quinta-feira, 12 de maio de 2011

Como Tratar e Evitar a Candida com a Alimentação?

Embora muitas pessoas não saibam, nosso corpo serve como habitat para uma série de microorganismos que convivem em harmonia, principalmente em nosso sistema digestório. Muitas situações como estresse, uso de medicamentos, quimioterápicos e doenças como diabetes podem fazer com que haja uma quebra deste equilíbrio, abrindo espaço para o supercrescimento de certos microorganismos, o que pode gerar doenças.

A cândida é um tipo de fungo que afeta mulheres e homens de todas as idades. Quando há um crescimento exagerado deste fungo no nosso corpo evidenciado por exemplo nas situações que levam à baixa imunidade (estresse, períodos de fadiga, de má alimentação, em portadores de doenças como câncer, após tratamentos desgastantes), o organismo experimenta um quadro de candidíase, que, embora de difícil diagnóstico merece tratamento e atenção.

Os sintomas da candidíase podem surgir em diversos sistemas do corpo. No sistema digestório, pode haver náuse, flatulência (gases), alergias alimentares e alterações do funcionamento intestinal como diarréia ou constipação (intestino preso). Na pele, certas alterações como acne podem estar relacionadas. As infecções vaginais freqüentes nas mulheres e as prostatites nos homens também podem ser causadas pela candidíase.

Embora o primeiro passo seja uma avaliação médica, alguns cuidados com a alimentação podem ser extremamente importantes para o controle da candidíase e tem como base a alimentação equilibrada, capaz de evitar carências nutricionais.

O controle alimentar deve ser personalizado, elaborado após criteriosa avaliação. A dieta deve oferecer nutrientes básicos para um excelente funcionamento imune como selênio, zinco, vitamina E, biotina. Alguns estudos têm demonstrado que o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares (doces, bolos, tortas, pães, balas, chocolates) pode estimular o crescimento do fungo. Além disto, excessos de bebida alcoólica e de cafeína são contra-indicados.

Outro ponto importante é o cuidado com o consumo de alimentos mais suscetíveis à contaminação por fungos como o amendoim (paçocas, doces de amendoim), milho, castanha de caju e o coco ralado. A atenção ao consumo de carnes também é importante já que os animal pode ter ingerido alimentos contaminados. Deve-se ainda eliminar a ingestão de queijos e pães com a presença de fungos, cogumelos e alimentos fermentados como a própria cerveja.

A substituição do leite comum pelo “extrato de soja (leite de soja)” também é uma alternativa já que a lactose, um açúcar encontrado nos laticínios pode “alimentar” o fungo.

O consumo de alimentos capazes de melhorar o sistema imune está totalmente indicada. Assim, além de evitar excessos de gorduras saturadas e trans, podemos fortalecer nossas defesas ingerindo lipídos “do bem” aumentando o consumo de azeite de oliva além de incluir o Ômega 3, presentes nos peixes (salmão, sardinha, atum) e na linhaça.

Os estudos feitos com alimentos funcionais (aqueles que além da função de nutrição, podem evitar doenças, amenizar sintomas e produzir reações benéficas à nossa saúde) também indicam que os probióticos devem ser usados no tratamento alimentar da candidíase. Os probióticos, encontrados no iogurte, nos leites fermentados ou até mesmo na forma de suplementos (cápsulas ou sachês) são bactérias benéficas capazes de melhorar nossa flora e assim o nosso sistema imune. Se utilizados juntamente aos prebióticos tem melhor ação. Estes últimos, encontrados também na forma de suplementos ou presentes em alimentos como a farinha da banana verde e na batata “Yacon”, são carboidratos não digeríveis que também melhoram nossa flora.

Os alimentos indicados para controle da candidíase não param por aí. Estudos também têm sido realizados com alimentos como cebola, alho (rico em alicina, uma substância antiinflamatória e antifúngica), óleo de coco e algas marinhas.

Todo o trabalho de orientação alimentar para a controle da candidíase deve ser conduzido por uma profissional, conciliando orientação dietética ao cuidado médico. O importante é que o portador da candidíase entenda as diversas opções que ele têm a disposição para amenizar o problema muitas vezes desagradável.


O QUE EVITAR OU NÃO COMER

  • Açúcar e doces em geral, mel, melado, karo, maple, malte;
  • Pão, biscoito, torta, pastelaria, torrada, bolo e qualquer outro produto que leve farinha ou fermento;
  • Melões, bananas, maçã, uvas, manga, abacaxi e a maioria das frutas doces e ácidas;
  • Sucos de frutas, especialmente de laranja, e todos os que vêm em caixinhas, porque elas criam fungos por dentro;
  • Frutas secas (ameixa, damasco, tâmara, uvas-passas, banana-passa etc, que além de açúcar (frutose) sempre têm muito fungo (há monílias que reagem muito mais a tâmaras do que a sorvetes cremosos ou bombons);
  • Nozes, castanhas e amêndoas em geral também têm muito fungo;
  • Amendoim, grande formador de cândida e possível portador de aflatoxina;
  • Vinagre de qualquer tipo
  • Bebidas alcoólicas
  • Leite, queijos, requeijão e creme de leite
  • Batata-inglesa, batata-doce, batata-baroa, inhame, cará, aipim;
  • Farinha de mandioca; milho verde; arroz branco, macarrão branco e outros alimentos ricos em amido, como cremogema, farinha de arroz, farinhas lácteas
  • Beterraba também não pode, por causa do açúcar
  • Produtos fermentados da soja - misso, shoyu, tempê, natô
  • Frituras, empanados, gordura em geral
  • Comidas que provoquem reações alérgicas em você, já que elas enfraquecem o sistema imunológico e assim abrem as portas para a cândida
  • Café e chá preto, porque contêm cafeína e afetam o equilíbrio do açúcar no sangue; além disso, as folhas do chá preto são fermentadas.


Autora: Mariana Braga Neves - coordenadora da Nutrício

Nenhum comentário: