sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Isotonicos e Energéticos


Qual a diferença entre bebidas isotônicas e energéticas?



Apesar das bebidas isotônicas e energéticas terem sido desenvolvidas para melhorar o desempenho esportivo, este produto possui diferenças na composição nutricional, por isso o consumo deve ser feito com objetivos diferentes. A bebida isotônica tem o objetivo de repor as perdas hidroeletrolíticas durante a prática de exercícios, enquanto a bebida energética, por ter ação estimulante, tem o objetivo de aumentar a concentração e a resistência durante o exercício.


As bebidas isotônicas são líquidos que apresentam osmolaridade muito próximo a dos fluidos corporais (280-340 mosmol/kg). Essa propriedade faz com os isotônicos sejam rapidamente absorvidos após o consumo.

Neste sentido, o termo isotônico refere-se à tonicidade, ou seja, diz respeito à concentração iônica de um líquido em relação ao sangue. Um líquido pode ser hipotônico, quando sua concentração é menor que a do sangue, hipertônico quando a concentração é maior ou isotônico quando a concentração é igual a do sangue.

As bebidas isotônicas são consideradas suplementos hidroeletrolíticos com o objetivo de evitar a desidratação durante a prática esportiva. De acordo com a RDC 18/2010 da Anvisa, capítulo III e artigo 6º, os suplementos hidroeletrolíticos para atletas devem atender aos seguintes requisitos:


I - a concentração de sódio no produto pronto para consumo deve estar entre 460 e 1150 mg/l, devendo ser utilizados sais inorgânicos para fins alimentícios como fonte de sódio;
II - a osmolalidade do produto pronto para consumo deve ser inferior a 330 mOsm/kg água;
III - os carboidratos podem constituir até 8% do produto pronto para consumo;
IV - o produto pode ser adicionado de vitaminas e minerais, conforme Regulamento Técnico específico sobre adição de nutrientes essenciais;
V - o produto pode ser adicionado de potássio em até 700 mg/l;
VI - o produto não pode ser adicionado de outros nutrientes e de outros componentes que não sejam considerados nutrientes;
VII - o produto não pode ser adicionado de fibras alimentares.
§1°. Quanto ao tipo de carboidrato, referente ao inciso III, este produto não pode ser adicionado de amidos e poliois.
§2°. Com relação ao teor de carboidratos, constante do inciso III, o teor de frutose, quando adicionada, não pode ser superior a 3% do produto pronto para o consumo.

Os isotônicos geralmente apresentam em sua composição básica sódio, potássio, cloreto e glicose, além de conter corantes, aromatizantes artificiais e conservantes. Podem ser encontrados na forma de pós, concentrados ou líquido pronto para beber.
As bebidas isotônicas devem conter baixo teor de carboidratos para garantir um rápido esvaziamento gástrico e levar menos tempo para atingir os tecidos que necessitam de hidratação e, assim, garantir uma rápida e eficiente reposição hidroeletrolítica. Além disso, não devem ser gaseificadas, pois os gases podem causar a distensão das paredes intestinais e a sensação de peso no estômago.


As bebidas energéticas, por sua vez, têm como principal característica a presença de substâncias com ação estimulante do sistema nervoso central na sua composição. Elas foram desenvolvidas para melhorar a resistência física, reações mais velozes, aumentar a concentração, evitar sono, proporcionar sensação de bem-estar, estimular o metabolismo e ajudar a eliminar substâncias nocivas do organismo humano.

De modo geral, as bebidas energéticas possuem em sua composição básica sacarose, glucose, taurina (400 mg/100ml a 1000 mg/250ml), inositol, cafeína (15-32 mg/100ml a 80 mg/250ml), glucoronalactona, vitaminas do complexo B e vitamina C, acidulantes (ácido cítrico ou ácido pantotênico), reguladores de acidez (citrato de sódio), conservantes, corantes e aromatizantes.


Segundo a RDC 18/2010 da Anvisa, capítulo III e artigo 7º, os suplementos energéticos para atletas devem atender aos seguintes requisitos:


I - o produto pronto para consumo deve conter, no mínimo, 75% do valor energético total proveniente dos carboidratos;
II - a quantidade de carboidratos deve ser de, no mínimo, 15 g na porção do produto pronto para consumo;
III - este produto pode ser adicionado de vitaminas e minerais, conforme Regulamento Técnico específico sobre adição de nutrientes essenciais;
IV - este produto pode conter lipídios, proteínas intactas e ou parcialmente hidrolisadas;
V - este produto não pode ser adicionado de fibras alimentares e de não nutrientes.


Autora: Rita de Cassia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

Resveratrol e Obesidade

Estudo publicado na revista Cell Metabolism demonstrou que a suplementação de cápsulas contendo resveratrol induziu alterações metabólicas em pacientes obesos, semelhante aos efeitos da restrição calórica.

Os pesquisadores realizaram um estudo randomizado, duplo-cego, cruzado e controlado por placebo com onze homens obesos. Os participantes foram designados a receber 150 mg/dia de resveratrol, durante 30 dias e, ao término desse período, foi dado um intervalo de mais 30 dias para receber o placebo por mais 30 dias. Os indivíduos foram avaliados no início e no final de cada período de suplementação. Diversos parâmetros foram medidos, incluindo índice de massa corporal, gasto energético de repouso, pressão arterial, além de biomarcadores do metabolismo energético. 

A suplementação de resveratrol reduziu significativamente a taxa metabólica de repouso, efeito semelhante ao que ocorre quando há restrição calórica. Por outro lado, os pesquisadores verificaram que houve aumento do metabolismo mitocondrial no músculo, o que implica no aumento da queima de calorias. 

As concentrações plasmáticas de glicose e insulina foram menores após a suplementação de resveratrol, sugerindo uma melhora da sensibilidade à insulina. O resveratrol também reduziu as concentrações de triglicérides. Além disso, foi capaz de diminuir o acúmulo de lipídios no fígado e diminuiu os níveis de alanina–aminotransferase (ALT), com consequente melhora da função hepática. 

Os pesquisadores também avaliaram o perfil de expressão dos genes antes e após a suplementação de resveratrol. Dentre esses genes, houve aumento na expressão dos genes relacionados com a fosforilação oxidativa mitocondrial, enquanto que os genes relacionados com inflamação foram reduzidos. 

“Nosso trabalho demonstrou, pela primeira vez, os efeitos benéficos do resveratrol em 30 dias de suplementação sobre o perfil metabólico de homens obesos. Embora a maioria dos efeitos tenha sido modesto, eles foram muito consistentes, apontando para adaptações metabólicas benéficas. Além disso, não houve nenhum evento adverso com a suplementação”, argumentam os autores. 

“Portanto, o resveratrol foi seguro e bem tolerado na concentração testada. Estudos futuros devem investigar os efeitos em longo prazo da suplementação de resveratrol, a fim de estabelecer se maiores doses podem melhorar ainda mais as alterações metabólicas associadas com a obesidade”, concluem.

Autora: Rita de Cassia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Óleo de Cartamo

Quais são as propriedades do óleo de cártamo?

Diversos estudos atribuem diferentes propriedades ao óleo de cártamo, especialmente na redução de tecido adiposo, contribuição para o aumento da massa magra, aumento de HDL-colesterol (lipoproteína de alta densidade) e melhora da resistência à insulina. No entanto, os mecanismos de ação e seus reais benefícios para uso clínico ainda não estão totalmente estabelecidos. 

O óleo de cártamo é proveniente das sementes de uma planta oleaginosa denominada Carthamus tinctorius. Os principais ácidos graxos constituintes do óleo de cártamo são os ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 (ácido linoleico, aproximadamente 80%) e ácidos graxos monoinsaturados ômega-9 (ácido oléico, aproximadamente 12%). 

O estudo publicado por Norris et al. em 2009 demonstrou que a suplementação com 8 g/dia de óleo de cártamo durante 16 semanas diminuiu em 6,3% o tecido adiposo da região do tronco e foi observado um aumento de 1,6% na massa magra total, em mulheres na pós-menopausa com diabetes tipo 2. 

Em 2011, este mesmo grupo de pesquisadores avaliou novamente a suplementação com 8 g/dia de óleo de cártamo durante 16 semanas, mas desta vez com o objetivo de investigar os efeitos sobre o perfil glicêmico, lipídico e marcadores inflamatórios. Os autores concluíram que houve alterações metabólicas benéficas após a suplementação, incluindo redução dos níveis de HbA1c (hemoglobina glicada), glicemia de jejum, melhora da sensibilidade à insulina, aumento de HDL-colesterol, bem como a diminuição dos níveis de proteína-C-reativa e adiponectina. 

Segundo os autores, os efeitos significativos da suplementação com óleo de cártamo tornaram-se evidentes após 12 semanas. Os pesquisadores ressaltam, porém, que não é possível ainda distinguir mecanicamente como o ácido linoleico ou outros componentes do óleo de cártamo estão agindo para induzir esses efeitos biológicos. Além disso, ainda não foram determinados se é o óleo de cártamo como um todo ou o ácido linoleico, especificamente, que induzem os efeitos observados nesses estudos. 

No Brasil, algumas cápsulas de óleo de cártamo foram notificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido à presença em quantidades superiores a 70% da substância ácido linoleico conjugado (CLA). Desde 2007, a Anvisa proibiu a comercialização desta substância por não haver comprovação da segurança de uso e eficácia. Ressalta-se que o óleo de cártamo não possui ácido linoleico conjugado (CLA) em sua composição, mas ele é utilizado como matéria-prima para produção sintética de CLA. 

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro 
Fonte: Nutritotal

Fome Noturna


Um novo estudo realizado por cientistas brasileiros sugere que trabalhadores noturnos apresentam alterações em funções hormonais que podem deixá-los predispostos a comer mais, ganhar peso e desenvolver síndrome metabólica – um conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui hiperglicemia, hipertensão arterial, obesidade e aumento da circunferência da cintura.
A literatura científica internacional já demonstrava que os trabalhadores noturnos têm mais tendência ao ganho de peso, além de maior risco de apresentar doenças cardiovasculares e outros indicadores de síndrome metabólica.
Mudanças de comportamentos alimentares associadas ao trabalho noturno – incluindo aumento do valor calórico e variações no horário e número de refeições – têm sido apontadas como a mais provável explicação para esse fenômeno.
Estudando os mecanismos biológicos que poderiam estar por trás das mudanças comportamentais, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriu que os trabalhadores noturnos apresentam alterações em funções hormonais estomacais que regulam a saciação – a sensação de estar satisfeito após a refeição –, o que pode levar ao ganho de peso.
O estudo, coordenado por Bruno Geloneze Neto, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp,teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. “Nossa conclusão é que a função hormonal estomacal de regulação da saciação sofre alteração nas pessoas que trabalham à noite”, disse Geloneze à Agência FAPESP.
De acordo com Geloneze, o estudo foi realizado com um grupo de 24 mulheres, sendo 12 trabalhadoras do turno da noite e 12 trabalhadoras do turno do dia do Hospital das Clínicas da Unicamp. Todas elas tinham índice de massa corpórea entre 25 e 35.
“Estudamos os mecanismos hormonais ligados à saciação e não as diferenças comportamentais. Tomamos o cuidado de trabalhar apenas com pessoas do mesmo sexo, com padrões semelhantes de peso, de atividade física e de condição socioeconômica e cultural, a fim de observar as diferenças relacionadas à variável do turno de trabalho”, disse Geloneze.
Segundo Geloneze, a literatura internacional aponta que os trabalhadores noturnos têm mais riscos de ganhar peso e desenvolver doenças cardiovasculares, associando esse fenômeno a um aumento do consumo calórico.
Mas, até agora, os estudos não haviam desvendado se esse aumento ocorria devido ao estresse causado pela quebra do ritmo biológico ocasionada pela vigília no período noturno ou por um fator de ordem puramente comportamental: como se a falta de estímulos no período noturno levasse a pessoa a comer mais – o que os cientistas suspeitam ser um mito.
“Fomos investigar um aspecto sobre o qual não há dados na literatura: como se comportam os hormônios gastrointestinais que controlam a fome e a saciação. Alguns estudos mostram que existe uma alteração nos níveis de leptina – um hormônio relacionado ao grau de adiposidade – nos trabalhadores noturnos. Mas não se sabia se a leptina se alterava como consequência do ganho de peso ou se era sua causa”, explicou.
As voluntárias foram submetidas a um teste de alimentação padrão, que consiste na ingestão de 515 calorias, com uma dieta hiperproteica e hiperlipídica. As trabalhadoras noturnas foram testadas durante o dia, em jornadas de folga. As trabalhadoras diurnas foram testadas no horário normal.
“Depois da alimentação, estudamos por três horas a produção de insulina e de três hormônios GLP-1 e PY-B36 – ambos com ação anorexígena –, de grelina, um hormônio produzido no estômago e que estimula a fome, e de xenina, hormônio que inibe a fome”, declarou.
No padrão normal de alimentação, pouco antes da refeição, os níveis de grelina se apresentam altos, enquanto os outros três hormônios apresentam níveis baixos. Depois da refeição, por um período de três horas, o GLP-1, PY-B36 e xenina aumentam e a grelina é reduzida.
“Nos indivíduos que trabalham à noite, os padrões de GLP-1 e de PY-B36 se apresentavam semelhantes ao das trabalhadoras diurnas. Mas identificamos uma alteração na produção de grelina entre as trabalhadoras noturnas”, disse.
Normalmente, segundo Geloneze, após a refeição a produção de grelina cai abaixo dos níveis basais. Entre as trabalhadoras noturnas, não houve supressão da grelina depois da alimentação.
“Outra diferença que observamos ocorreu em relação à xenina. Esse hormônio normalmente aumenta após a refeição, contribuindo para a saciação. Mas nas mulheres que trabalham à noite a produção de xenina não subiu”, disse o pesquisador.
Do ponto de vista clínico, houve uma diferença discreta na quantidade de calorias ingeridas, de cerca de 10%. As trabalhadoras noturnas, apesar de terem o mesmo padrão de índice de massa corpórea das outras, tinham também um pouco mais de concentração de gordura no abdome.
“Quando falamos de tratamento da obesidade, precisamos levar em conta que as condições das pessoas são muito heterogêneas e uma abordagem terapêutica única pode ser ineficiente. Agora sabemos que para os trabalhadores noturnos seria preciso ter terapias focadas nesses mecanismos subjacentes, como, por exemplo, drogas que modulem a produção de xenina e grelina”, afirmou. 
Autor: Fabio Castro
Fonte: Fapesp

Anvisa Retira Anfetaminas do Mercado

Anvisa retira anfetaminas do mercado e mantém o registro da sibutramina para tratamento da obesidade 

A Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu, nesta terça-feira (4/10), pela retirada dos medicamentos inibidores de apetite do tipo anfetamínico (femproporex, mazindol e anfepramona) do mercado e pela manutenção da sibutramina como medicamento para o tratamento da obesidade, com a imposição de novas restrições. Os medicamentos femproporex, mazindol e anfepramona terão seus registros cancelados, ficando proibida a produção, o comércio, a manipulação e o uso destes produtos. 

O uso dos anfetamínicos está baseado na prática clínica, que é o tipo de evidência menos segura segundo os padrões atuais para registro de medicamentos. Além disso, há evidências de eventos adversos graves. Esses dados justificam a decisão dos diretores. Em relação à sibutramina, a diretoria da Anvisa decidiu manter o medicamento no mercado com a inclusão de novas restrições para o uso do produto. 

O relatório apresentado pelo diretor-presidente, Dirceu Barbano, informa que o perfil de segurança da sibutramina é bem conhecido, o que permite que ela possa ser utilizada em determinadas situações e com um monitoramento rigoroso. Uma das restrições que será estabelecida é a descontinuidade do uso da sibutramina em pacientes que não obtiverem resultados após quatro semanas de uso do produto. 

Fonte: News Med

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Adoçantes

Quando o assunto é perda de peso, a primeira modificação na dieta costuma ser a substituição do açúcar refinado pelo adoçante dietético. A troca possibilita uma redução no total calórico da dieta favorecendo o emagrecimento.
Um erro comum é imaginar que somente essa alteração no comportamento alimentar já basta para alcançar o peso desejado. Então, não é difícil encontrar indivíduos consumindo alimentos calóricos e gordurosos, como pizzas, salgados fritos, cachorro-quente, hambúrguer, sem abrir mão da bebida dietética para compensar. 


O adoçante dietético pode sim, ser utilizado como aliado no tratamento da obesidade, contudo para o resultado ser eficaz e duradouro, é preciso mudar todos os hábitos alimentares incorretos, aderindo a um plano alimentar equilibrado que irá promover emagrecimento gradual e saudável. 


Em primeiro lugar, é bom lembrar que o adoçante dietético foi desenvolvido para atender os diabéticos já que eles devem restringir o açúcar e os produtos doces da alimentação devido ao quadro de hiperglicemia (alta taxa de glicose no sangue) que apresentam. Com o tempo, o adoçante dietético passou a ser usado também no controle de peso, como uma estratégia de facilitar a redução calórica. Atualmente, é consumido até por pessoas que desejam manter o peso. 


Você reparou que desde o início do texto, o termo empregado foi sempre "adoçantes dietéticos" e não simplesmente "adoçantes"? Pois é, existe diferença entre as duas expressões. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), adoçantes são produtos especificamente formulados para conferir sabor doce aos alimentos e bebidas, tendo a sacarose (açúcar de cana) como principal exemplo. Já os adoçantes dietéticos conferem doçura sem possuir sacarose na composição, uma vez que são elaborados para atender às necessidades de pessoas com restrição de carboidratos simples (diabéticos). 


Os adoçantes dietéticos são constituídos por edulcorantes e agentes de corpo. Edulcorantes são as substâncias químicas responsáveis pelo sabor adocicado que normalmente possuem um poder adoçante muito superior à sacarose sendo necessária portanto, uma quantidade menor para obter a mesma doçura, com a vantagem de ter menos ou nenhuma caloria. Enquanto que os agentes, também chamados de veículos, são compostos utilizados com a finalidade de diluir os edulcorantes dando volume ao produto. Como os edulcorantes adoçam até 600 vezes mais do que o açúcar, se fossem comercializados na forma pura, teriam que ser usados em quantidades muito pequenas para obter a mesma doçura do açúcar. Então, a diluição facilita o seu uso. Alguns exemplos de agentes de corpo permitidos pela legislação são: água, lactose, glicose, maltodextrina, manitol. 


Os adoçantes dietéticos podem ser comercializados e apresentados sob as formas de tabletes, grânulos, pó ou líquido. Com relação ao uso na culinária, o mais indicado pelas culinaristas é o adoçante em pó. Para as receitas que vão no forno, no fogão ou no microondas, os adoçantes dietéticos à base de aspartame não são recomendados porque em altas temperaturas, a ligação entre os dois aminoácidos (fenilalanina e ácido aspártico) presentes em sua composição se rompe provocando perda do sabor doce. 


Quanto à rotulagem, os adoçantes dietéticos possuem algumas particularidades. As informações que devem estar presentes são: 

  • os nomes e os tipos (artificiais ou naturais) de edulcorantes; 
  • o alerta "contém fenilalanina" para os adoçantes que tiverem aspartame na composição; 
  • a orientação "consumir preferencialmente sob indicação de nutricionista ou médico"; 
  • o valor energético (Kcal), em medidas práticas usuais, tais como: gotas, colher de café, colher de chá, envelope, tabletes, juntamente com a equivalência de seu poder adoçante em relação ao da sacarose. 
Veja as diferenças, quanto à composição de edulcorantes, equivalência de doçura em relação à sacarose, estabilidade a elevadas temperaturas e valor calórico, entre os adoçantes dietéticos das principais marcas encontradas no mercado: 


Tabela dos Principais Adoçantes do Mercado 

Tabela de Composição dos Adoçantes 


Os adoçantes dietéticos podem ser divididos em dois grupos distintos: não nutritivos (sacarina, ciclamato, acessulfame-k, sucralose, esteviosídeo) - fornecem doçura acentuada, não contêm calorias e são utilizados em quantidades muitos pequenas; nutritivos (frutose, sorbitol, aspartame) - fornecem energia e textura aos alimentos, geralmente contêm valor calórico semelhante ao açúcar e são utilizados em quantidades maiores em relação aos não nutritivos. A tabela abaixo, relaciona as características dos adoçantes dietéticos, de acordo com a classificação que divide os edulcorantes em artificiais (produzidos sinteticamente) e naturais (encontrados na natureza).

Conhecendo as propriedades dos adoçantes dietéticos, você terá mais facilidade em escolher o que apresenta mais vantagens. No entanto, saiba que o mais importante é a utilização consciente do produto, não como um agente isolado em busca de um resultado milagroso e sim, como integrante de uma alimentação balanceada que contribua para a perda de peso. 

Autora: Roberta Stella - Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP) 
Fonte: Cyberdiet

Adoçantes, Quais os Cuidados Que se Deve Tomar?

Os adoçantes podem parecer amigos da dieta, mas novas pesquisas comprovam que o consumo regular da substância artificial pode causar alguns danos à saúde. Além de abrir o apetite por doces e causar uma compulsão por carboidratos, alguns adoçantes podem alterar a pressão de hipertensos, favorecer o acúmulo de toxinas no fígado e causar dor de cabeça e alterações de humor. 

Qual a principal diferença entre o açúcar e o adoçante? 
O açúcar totalmente refinado é obtido principalmente da cana de açúcar, explica Patrícia Davidson. No processo de refinamento há a remoção completa de todos os nutrientes contidos na cana. Por isso, ele é rapidamente digerido e provoca o aumento dos níveis de glicose e estimula o de gordura nas células. Para o açúcar ser metabolizado, ele rouba do organismo cromo, selênio, magnésio e zinco envolvidos em múltiplas reações orgânicas, como o controle sobre a própria vontade de carboidratos, e favorece cãibras, osteoporose, cólicas menstruais e a redução da imunidade. 
- O açúcar hoje é um grande depressor do sistema imunológico e não deve ser consumido por aqueles que já tem redução da imunidade: indivíduos com herpes de repetição, problemas de cândida, HIV, infecções recorrentes de garganta ou de ouvido – afirma Patrícia Davidson. 
O açúcar mascavo e o mel são mais saudáveis do ponto de vista nutricional por conterem mais nutrientes, mas também provocam as oscilações desagradáveis na glicose e favorecem o ganho de peso. Já os adoçantes ou edulcorantes artificiais são, em sua maioria, produzidos quimicamente pela indústria e surgiram para atender um público específico, os diabéticos, que devem fazer restrição no consumo de açúcar. Além disso, quase todos são isentos de calorias, o que é o principal chamariz para o consumo exagerado que acontece hoje. 

Ele pode estimular a vontade de comer doces? 
Estão surgindo algumas teorias que indicam que o adoçante pode ter o efeito contrário ao prometido, isto é, engordar ao invés de emagrecer, explica Patrícia. A nutricionista afirma que muita gente toma um refrigerante light e se permite comer um brigadeiro, porque economizaram calorias no refrigerante. E isso leva a pessoa a ganhar peso tanto pelas concessões que vão sendo feitas como pelo acúmulo de toxinas no tecido gorduroso. 
Além disso, o organismo não tem mecanismos satisfatórios para distinguir o que é açúcar do que é adoçante e pode estimular a produção de insulina ao se deparar com qualquer sabor doce. Quanto mais insulina for produzida pelo pâncreas, maiores são as chances de deposito de gordura corporal, sobretudo no abdômen. 

Quais os efeitos colaterais dos adoçantes? 
Patrícia Davidson afirma que o adoçante que mais causa efeitos colaterais é o aspartame, que tem como produto final de sua metabolização o metanol, que é altamente tóxico para o fígado. Ele tem vários efeitos colaterais, como dor de cabeça e as alterações de humor. Além disso, ele é classificado como uma toxina cerebral, isto é, é um potente destruidor de neurônios. Já o ciclamato e a sacarina tem sódio na composição, o que não é indicado para quem tem pressão alta e nem para pessoas com tendência a retenção de líquidos.
- Antes de colocar o adoçante no café ou no suco de frutas , prove antes. O paladar vai se acostumando ao verdadeiro sabor dos alimentos e o uso de qualquer produto adoçante passa a ser dispensável. Mas se for necessário, utilize o Stévia ou pelo menos faça um rodízio entre os vários tipos de adoçante. 

O organismo acumula resíduos de adoçantes? 
Sim, afirma Patrícia Davidson. O nosso organismo não foi preparado geneticamente para receber estas substâncias. A nutricionista explica que o local preferido para o acúmulo de toxinas é o tecido de gordura e quanto maior é este deposito maior é a dificuldade de gastar a gordura ali estocada, tornando o emagrecimento mais difícil. O principal órgão responsável por eliminar estes resíduos tóxicos é o fígado e o mesmo precisa de mais de 20 tipos diferentes de nutrientes para funcionar. 
- Hoje as pessoas estão consumindo muitos alimentos diet/light, ou seja, alimentos industrializados cheios de componentes químicos, e com baixo valor nutricional. Assim elas se intoxicam mais e têm menos nutrientes para se desintoxicar e continuando cada vez mais ganhando peso – diz Patrícia. 
Ela alerta que essas toxinas podem interferir no funcionamento da tireóide, interferem com o nosso apetite, desregulando o mecanismo de fome e saciedade, podem interferir com a maneira com que “queimamos” os alimentos e obtemos mais energia a partir deles e pode nos deixar mais cansados e menos dispostos para a atividade física. 

Quem realmente deve ingerir este alimento e quem deve evitá-lo? 
Os adoçantes devem ser consumidos apenas com indicação de nutricionistas e médicos, alerta Regina Pádua. Indivíduos saudáveis devem evitá-los. Para ela, os adoçantes só devem ser encorajados a pacientes que tem diabetes ou obesidade. Crianças também não devem ingeri-los, a menos que estejam realmente acima do peso ou tenham diabetes. 
Os adoçantes são contraindicados para grávidas. 

Os adoçantes naturais são boas opções? 
Patrícia lembra que o Stévia é uma opção mais natural e segura. Mas é preciso ficar de olho, já que alguns fabricantes misturam a substância com outros tipos de adoçante como o ciclamato de sódio para baratear seu preço. 
O mais novo adoçante natural no mercado é o agave, um xarope retirado de um cacto e originário do México. 
- O agave é super gostoso, tem ótimo poder adoçante, além de um pouco de potássio, magnésio e cálcio. E por apresentar um baixo índice glicêmico, isto é, não aumenta tanto a glicose como um mel, pode ser utilizado como opção saudável no lugar do açúcar para adoçar cafés, sucos, chás e na confecção de bolos e pães. Regina explica que o agave tem 3,34 calorias por grama e é três vezes mais doce que o açúcar comum. 
- Apesar de não existirem pesquisas científicas da utilização do agave, por ser natural e se utilizado com cautela pode ser uma boa opção – completa. 

Fonte: O Diabetes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Baixos níveis de vitamina B12 podem prejudicar o cérebro, mostra estudo

Idosos com baixos níveis de vitamina B12 no sangue podem ter uma maior propensão à perda de neurônios e a problemas com habilidades que exigem raciocínio, aponta um estudo publicado nesta terça-feira (27) na revista científica “Neurology”, da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa envolveu 121 pessoas com 65 anos ou mais que vivem ao sul de Chicago, nos EUA. 
Foram avaliadas amostras de sangue dos voluntários, nas quais se verificaram os níveis de vitamina B12 e moléculas relacionadas a esse metabolismo, que poderiam indicar uma eventual deficiência. Os participantes também passaram por testes de medição de memória e de outras habilidades cognitivas. Após cerca de quatro anos e meio, exames de ressonância magnética analisaram o volume cerebral desses indivíduos e buscaram por outros sinais de danos. 
 Os cientistas descobriram que um alto índice de deficiência em quatro dos cinco marcadores de vitamina B12 pode estar associado a piores resultados em testes cognitivos e a um menor volume total do cérebro. Segundo a autora do estudo, Christine Tangney, do Centro Médico Universitário Rush, em Chicago, o achado precisa de investigações mais aprofundadas, pois ainda é cedo para afirmar que alimentos ou suplementos de vitamina B12 em pessoas mais velhas poderiam prevenir esses problemas. 
 De acordo com ela, resultados de uma pesquisa britânica sobre suplementação da substância na dieta já indicam um caminho favorável nesse sentido. A vitamina B12 é encontrada principalmente em carnes de origem animal, como gado (sobretudo o fígado bovino), peixes e aves. Leite, ovos e derivados dessas espécies também são fonte do composto.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Estudo investiga a relação entre obesidade e trauma psicológico

Cirurgia bariátrica para redução do estômago, colocação de balões gástricos e remédios que inibem o apetite são alguns exemplos de terapêuticas atuais usadas para tratar a obesidade mórbida. Para a psicanalista Joana de Vilhena Novaes, mais importante do que métodos rápidos e sedutores, é entender por que esse tipo de paciente, particularmente nas classes populares, se torna obeso e que lugar a comida ocupa em sua constituição psíquica e afetiva. Para isso, ela integra a equipe do Laboratório de Pesquisas Clínicas e Experimentais em Biologia Vascular (BioVasc), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde realiza o acompanhamento psicológico dos pacientes, junto ao serviço médico. 

Ali, continua-se propondo a perda de peso gradual, fundamentada na reeducação alimentar e na prática regular de atividades físicas. "Nosso objetivo é reduzir a desistência do tratamento e evitar que o obeso volte a engordar. Nesse sentido, temos tido bons resultados, apesar do tratamento lento e, para alguns, pouco atrativo. 

Nosso serviço se tornou um diferencial porque o paciente se sente acolhido e termina trazendo outros para a clínica, inclusive familiares", defende a psicanalista, que realiza seu estudo com bolsa do programa de apoio ao pós-doutorado no estado do Rio de Janeiro (PAPDRJ), da parceria Capes-FAPERJ. O BioVasc oferece esse serviço na Policlínica Piquet Carneiro, unidade de saúde da Uerj. 

Em seu pós-doutorado, sob a supervisão da pesquisadora e coordenadora do BioVasc, Eliete Bouskela, Joana investiga a relação entre obesidade e trauma psicológico especificamente nas classes menos favorecidas economicamente. "Temos observado que boa parte dos nossos pacientes pertence a uma das comunidades de baixa renda próximas à universidade. A grande maioria teve algum tipo de trauma decorrente, por exemplo, de abuso sexual, testemunho de assassinato dos pais etc. É justamente após essas experiências que eles desenvolvem obesidade, nesses casos sempre acompanhada de depressão e de uma profunda melancolia", diz a pesquisadora. Ela frisa que esses dois estados emocionais são graves problemas psicológicos e contribuem para desistência do tratamento e para a não sociabilidade do paciente. "Meu objetivo é entender por que esse tipo de paciente se torna obeso. Sobretudo, quero compreender as especificidades clínicas do trauma e entender como suas consequências interferem no comportamento psíquico e social desse obeso", resume Joana. 

Particularidades do serviço multidisciplinar do BioVasc 

Partindo da premissa que a obesidade é uma síndrome plurifatorial, Joana explica que, já na primeira consulta, o paciente é avaliado por uma equipe multidisciplinar, formada por um psiquiatra, um psicólogo, um nutricionista, um professor de educação física e três residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). Como explica a pesquisadora, é traçada uma análise de todo o histórico genético e familiar do paciente, que depois é submetido a exames para verificar doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Com base nos resultados clínicos, sugere-se um plano de atividades aeróbicas e musculares e se propõe uma reeducação alimentar específica para os hábitos e a rotina do paciente.

Numa extensa análise psicológica, é realizado ainda um psicodiagnóstico e uma cuidadosa avaliação psiquiátrica. "Em alguns casos, prescrevemos só terapia, mas em outros a associamos com medicamentos antidepressivos e ansiolíticos", explica a pesquisadora. Como psicanalista do serviço, Joana indaga sobre as causas e consequências psíquicas da obesidade e também sobre a melhor forma de tratar seus sintomas e promover medidas para prevenir o aumento de seus índices. 

Segundo Joana, o método adotado é a psicanálise clássica, ou seja, busca-se a saúde mental por meio do diálogo sistemático sobre as vivências traumáticas. "Falar exaustivamente faz com que os pacientes vivam, por um momento, o luto por suas perdas e traumas, que por vezes são tão dramáticos e violentos. Mas depois daquele momento, eles se tornam aptos a superá-los", explica a pesquisadora. 

Se, por um lado, o objetivo da inclusão do atendimento psicológico ao tratamento é aumentar a adesão do paciente ao que foi prescrito e melhorar seu convívio social, por outro, procura-se garantir a multidisciplinaridade. "Agora, oferecemos um serviço biopsicosocial, que pode ser visto também como uma medida profilática. Ou seja, quando uma mãe, por exemplo, muda seus hábitos alimentares, ela diminui a probabilidade de que seus filhos sejam obesos", afirma a pesquisadora.

A pós-doutoranda destaca que a obesidade já se caracteriza como um problema de saúde pública e que atualmente tem-se observado um crescimento de casos já na infância e na adolescência. "A realidade fica mais cruel, quando entendemos que a sociedade demonstra uma clara ‘lipofobia’, que quer dizer medo da gordura. Isso faz aumentar o nível da psicose coletiva em busca do corpo perfeito, bem como o preconceito com quem está acima do peso, mais claramente com que está obeso", resume. 

Joana estuda há anos a relação entre o que ela chama de doenças da beleza (compulsão alimentar, anorexia, bulimia, obesidade etc) e o comportamento social contemporâneo das diferentes classes sociais. Como resultado de seu trabalho, ela já publicou dois livros sobre o tema: O intolerável peso da feiúra: sobre as mulheres e seus corpos e Com que corpo eu vou: sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares. Este último foi também resultado de uma pesquisa financiada pela FAPERJ. 

No Brasil, os dados são alarmantes. Uma pesquisa de 2007, realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), aponta que 63% da população brasileira estão acima do peso. Os dados ratificam a importância de se ter um eficiente atendimento hospitalar de combate e prevenção à obesidade. "Isso é o que tentamos fazer no BioVasc", conclui Joana.

Autora: Elena Mandarim
Fonte: Faperj

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Suplementação de leucina aumenta síntese proteica pós-exercício

Pesquisadores norte-americanos publicaram um estudo na revista The American Journal of Clinical Nutrition mostrando que a suplementação de aminoácidos essenciais enriquecida de leucina aumenta a síntese proteica muscular pós-exercício.

Este foi um estudo cruzado e randomizado, que avaliou a suplementação de aminoácidos essenciais com duas diferentes concentrações de leucina na síntese de proteína muscular após exercício moderado, caracterizado pela realização de bicicleta ergométrica durante 60 minutos a 60% do VO2 máximo.

“Estes dados demonstram que o aumento da disponibilidade de leucina durante o exercício promove o anabolismo da proteína do músculo esquelético e reposição de proteína endógena. Estudos futuros são necessários para determinar os mecanismos moleculares e se os efeitos observados são influenciados pela intensidade do exercício ou outros nutrientes”, destacam os autores.

“Nossas descobertas indicam que o aumento do teor de leucina nos suplementos proteicos pode ser promissor para as populações suscetíveis à perda de massa muscular, como a caquexia e sarcopenia, devendo ser explorados nos próximos estudos”, concluem.

Autora: Rita de Cassia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

domingo, 11 de setembro de 2011

Usar Remédio Contra Diabetes Para Emagrecer Tem Alto Risco, alerta Anvisa

Em nota emitida na quinta-feira (8), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirma que o medicamento Victoza "não é indicado para emagrecimento" e que seu uso para "qualquer outra finalidade que não seja como antidiabético caracteriza elevado risco" para a saúde.

Lançado em 2009 na Europa, a liraglutida (substância contida no Victoza) tem sido prescrita por endocrinologistas nos últimos meses no Brasil para pessoas que querem perder peso, mas não são necessariamente portadores de diabetes tipo 2.

Mas, segundo a nota da agência, assinada por seu presidente, Dirceu Barbano, não existem estudos que "comprovem qualquer grau de eficácia" para "redução de peso e tratamento de obesidade".

Além disso, os efeitos colaterais do medicamento injetável ainda não são completamente conhecidos.

"Este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos", diz a própria bula do produto, citada no texto.

Alguns dos possíveis "eventos adversos" criados pelo uso do Victoza são hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia, diz a nota, motivada por uma reportagem publicada na última edição da revista "Veja".

"Além destes eventos destacam-se outros riscos: pancreatite [inflamação do pâncreas], desidratação e alteração da função renal e distúrbios da [glândula] tireoide, como nódulos e casos de urticária."

Há ainda um outro estudo, não finalizado, para "confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida". A Novo Nordisk, empresa que produz o Victoza, também incluiu, em junho, a "alteração da função renal como um potencial efeito adverso" do medicamento.

Outro provável problema se refere à resposta do sistema imunológico à liraglutida --ela causa o risco de alergia, anafilaxia e "efeitos inesperados mais graves".

Lei abaixo a íntegra da nota:

*
"Esclarecimentos sobre o risco do uso inadequado do produto Victoza:

Em relação à reportagem intitulada "Parece Milagre", edição número 2.233 da revista VEJA, de 07/09/2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Victoza é um produto "biológico". Ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida. O medicamento, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk, foi aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010, com a finalidade de uso específico no tratamento de diabetes tipo 2. Portanto, seu uso não é indicado para emagrecimento.

A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como "adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado".

Por tratar se de um medicamento "biológico novo", o Victoza, assim como outros medicamentos dessa categoria, estão submetidos a regras específicas tanto para o registro quanto para o acompanhamento de uso após o registro durante os primeiros cinco anos de comercialização. Além disto, o produto traz a seguinte advertência no texto de bula: "este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso informe seu médico."

Para o registro do produto foram apresentados os relatórios de experimentação terapêutica com estudos não clínicos e clínicos Fase I, Fase II e Fase III comprovando a eficácia e segurança do produto, para o uso específico no tratamento de diabetes tipo 2.

É importante destacar que além dos estudos apresentados para o registro, encontra-se em andamento um estudo Fase IV (pós registro) para confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida. Os resultados deste estudo podem trazer novas informações a respeito da segurança do produto.

O laboratório fabricante já enviou à Anvisa três relatórios sobre o comportamento do produto, trata-se do documento conhecido como PSUR (Relatório Periódico de Farmacovigilância). Além disto, o Novo Nordisk decidiu incluir, em junho de 2011, em seu Plano de Minimização de Risco (PMR) a alteração da função renal como um potencial efeito adverso do uso da medicação.

Nos estudos clínicos do registro e nos relatórios apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza, sendo os mais frequentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireoide, como nódulos e casos de urticária.

Outra questão de risco associada aos produtos biológicos são as reações de imunogenicidade, que podem variar desde alergia e anafilaxia até efeitos inesperados mais graves. No caso da liraglutida a mesma apresentou um perfil de imunogenicidade aceitável para a indicação como antidiabético, o que não pode ser extrapolado para outras indicações não estudadas, por ausência de dados científicos de segurança neste caso.

Para o caso de inclusão de novas indicações terapêuticas deve-se apresentar estudo clínico Fase III comprovando a eficácia e segurança desta nova indicação.

A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há até o momento solicitação na Anvisa por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade.

Conclui-se pelos dados expostos acima que desde a submissão do pedido de registro a aprovação do medicamento para comercialização e uso no Brasil, a Anvisa fez uma análise extensa e criteriosa de todos os dados clínicos que sustentam a aprovação das indicações terapêuticas do produto contendo a substância liraglutida, através da comprovação de que o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como antidiabético.

A Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população."

Fonte: Folha

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lorcaserin: Novo Medicamento Para Emagrecimento

O ensaio clínico randomizado, conhecido como BLOSSOM Trial, publicado pelo Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, mostrou que o lorcaserin – um novo medicamento para ajudar na perda de peso de adultos obesos e com sobrepeso, pode vir a ser uma nova opção para pacientes que precisam emagrecer.

O lorcaserin é um agonista seletivo do receptor 2C da serotonina. O novo medicamento foi estudado em ensaio clínico randomizado, controlado por placebo, duplo-cego, incluindo 4.008 pacientes, com idades entre 18 e 65 anos, com índice de massa corporal entre 30 e 45 kg/m² ou entre 27 e 29,9 kg/m² e com uma patologia associada à obesidade.

Os pacientes obtiveram orientações dietéticas e sobre atividades físicas e foram divididos em três grupos que receberam:

10 mg de lorcaserin duas vezes ao dia.
10 mg de lorcaserin uma vez ao dia.
Placebo.
Ecocardiogramas monitoraram as funções das válvulas cardíacas.

Os resultados mostraram que mais pacientes tratados com lorcaserin, duas vezes ao dia ou uma vez ao dia, perderam pelo menos 5% do seu peso corporal (47,2% e 40,2% respectivamente) comparados aos que usaram placebo (25%). Uma perda de peso de pelo menos 10% do peso corporal foi alcançada por 22,6% e 17,4% dos pacientes recebendo 10 mg de lorcaserin duas ou uma vez ao dia, respectivamente, e por 9,7% daqueles em uso de placebo. Cefaleia, náuseas e tonturas foram os principais efeitos colaterais. O U.S. Food and Drug Administration (FDA) definiu que as valvulopatias documentadas ao ecocardiograma ocorreram em 2% dos pacientes recebendo lorcaserin duas vezes ao dia e em 2% daqueles que receberam placebo.

O presente estudo mostra que o lorcaserin, administrado em conjunto com modificações no estilo de vida, está associado à perda de peso dose dependente.

Ainda não se sabe se o medicamento será aprovado para a comercialização.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nutrição na Gastrite

Em entrevista exclusiva fornecida ao Nutritotal, a nutricionista Iara Lewinski, nutricionista do Ganep, especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina e em Nutrição da Criança e do Adolescente pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, tira algumas dúvidas relacionadas com nutrição e gastrite.

1. Quais são as causas da gastrite?
Além da gastrite bacteriana (esta é a causa principal de gastrite?)não é a principal, pode deixar assim como esta, como uma das causas (é a causa mais estudada), causada pela infecção da bactéria Helicobacter pylori, outros motivos podem levar a irritação ou inflamação da mucosa gástrica, que passa a não suportar mais um elevado conteúdo ácido. São eles:

Estresse;
Substâncias irritantes (como medicamentos);
Drogas (como a cocaína);
Fumo;
Álcool;
Substâncias corrosivas (como produtos de limpeza);
Elevados níveis de radiação (na radioterapia, por exemplo);
Algumas doenças auto-imunes;
Algumas doenças digestivas, como doença de Crohn;
Certas espécies de vírus, parasitas e outras bactérias.

2. Existe uma dieta especial para os diferentes tipos de gastrites ou todos os alimentos têm o mesmo efeito em todos os casos?

De maneira geral, a dieta segue o mesmo padrão: o fracionamento de cinco a seis refeições diárias e devem ser evitados os alimentos irritantes e estimulantes de secreção gástrica.

Portanto, nas diferentes fases da doença a dieta recebe as mesmas orientações, mas com diferentes enfoques. . Por exemplo, na gastrite aguda, a dietoterapia consiste em recuperar a mucosa gástrica. Já na gastrite crônica, a dietoterapia consiste em evitar o avanço das lesões e proteger a mucosa gástrica.

Somente em casos de gastrites crônicas com hipersecreção, a dieta deve conter um pouco mais de gorduras, que provocam uma maior liberação de enterogastrona no intestino (hormônio que inibe o peristaltismo estomacal) e, consequentemente, reduz-se a secreção e o tônus do estômago.

3. Quais alimentos ajudam a controlar os sintomas da gastrite e quais alimentos acentuam o desconforto?

Estão separados em duas listas os alimentos que contribuem para controlar os sintomas da doença e outros que devem ser evitados, pois aumentariam o desconforto. Seguem abaixo:

Alimentos que contribuem para controlar os sintomas da gastrite:

Água, chá de frutas e ervas, suco de frutas diluído;
Frutas, gelatina, mingaus;
Leite (combinado a outro alimento) e iogurte desnatado ou light;
Queijos brancos;
Carnes brancas e magras (peixe, frango, perú);
Purês, batata, mandioquinha, suflês, vegetais cozidos;
Geleias, mel, margarina light em quantidade moderada;
Sopas de vegetais e carne.

Alimentos que devem ser evitados:

Condimentos (pimenta-do-reino e a vermelha);
Álcool;
Alimentos estimulantes, como café, chá mate, chá preto, chocolate;
Temperos industrializados, como caldo de carne, maionese, molho tártaro, Extrato ou molho de tomate, molho de soja (shoyo), molho inglês, molho de salada;
Refrigerantes;
Frutas ácidas e tomate;
Carne processadas: presunto, mortadela, copa, lombo, salsicha, linguiça, salame;
Alimentos gordurosos em geral;
Goma de mascar.

Todos estes alimentos são proibidos para não aumentarem a secreção gástrica. Se necessário, faz-se uma suplementação nutricional para evitar deficiências de micronutrientes e não prejudicar a cicatrização tecidual. De qualquer maneira, é importante testar os alimentos que causam desconforto gástrico e assim retirá-los da alimentação.

4. Recomenda-se evitar somente o consumo de frutas ácidas?

Sim. As únicas frutas que devem ser evitadas são aquelas mais ácidas (como laranja, limão, mexerica, entre outras) e frutas que não estejam maduras. É importante lembrar que cada organismo reage diferentemente aos alimentos, então não existe uma lista estabelecida de frutas a serem evitadas, e sim aquelas que causem desconforto ao paciente. Deve-se evitar também a ingestão de sucos ácidos concentrados (limão, laranja). O ideal é diluí-los.

O consumo de outras frutas é recomendado, pois são de fácil digestão, ricas em fibras alimentares, ajudam a manter a hidratação e fornecem vitaminas importantes para manutenção da saúde do indivíduo.

5. Quais dicas nutricionais são importantes para estes pacientes?

Paciente com gastrite está com a mucosa gástrica fragilizada, por isso deve-se poupá-la de maiores esforços. Assim, além da dieta específica, o paciente deve se alimentar em ambientes calmos e mastigar bem o alimento antes de engolir, para facilitar a digestão.

Refeições com grandes volumes de alimentos também vão exigir trabalho extra do sistema digestório. Por isso, recomenda-se uma alimentação fracionada, em que o paciente deve comer mais vezes no dia, em menores quantidades. Esta recomendação também visa diminuir o tempo de jejum, que acidificaria o meio estomacal, aumentando as crises de gastrite. A refeição à noite deve ser leve e de fácil digestão.

Os alimentos devem ser mais abrandados, ou seja, bem cozidos e ingeridos em temperatura morna para que proporcionem uma digestão mais facilitada e recuperação da mucosa gástrica.

6. Quais alimentos possuem propriedades nutricionais especiais que podem aliviar o desconforto da gastrite?

Ovo: Estudos descrevem a importância dos ovos como fonte de uma imunoglobulina específica, a “IgY”, capaz de reduzir a inflamação gástrica causada pela bactéria H. pylori.

Brócolis e broto de brócolis: estudos demonstraram que o Sulforaphane, substância abundante nos brócolis e broto de brócolis, inibe a infecção causada pela bactéria H. pylori, devido ao potencial efeito bactericida desta substância.

Cenoura: estudos relatam relação inversa entre concentração de beta-caroteno, substância presente na cenoura, e risco de gastrite. Ou seja, a ingestão frequente de cenoura pode ajudar a minimizar os riscos de desenvolvimento de gastrite.

Água de coco: esta bebida possui propriedades antioxidantes, além de conter proteínas, gorduras e minerais, como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Por isso, a água de coco além de ser excelente bebida hidratante, ainda protege o organismo contra a ação dos radicais livres. Estudo científico verificou diversas propriedades funcionais na associação de água de coco com caju, como prevenção do câncer, prevenção da Helicobacter pylori causadora da gastrite aguda e propriedades antioxidantes.

Iogurte: devido à fermentação, o iogurte tem fácil digestão (seis vezes mais digerível que o leite). A caseína, proteína do leite e derivados, é facilmente degradada em aminoácidos pelo suco gástrico e disponível para a absorção.


7. O que comer na hora da crise? Como obter esse alívio instantâneo?

Para alívio imediato o tratamento mais utilizado é o uso de antiácidos. O chá de espinheira-santa verdadeira, planta nativa da região do sul do Brasil, também é utilizada principalmente para o tratamento de gastrites e úlceras estomacais.
Após o alívio da dor, o paciente deve seguir com dieta específica para gastrite, conforme descrita anteriormente.

O leite não deve ser consumido nesse momento, pois produz uma sensação de alívio imediato, mas é acompanhado de um “efeito rebote” que aumenta a secreção gástrica.

Fonte: Nutritotal