sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Café e Glicemia Pós-Prandial

O hábito de tomar um cafezinho após a refeição pode interferir positivamente na diminuição da glicemia pós-prandial, mas ainda não há um consenso sobre qual quantidade da bebida e hora da ingestão teriam maior efeito.

Os mecanismos exatos ainda estão sob investigação, mas sabe-se que o café tem efeito estimulador sobre os hormônios intestinais e incretinas, que são secretadas no intestino depois das refeições, ajudando a controlar os níveis de glicemia. Um tipo de incretina, o hormônio GLP-1 (glucagon-like peptídeo-1), atua estimulando a síntese e secreção de insulina (aumentando a captação e o armazenamento de glicose); promovendo o retardamento do esvaziamento gástrico, o que contribui para a diminuição da elevação da glicemia no estado pós-prandial, diminuindo o apetite.

O café possui diversos tipos de antioxidantes. Um dos mais importantes é um composto fenólico chamado ácido clorogênico, capaz de quelar metais e se ligar a radicais livres formados durante o processo oxidativo. Alguns autores acreditam que esta propriedade possa melhorar a tolerância à glicose.

Outro mecanismo pelo qual o ácido clorogênico pode influenciar na glicemia pós-prandial é por meio da inibição da ação da glicose-6-fosfatase (enzima responsável pela regulação homeostática da glicose sanguínea), inibindo a produção de glicose hepática. Estudos experimentais observaram que o ácido quínico (produto obtido do ácido clorogênico após a torrefação do café) aumenta a sensibilidade à insulina.

O magnésio presente no café também parece afetar o metabolismo de glicose. O mineral participa dos processos de fosforilação, que são essenciais para o metabolismo da glicose e pode afetar a atividade do receptor de insulina.

O valor da glicemia pós-prandial depende da relação entre a secreção de insulina e glucagon, da quantidade e do tipo de alimento ingerido. O nível da glicemia começa a aumentar 10 minutos após a ingestão de alimentos. A glicemia atinge seus valores máximos aos 60 minutos após ingestão alimentar e aproxima-se dos níveis basais normalmente em 2 a 3 horas após a alimentação.

Segundo as pesquisas científicas da área, o consumo regular de café também ajuda a prevenir o diabetes melitus tipo 2. Um estudo que avaliou mais de 190 mil pessoas concluiu que aqueles que ingeriam de 4 a 6 xícaras de café por dia tiveram 28% menos chances de desenvolver diabetes do que aqueles que consumiam até 2 xícaras/dia.

Autora: Iara Waitzberg Lewinski
Fonte: Nutritotal

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