quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Farinha de 30 mil anos

Humanos há cerca de 30 mil anos não comiam apenas carne e tinham uma dieta mais diversificada do que se estimava. Um novo estudo descobriu um importante consumo de vegetais em indivíduos no Paleolítico europeu.

O trabalho será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O Paleolítico é uma era pré-histórica que se estende da introdução de ferramentas de pedras por hominídeos como Homo habilis, há cerca de 2,5 milhões de anos, até o início da agricultura, há aproximadamente 12 mil anos.

Até agora achava-se que a subsistência no Paleolítico europeu tivesse sido baseada em proteína e gordura animal, com raras evidências de consumo de plantas. Mas em estudo feito a partir de sítios arqueológicos na Itália, Rússia e República Tcheca, um grupo de cientistas desses países descobriu grãos de amido em pedras de cerca de 30 mil anos.

Os padrões de desgaste nas amostras e a presença de amido, verificada a partir de análise com microscopia óptica e eletrônica, permitiram concluir que as pedras foram utilizadas para amassar raízes e grãos, de modo similar ao empregado em um pilão para fazer farinha.

Segundo o estudo de Anna Revedin, do Istituto Italiano di Preistoria e Protostoria, na Itália, e colegas, os resíduos de vegetais nas pedras parecem ser principalmente de plantas ricas em carboidrato e energia.

A descoberta, de acordo com os autores, indica que o processamento de alimentos e a produção de farinhas eram comuns na Europa no período.

O artigo 30,000 year old flour: new evidence of plant food processing in the Upper Paleolithic (doi/10.1073/pnas.1000948107), de Anna Revedin e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org.

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