sexta-feira, 6 de maio de 2011

Evidências do Efeito das Dietas Sobre a Expectativa de Vida

Vamos conhecer dois personagens que nos deixaram perplexos. Trata-se de Canto e Owen, dois macacos rhesus de 25 anos de idade e que mais parecem pai e filho. Canto, à esquerda, magro e com aparência saudável, foi submetido a uma restrição calórica conduzida pelo gerontólogo Richard Weindruch. Owen, à direita, gordo e envelhecido, sempre recebeu ração farta. Essa imagem pode revelar a expectativa do autor frente às possibilidades e benefícios de se comer pouco.
A restrição calórica sem desnutrição pode mesmo retardar o envelhecimento, pelo menos é o que mostram muitos estudos científicos, tanto em animais, quanto em humanos. Esse efeito parece ocorrer devido à redução do metabolismo basal e, consequentemente, da produção dos radicais livres. Além disso, essa intervenção nutricional pode levar a mudanças na demanda hormonal, principalmente de insulina, bem como interferências na função neuroendócrina e resposta ao stress. Isso pode parecer estranho, mas já temos marcadores laboratoriais e clínicos desses efeitos.
Em 2006, o primeiro estudo em humanos submetidos à restrição calórica durante 6 meses foi realizado no estado americano de Louisiana pelo Dr. Eric Ravussin e sua equipe. Eles encontraram dois marcadores de longevidade positivamente relacionados à intervenção nutricional de baixas calorias. Os pacientes foram submetidos à redução calórica de até 25% da deita. Nesse estudo, houve redução da temperatura basal e da insulina em jejum dos pacientes estudados, revelando uma interferência real da restrição dietética nos marcadores metabólicos conhecidos.
Esta teoria não preconiza atitudes extremas, não ensina a reduzir drasticamente calorias e nutrientes, não pretende deixar ninguém desnutrido. Até porque também é bom lembrar que os extremos de magreza também estão relacionados à maior incidência de doenças crônicas, ao câncer e ao aumento da mortalidade por essas causas. A teoria da menor ingestão de calorias tenta elucidar e explicar o porquê do envelhecimento. É um ponto de partida para começar a entender a vida e as possibilidades de preservá-la.
Comer pouco parece benéfico, enquanto comer muito, já não temos dúvida, é maléfico. O sobrepeso e a obesidade são problemas sérios e estão associados às alterações na insulina, nas gorduras do sangue, no aparecimento da aterosclerose e do câncer. As evidências de que a obesidade está relacionada com a aceleração do envelhecimento e a redução da expectativa de vida das pessoas já são certezas científicas.

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