores característicos à patologia e que podem auxiliar na melhor condução do tratamento. As principais são:

Lentificação ou agitação, dificuldade de precisão, dificuldade no controle do movimento, dificuldade na manutenção do equilíbrio estático e dinâmico, hipertrofia muscular principalmente nos músculos da cintura escapular, cervical, intercostal, peitoral e quadris; hipotonia muscular (diminuição anormal de pressão ou tensão) nos músculos posteriores do tronco, ântero-laterias do abdômen e anteriores da coxa e restrições articulares: articulações coxo femural e escápulo-umeral. Estas alterações podem ser observadas através de desvios e vícios posturais.

Os pesquisadores estudaram 156 pacientes idosos diagnosticados com desordem depressiva principal (em inglês, MDD), os quais foram divididos em três grupos: exercícios, medicamentos e medicamentos com exercícios. Após 16 semanas, todos os grupos apresentaram melhoria similar e estatisticamente significativa. Cerca de 33% dos pacientes em geral não respondem a medicamentos, os quais causam, às vezes, efeitos colaterais indesejáveis.

Sintomas da MDD incluem ânimo deprimido ou perda de interesse combinados a, no mínimo, 4 dos seguintes itens: distúrbios do sono, perda de peso, mudanças no apetite, agitação psicomotora, baixa auto-estima ou culpa excessiva, cognição ou concentração debilitada e desejo de morte.

A simples ingestão de uma pílula é muito passiva, diferentemente do exercício, que faz com que os pacientes sintam-se dominadores de sua condição, com grande senso de realização. Sentem-se mais autoconfiantes, com melhor auto-estima por poderem realizar sozinhos os exercícios físicos.

Essas descobertas podem mudar a maneira pela qual alguns pacientes deprimidos são tratados, especialmente aqueles não interessados em antidepressivos. O estudo não incluiu pacientes acentuadamente suicidas ou com depressão psicótica.

Apesar da dificuldade em se avaliar o efeito da atividade física no tratamento da depressão de maneira isolada, ela se mostra como um importante agente auxiliar em um tratamento antidepressivo que envolva outras intervenções terapêuticas, entretanto, mais estudos são necessários acerca da influência da atividade física neste tratamento para que se dê maior suporte a formação de profissionais de educação física e para que se estabeleça uma metodologia aos programas de atividade física (freqüência, duração intensidade) direcionada aos objetivos do tratamento da depressão.


Nenhum comentário: