sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dieta Inibe o Desenvolvimento e Progressão do Câncer

Estudo publicado na revista científica Cancer Research mostrou, com resultados pré-clínicos consistentes, a capacidade de uma dieta com baixo teor de carboidrato em evitar o ganho de peso, mas também inibir o desenvolvimento e progressão do câncer, em camundongos.

Os pesquisadores testaram a hipótese de que células cancerígenas dependem de mais glicose para o seu crescimento do que as células normais. Assim, o objetivo do estudo foi investigar os efeitos de uma dieta com baixo teor carboidratos e rica em proteínas sobre a taxa de crescimento de tumores.

Foram injetadas células de carcinoma colorretal nos camundongos e, em seguida, os animais foram divididos em diferentes grupos, recebendo as seguintes dietas:

Grupo dieta ocidental: contendo 55,2% de carboidratos (CHO, rico em sacarose), 23,2% de proteínas (ptna) e 21,6% de lipídios (lip);

Grupo 8% CHO: contendo 8% de CHO (rico em sacarose), 69,4% de ptna e 22,6% de lip;

Grupo 10% CHO: contendo 10,6% de CHO (rico em amilose), 63,5% de ptna e 25,9% de lip;

Grupo 15% CHO: contendo 15,6% de CHO (rico em amilose), 58,2% de ptna e 26,2% de lip.

Dentre os grupos estudados, os autores observaram que os tumores cresceram mais lentamente nos animais do grupo 10% CHO (p<0,05), devido à presença de CHO com alto teor de amilose. Os animais do grupo 8% CHO apresentaram menor crescimento tumoral em relação ao grupo dieta ocidental, mas não em relação ao grupo 10% CHO e 15% CHO, pois o seu conteúdo de carboidrato foi composto por sacarose e, interessantemente, apresentaram perda de peso acentuada.

Os pesquisadores verificaram que a dieta do grupo 15% CHO, composta principalmente por amilose (CHO complexo), reduziu a incidência de tumores em modelo animal que desenvolveu câncer de mama espontâneo. Isso mostra que a dieta com baixo teor de carboidrato inibe tanto a proliferação do câncer quanto o processo de iniciação da carcinogênese.

“Mostramos com o nosso estudo que a dieta com baixa ingestão de carboidratos simples e rica em proteínas retarda o crescimento e reduz a incidência de tumores, bem como melhora a resposta a terapias existentes, sem levar à desnutrição ou insuficiência renal”, destacam os autores.

“Concluímos que essa abordagem dietética tem benefícios potenciais na redução da incidência e tratamento do câncer. Há necessidade, portanto, de uma investigação mais aprofundada de sua aplicabilidade na clínica, especialmente em combinação com terapias existentes”, concluem.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

sábado, 23 de julho de 2011

"O Veneno Está na Mesa"

"O Veneno está na mesa"
lançamento do documentário de Silvio Tendler.

O Comitê do RJ da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida convida para o lançamento do mais novo documentário de Silvio Tendler: “O veneno está na mesa”. O filme mostra o perigo a que se está exposto por conta do emprego de agrotóxicos na agricultura e como este modelo beneficia as grandes transnacionais do veneno em detrimento da saúde da população.

A exibição será no dia 25 de julho segunda-feira às 20h no Teatro Casa Grande. Depois da exibição do filme (50 min.) haverá debate com a participação do autor e de Letícia Rodrigues da Silva, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A mediação será feita pela agrônoma Nívia Reginado MST-Via Campesinae integrante da coordenação nacional da Campanha.

Sinopse

O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública. O perigo é tanto para os trabalhadores que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos que consomem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente por conta de um modelo agrário perverso baseado no agronegócio.

A entrada é franca!

Esse evento faz parte das comemorações dos 45 anos do histórico Teatro Casa Grande que terá a cada mês sempre às 20huma palestra sobre temas do Brasil e de nossa inserção no mundo.

Não é necessário inscrição prévia: é só chegar antes da hora do início e aproveitar para visitar no local a pequena livraria da Editora Expressão Popular (www.expressaopopular.com.br).

Estacionamento PAGO no Shopping Leblon.
O Teatro Oi Casa Grande fica na Rua Afrânio de Melo Franco 290 Leblon.

Organização
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida – RJ

sábado, 16 de julho de 2011

Há Benefícios da Dieta Mediterrânea em Doenças Crônicas?

Sim. Pesquisadores têm publicado metanálises mostrando que os benefícios da dieta mediterrânea estão associados com uma melhora significativa no estado de saúde geral, redução significativa na mortalidade total, mortalidade por doenças cardiovasculares, incidência ou mortalidade por câncer, além da diminuição na incidência de doenças neurológicas, como doença de Parkinson e Alzheimer.

Um das metanálises mais importantes, publicada por Sofi et al (2008) na revista científica British Medical Journal, avaliou mais de 1.500.000 indivíduos saudáveis, por meio da análise cumulativa de 12 estudos de coorte. O estudo revelou que o aumento de dois pontos no escore de adesão da dieta mediterrânea reduziu em 9% a mortalidade geral, com redução de 9% na mortalidade por doenças cardiovasculares, redução de 6% na incidência de mortalidade por câncer e uma redução de 13% na incidência da doença de Parkinson e Alzheimer.

Em 2010, este mesmo grupo de pesquisadores publicou na revista The American Journal of Clinical Nutrition uma metanálise atualizada com 18 estudos prospectivos, em que investigaram novamente a associação entre a adesão à dieta mediterrânea e incidência/mortalidade por doenças. Os resultados foram obtidos a partir de mais de 2 milhões de indivíduos, verificando que o aumento de 2 pontos na aderência à dieta mediterrânea determinou uma redução significativa de 10% de morte e/ou incidência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, redução de 6% da morte e/ou incidência de câncer e uma redução de 13% na incidência de doenças neurodegenerativas. Com isso, os pesquisadores confirmaram os resultados publicados no estudo anterior, sugerindo uma proteção significativa contra as principais doenças crônico-degenerativas em indivíduos que relataram maior adesão à dieta mediterrânea.

A dieta mediterrânea tem sido amplamente relacionada como um modelo de alimentação saudável que contribui para um estado de saúde favorável e melhor qualidade de vida. Trata-se de um conjunto de hábitos alimentares, tradicionalmente conhecido por ser rico em frutas, verduras, legumes e cereais; azeite de oliva como uma das principais fontes de lipídios; consumo moderado de vinho tinto durante as refeições; consumo preferencial de peixes e baixo consumo de carne vermelha.

Os resultados desses estudos com a dieta mediterrânea parecem ser clinicamente relevantes para a saúde pública, em especial para incentivar esse padrão alimentar para a prevenção primária das principais doenças crônicas.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

Dieta Mediterrânea Acrescida de Antioxidante Reforça Proteção Contra Dano Oxidativo

Pesquisa publicada na revista AGE da American Aging Association mostrou que a dieta mediterrânea associada à suplementação de coenzima Q10 (um antioxidante) diminui os danos oxidativos ao DNA e reduz os processos de oxidação celular em indivíduos idosos. Os pesquisadores sugerem que este achado possa ser um ponto de partida para a prevenção de processos oxidativos associados ao envelhecimento.

Os pesquisadores avaliaram a extensão dos danos ao DNA, bem como os níveis de expressão de genes e proteínas relacionadas com reparo de danos ao DNA, como a proteína p53.

A Coenzima Q10 é um antioxidante que reduz o estresse oxidativo, e tem papel fundamental na bioenergética mitocondrial. "Assim, nossos resultados demonstram pela primeira vez que o consumo da dieta med + CoQ diminui os danos ao DNA induzida pela dieta em indivíduos idosos. A dieta mediterrânea por si só teve um efeito intermediário na redução dos danos, mesmo assim, ela produz menos danos do que a dieta AGS", destacam os pesquisadores.

"Nossos dados apoiam a ideia de que o consumo da dieta mediterrânica protege o DNA dos danos oxidativos e que essa proteção é reforçada pela suplementação com CoQ. Por outro lado, o consumo de dieta rica em gordura saturada induz o aumento do estresse oxidativo. Este modelo pode fornecer fundamentos para terapia adequada de doenças associadas ao aumento do estresse oxidativo, como doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e o próprio processo de envelhecimento", concluem.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dieta Pode Levar a Obesidade

Já comentei sobre um BLOG que acompanho, Livre da Obesidade (clique aqui), e hoje recebi um artigo que gostaria de compartilhar com os que acompanham este BLOG.

Existe uma frase que ouvi de uma profissional da área de saúde que é a bem realista em se tratando da Obesidade:

“Dieta é contraproducente e leva a Obesidade”
É muito importante pensarmos nessa questão, pois compramos várias idéias, várias receitas e não paramos para avaliar que com tudo o que se fala do assunto, a obesidade continua crescendo.
Dietas… a todo momento surge uma nova, uma nova promessa, uma nova expectativa de que agora vai… Vai sim, novamente vamos nos enganar que desta vez vai dar certo, e vamos lá, deixar de comer isso, ou só comer aquilo e eu lhes pergunto:
Comer é para vida toda e você vai comer só isso ou fazer dieta o resto da vida ?
Nesse momento ao pararmos para pensar, veremos que isso não é possível, que queremos ter uma boa relação com a comida e, sobretudo com nós mesmas.
Temos que aprender a viver na sociedade, com as festas de família, com as festas de crianças, com a páscoa, natal, enfim, viver com a comida de forma tranqüila e não viver em função dela.
Ouço o tempo todo pessoas que dizem querem emagrecer, que fazem Reeducação Alimentar, quando na verdade fazem é privação de alimentos que são importantes para o bom funcionamento de nosso corpo e conseqüentemente para a saúde.
Será que não é momento de repensar nossos comportamentos? Nossos valores? Podemos encurtar esse processo doloroso que é o emagrecimento, ao nos permitirmos sermos orientados por profissionais qualificados, e tratar de forma conjunta os aspectos envolvidos nesse processo sofrido que é a perda de peso.
Não existe nenhuma fórmula mágica que vai tirar a gordura de nosso corpo, a não ser pela reeducação alimentar, reeducação afetiva e exercícios físicos.
Emagrecer de forma gradativa e saudável é a melhor idéia que se pode comprar.

Auotra: Luciana Kotaka (Psicóloga Clínica)

Pesquisa Mostra Diferença entre o Cérebro de Obesos e de Pessoas Magras

A obesidade é uma doença multifatorial – envolvendo aspectos psicológicos, genéticos e clínicos diversos – e disso todos já sabem. E um estudo brasileiro inédito acaba de achar mais uma pista que pode ajudar no combate a essa condição que leva a diversos outros problemas de saúde, impactando o indivíduo, sua família e a sociedade. De acordo com os pesquisadores, o cérebro de pessoas obesas parece ter traços de inflamação e isso faz que órgão responda de forma diferente às informações sobre a gordura corporal, gasto calórico e ingestão alimentar.

A pesquisa feita por Simone van de Sande-Lee, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e publicada no periódico Diabetes, partiu da observação da atividade cerebral de um grupo de indivíduos obesos. Esse grupo, mais tarde, participou de cirurgias de redução de estômago, o que serviu de dado comparativo. Além disso, indivíduos que não estavam em risco para obesidade também participaram, como grupo controle, da pesquisa.

“A coleta de dados durou aproximadamente um ano. Por meio de exames de ressonância magnética funcional – ou RMf – pudemos medir a atividade cerebral dos grupos de pessoas que participaram do estudo. E o que observamos foi que o hipotálamo de pessoas que estavam obesas tinha um menor nível de atividade. Essa estrutura do cérebro é responsável pelo controle do peso corporal, regulando fome e gasto calórico”, explica Sande-Lee.

Após a cirurgia de redução de estômago, os mesmos indivíduos que estavam obesos no início da pesquisa voltaram ao laboratório. E um efeito já conhecido pelos pesquisadores, mas somente observado anteriormente em modelos animais, foi comprovado em humanos.

Após perda de peso o organismo passa a combater a inflamação no cérebro

“Já sabíamos que o cérebro de indivíduos obesos parece sofrer um tipo de inflamação. Isso já havia sido comprovado em pesquisas com modelos animais. E essa hipótese foi corroborada em humanos a partir da nossa coleta de dados, observando o nível de substâncias anti-inflamatórias encontradas nesses indivíduos após a perda de peso. Ou seja, após iniciarem um processo de emagrecimento – o que inclui mudança de hábitos alimentares também – o corpo pareceu combater a inflamação”, diz a pesquisadora.

Essa inflamação no cérebro dos indivíduos obesos é um dos principais fatores para que o processo de obesidade se instale. Normalmente a gordura corporal é monitorada pelo cérebro por meio da medição do nível de uma substância chamada leptina. Quando há excesso dessa substância, o hipotálamo controla a ingestão calórica, ficando mais sensível à saciedade, por exemplo. Mas quando há um processo inflamatório cerebral, o hipotálamo tem dificuldades de fazer essa relação entre ingestão calórica e saciedade.

Como foi observado no próprio estudo de Sande-Lee, pessoas obesas que ingeriam alimentos altamente calóricos – ricos em glicose, por exemplo – tinham fome mais rapidamente do que indivíduos magros. E os pacientes que haviam perdido muito peso após as cirurgias bariátricas se mostraram em um nível intermediário de sensação de saciedade, ou seja, em processo de recuperação dessa sensibilidade.

Boa notícia também para os pacientes diabéticos

De acordo com Lício Augusto Velloso, supervisor do estudo feito por Sande-Lee – junto com Fernando Cendes e Li Li Min –, dados de pesquisas anteriores demonstram que a principal causa de diabetes no mundo é a obesidade. Cerca de 80% das pessoas que têm diabetes tipo 2 desenvolvem a doença em decorrência da obesidade.

“Sabemos que o hipotálamo também tem um papel central no metabolismo de glicose. Um dos próximos passos seria observar, por exemplo, se há diferenças no padrão de funcionamento do hipotálamo entre pacientes obesos diabéticos e pacientes obesos não diabéticos”, indicam os pesquisadores.

Autor: Enio Rodrigo
Fonte: UOL

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Brasileiros Têm Baixa Ingestão de Antioxidantes

Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) publicaram na revista Nutrition Journal um estudo que mostrou baixa ingestão de alimentos ricos em antioxidantes por brasileiros.

O objetivo do estudo foi avaliar o perfil de consumo dos principais antioxidantes da dieta em uma amostra representativa da população adulta brasileira e discutir as principais consequências da baixa ingestão desses micronutrientes na saúde.

Foram avaliados 2.344 indivíduos com mais de 40 anos de idade, moradores de áreas rurais e urbanas de 150 cidades do país. Os indivíduos de todas as classes sócio-econômicas, graus de escolaridade, cor da pele e ocupação foram incluídos, com o objetivo de manter a representatividade da população brasileira. As informações sobre o consumo de alimentos foram obtidas por recordatório de 24 horas durante sete dias na semana, sendo as análises feitas com ênfase na ingestão de vitaminas A, C e E, selênio e zinco.

Houve baixo consumo em relação aos valores recomendados pelas Dietary Reference Intakes (DRIs) de vitamina E em 99,7% dos indivíduos avaliados, vitamina A em 92,4% e vitamina C em 85,1%. Os pesquisadores observaram variações de ingestão entre as diferentes regiões, o que pode refletir nos hábitos culturais.

“Os resultados do presente estudo demonstram que a média do consumo de vitamina A e E foi inferior aos valores de referência, independentemente do sexo, idade, cor da pele, situação econômica, estado nutricional e região do país”, ressaltam os pesquisadores.

“Estes resultados devem levar ao desenvolvimento de políticas públicas que incentivem estratégias educacionais para melhorar a ingestão de micronutrientes, que são essenciais para a saúde e prevenção de doenças crônicas”, concluem.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

terça-feira, 5 de julho de 2011

FCF Desenvolve Barra de Cereal com Sorvete e Características Prebióticas e Probioticas

O Laboratório de Tecnologia de Alimentos, do Departamento de Tecnologia Bioquímica-Farmacêutica (FBT) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, desenvolveu um produto alimentício inédito. Trata-se de barra de cereal com sorvete probiótico e prebiótico.
A sobremesa gelada foi desenvolvida pela farmacêutica-bioquímica Juliana B. Harami, durante o seu mestrado, concluído em março de 2009. Esse produto teve sua patente requerida pela Agência USP de Inovação da USP, em co-autoria com a Fapesp.
O produto é composto de duas camadas, uma à base de leite que contém micro-organismos probióticos e fibra prebiótica inulina e outra à base de cereais. Essa combinação da barra de cereal com sorvete faz com que o produto seja considerado um alimento funcional, pois além dos nutrientes tradicionais, contém aditivos capazes de promover benefícios à saúde. O produto é isento de gordura trans e possui baixo teor calórico.
Segundo a professora Susana Marta Isay Saad, do FBT, responsável pelo FCF desenvolve alimento inédito projeto, no sorvete são adicionadas as bactérias Lactobacillus acidophilus e Bifidobacterium, com comprovada ação probiótica. “Não existe nenhum produto alimentício similar no mercado brasileiro. As bactérias probióticas melhoram o equilíbrio dos micro-organismos intestinais, porque competem com as bactérias patogênicas, ocupando o acesso que elas teriam para se aproximar do epitélio intestinal, entre outros mecanismos”, explica a professora.
Os alimentos probióticos e prebióticos podem, também, aumentar o valor nutritivo e terapêutico dos alimentos, porque permitem que o organismo absorva melhor determinados nutrientes, como o cálcio, o magnésio e o ferro. Eles também são capazes de fortalecer o sistema imune, aumentando, entre outros, os níveis de anticorpos.

Fonte: Faculdade de Ciências Farmaceuticas da USP. Ano 3 N°9/ Fevereiro de 2010.

História da Sopa

Sopa é um alimento líquido ou pastoso, umas vezes feita somente de pão e água, outras com cereais e, ainda, hortaliças e carne de diversos tipos. Presente na alimentação humana desde que o homem pré-histórico encontrou um meio de aquecer a água para cozer alimentos - a sopa foi, provavelmente, a primeira comida elaborada e criativa da História, já que resulta da mistura de ingredientes e estes são praticamente infindáveis. Afinal, diz a lenda, que, havendo água, até de pedra se pode fazer uma sopa.

Com toda a sua simplicidade e rusticidade, a sopa nasceu quando o homem se deu conta que as carnes duras que caçava se amaciavam e adquiriam melhor sabor se cozidas com água e ervas. Quando ele bebeu desse caldo e se agradou dele, a sopa se incorporou à civilização para nunca mais sair. Recipientes de todas as espécies, do estômago de animais à sopeiras de ouro, testemunharam ao longo dos tempos o hábito ininterrupto, de todos os povos, de preparar e tomar sopas. Por ser um prato fácil e acessível, de considerável valor nutritivo e energético, os caldos e as sopas foram a base da nutrição de, praticamente, todas as civilizações.

A Bíblia nos conta que os hebreus, no Egito, preparavam suculentos caldos e, referindo-se a Gedeon, nos diz; "matou um cordeiro, pôs sua carne em uma panela e fez caldo". Na Grécia, a sopa fazia sucesso. Em Atenas, a de lentilhas, em Esparta, o famoso "Caldo Negro" feito com sangue de alguns animais misturado com vinagre e especiarias (parece estranho, alguns autores dizem que era intragável, mas o frango ao molho pardo, aquele das Minas Gerais, também tem essa base). Na China, os camponeses se reconfortavam com sopas de arroz e favas. Roma teve uma grande tradição "sopeira". Desde os seus primórdios os pastores tinham como prato principal e cotidiano uma sopa de farro (um grão típico da Itália, muito antigo, semelhante ao trigo mas de consistência mais dura) e grão de bico, que se acompanhava com outros produtos de época como verduras, legumes, frutas e queijos. A decadência de Roma coincide com o auge das sopas, que chegou a transformar-se num alimento de luxo.

Após a queda do Império Romano, a sopa sobreviveu ao Império Bizantino, cujo povo se regalava com sopas de peixes com legumes, muito nutritivas e açucaradas com mel em abundância.


Apogeu na Idade Média
No século 12, sopa designa um pedaço de pão sobre o qual se verte caldo fervente de carnes, legumes ou vinho, diretamente em travessas fundas de madeira, barro cozido ou estanho. Uma crônica da época, conta que os priores e abades foram os primeiros adeptos da iguaria, fazendo servir de 5 a 6 sopas distintas diariamente, além de ser o tema um assunto de animadas conversas e discussões

Durante a Idade Média, as sopas, de fato, ganham notoriedade, não só nas abadias e mosteiros. A medicina reconhece suas virtudes terapêuticas e passa a prescrevê-la como remédio, sendo o caldo de galinha o mais cotado, antes de qualquer outra.

Na mesa do pobre, ela era, de longe, o alimento complementar mais importante. De ovos, favas, abóbora, alcachofra, alho-porro, ervilha, couve, rabanete e outras hortaliças, em geral selvagens, era ela que, de manhã e de noite, ajudava a engolir o pão duro e escuro dos camponeses, este, o principal elemento da alimentação popular. O caldo dessa sopa era, quase sempre, temperado com cebolas e dentes de alho e aromatizado com diversas ervas; sempre que possível, um pdaço de carne, em geral de porco, salgado, temperado com gordura, manteiga ou óleo.

Foi, ainda, a essa altura, que as sopas começaram a aparecer no repertório culinário da nobreza européia, mas, diferentemente da sopa dos pobres, os caldos eram fartos em carnes e condimentados com muitas especiarias. Eram comuns as sopas agridoces, nas quais usava-se mel e, mais tarde, açúcar. Também era costume colorir as sopas: açafrão para ficarem amarelas, leite de amêndoas para ficarem brancas.

Tempos Modernos
De arquétipo das virtudes campesinas e posterior emblema da calma felicidade burguesa, a sopa adentra a era moderna sofisticando-se. A partir do século 16, as cozinhas italiana e francesa deram o seu "toque de classe" à arte de prepará-las. A primeira introduziu a novidade das massas e ervas aromáticas como o tomilho, os orégãos e a manjerona. Na França, os cozinheiros davam o seu melhor: crèmes, bouillons, veloutés, consommés..., batizando as suas invenções com nomes de reis.

No século 17, Louis 13, rei da França, saboreava, diariamente, dois grandes pratos de sopa. Entusiasmado com os legumes, mandou que se plantassem no Palácio de Versailles os mais delicados e deliciosos legumes e estes passaram a entrar nas inúmeras "potage de plaisirs" (sopa de prazeres) que se tornaram a última moda entre a aristocracia francesa. Isto estimulou os cozinheiros da época, entre eles, Françoise de la Varenne (1615-1678), que, sozinho, criou mais de 300 receitas diferentes.

Nas mãos dos mais célebres chefs franceses, as receitas reais se enriquecem e, no século 19, por toda a Europa, as sopas passam a abrir o menu dos jantares das boas mesas. Uma mesma refeição pode comportar de duas a cinco sopas diferentes: "A la Conti, A la Saint-Cloud, A la Dauphine, A la Pluche…". Nesta época, o grande chef de cozinha Antoine Carême, atualizou as velhas fórmulas e legou à posteridade as bases das receitas que ainda hoje se servem nos restaurantes mais afamados do mundo inteiro.

Mais sofisticadas, com consistência mais leve, as sopas servidas como entrada têm por papel abrir o apetite a fim de fazer honra à abundância das refeições onde se sucedem, às vezes, mais de dez pratos. Paralelamente, a sopa guarda seu status de prato único e substancioso junto às famílias pobres, sobretudo dos camponeses.

A Sopa Tecnológica
O século 20 assistirá à evolução dos modos de alimentação, inseparáveis das transformações dos modos de vida humanos, mas a sopa continuou tendo relevante papel na dieta universal. Com a tecnologia, vieram as sopas prontas, em lata, desidratadas, congeladas, dos mais variados sabores, pra todos os gostos e bolsos. Algumas são realmente muito gostosas e, todas, inegavelmente práticas. Entretanto, numa noite de frio, quem resiste a uma sopinha caseira, feita com ingredientes naturais fresquinhos, impregnando a casa com seu perfume e fumegando na sopeira?

Sopas mais famosas do mundo
Alguns pratos são como o cartão de visita de um povo, porque fazem parte da sua cultura gastronômica e da sua História. Isso acontece de uma maneira muito especial com as sopas, que, em boa parte do mundo, são, tradicionalmente, o primeiro prato da refeição principal do dia. Veja algumas delas:

  • Do Brasil: Bambá de Couve (farinha de milho e couve), Caldo de Mocotó, Caldo de Feijão;
  • De Portugal: a Canja (que, segundo alguns especialistas, terá vindo da Índia) e o Caldo Verde;
  • Da Espanha: o Gazpacho (com tomate, pepino, alho, pão e azeite, servida fria).
  • Da França: a Soupe à l'Oignon (a base de cebola) e a Bouillabaisse (a base de legumes com frutos do mar frescos), Bisque (cremosa, a base de frutos do mar);
  • Da Inglaterra: a Oxtail (sopa de rabo de boi);
  • Da Itália: o Minestrone (com feijão, massas e legumes,comumente feita com lingüiça);
  • Da China: a Sopa de Ninhos de Andorinha, Won Ton (caldo com bolinhos recheados de hortaliças e carne);
  • Do Japão: Missoshiro (caldo de peixe com missô)
  • Do Vietnã: Canh Chua (caldo aromatizado com hortelã e tamarindo com pedaços de peixe);
  • Da Tailândia: Tom Kha Gai (de leite de coco com frango, muito coentro e outros aromas);.
  • Da Rússia: o Bortsch (de beterraba frescas, servida quente ou fria);
  • Do México: Posole (com carne de porco ou frango, caldo e canjica);
  • Dos Estados Unidos: Vichyssoise (de batata e alho porro, servida fria); Clam Chowder (creme encorpado, quase em mingau a base de moluscos, batatas e leite)
  • De Cuba: Sopa de Frijoles com Calabaza, (de feijões com abóbora);
  • Do Haiti: Consommé a l'Orange (de caldo de frango, suco de laranja e cravo da índia)
  • Do Egito: Melokhia (a base de uma erva egípcia que dá nome à sopa e carne de cordeiro ou frango);
  • De Israel: Pumpkin Soup (de abóbora e caldo de frango).
Seguem agora duas receitas para quem gosta e quer se aquecer com uma sopa nestas noites frias de inverno que tomam o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

Sopa de Cebola Gratinada
  • 50 g de manteiga
  • 1 kg de cebolas cortadas em rodelas finas
  • 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 1 litro de caldo de frango (ou caldo de carne)
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Noz-moscada
  • Fatias grossas de pão fresco (de casca grossa)
  • Queijo gruyère ralado grosso (pode ser mozarela, prato ou ementhal).

MODO DE FAZER
Em uma panela grande, aqueça a manteiga, acrescente as cebolas e deixe dourar em fogo baixo;
Acrescente a farinha e deixe mais 1 minuto, mexendo para incorporar;
Adicione o caldo, a noz-moscada, o sal e a pimenta;
Deixe cozinhar em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos;
Grelhe levemente as fatias de pão (ou tostex no forno);
Quando a sopa estiver pronta, distribua em tigelas refratárias individuais, cubra com uma fatia de pão e salpique com bastante queijo;
Leve ao forno bem quente apenas para gratinar.

Sopa de Mandioca com Liguiça Toscana
  • 500g de Lingüiça Toscana
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de cebola picada
  • 1 dente de alho amassado
  • 2 tomates sem pele e sem sementes, picados
  • 2 colheres de sopa de cebolinha verde picada
  • 1 colher de sobremesa alecrim fresco, picado
  • 1 kg de mandioca descascada e picada
  • 1½ litro de caldo de carne caseiro
MODO DE FAZER
Remova a pele da Lingüiça e desmanche os gomos.
Em uma panela, aqueça a manteiga e junte a lingüiça, a cebola, o alho, os tomates, a cebolinha verde e o alecrim. Deixe refogar e reserve.
À parte, em fogo baixo, cozinhe a mandioca no caldo de carne.
Quando a mandioca estiver bem macia, retire do fogo e remova o fio central. Leve ao liquidificador e bata até obter um creme liso.
Junte esse creme de mandioca ao refogado de Lingüiça reservado e leve ao fogo para reaquecer. Sirva a seguir.

Alimentos Contaminados no Processamento

Agência FAPESP – Os resíduos e contaminantes químicos orgânicos e inorgânicos capazes de apresentar riscos para a saúde humana estiveram em destaque no 10º Simpósio Internacional Abrapa de Inocuidade de Alimentos, realizado nos dias 20 e 21 de junho, em São Paulo, pela Associação Brasileira para a Proteção dos Alimentos (Abrapa).

O evento, realizado no Conselho Regional de Química, teve como objetivo ressaltar os aspectos atuais da segurança química e microbiológica da alimentação humana em todo o mundo, com destaque para o Brasil. Para isso, representantes de órgãos como o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura apresentaram resultados de estudos e de iniciativas na área.

Adriana Pavesi Arisseto, pesquisadora do Ital, ressaltou que, ao mesmo tempo em que certos procedimentos são adotados para melhorar a qualidade e a variedade de alimentos a serem consumidos pelos brasileiros, eles também podem oferecer riscos para a saúde humana, dependendo de como são empregados.

Uma dessas práticas é o processamento de alimentos. “Certamente é um processo sem o qual não conseguimos viver, mas traz também desvantagens”, disse.

Durante sua exposição, Arisseto assinalou aspectos positivos do processamento, entre os quais a segurança alimentar, a eliminação de bactérias patogênicas, toxinas e enzimas, o aumento na quantidade de nutrientes e a oferta de alimentos mais convenientes e diversificados.

“No entanto, certos processos podem gerar para os produtos finais certas desvantagens. Um deles é a perda de nutrientes, como as vitaminas, e de qualidade sensorial, além da eventual formação de substâncias tóxicas”, disse.

A pesquisadora explicou que tais substâncias tóxicas não estão presentes na matéria-prima. Sua formação depende do processo aplicado no alimento ou, então, das reações químicas ocorridas entre os próprios compostos – que podem estar presentes nos alimentos ou são adicionados no processamento.

“Esses compostos são preocupantes por duas razões. A primeira se deve ao fato de que a sua presença é impossível de ser evitada. E a segunda é o potencial tóxico que apresentam. A maioria é carcinogênica, associada a fatores tóxicos como, por exemplo, neurotoxicidade, citoxicidade, entre outros efeitos adversos”, alertou.

A maioria dessas substâncias tóxicas é formada durante o tratamento térmico do alimento. Um exemplo está no churrasco: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) – formados quando a gordura da carne respinga no carvão por conta do calor – juntam-se à fumaça e aderem à carne. Estudos indicaram que a ingestão elevada de HPAs pode representar riscos à saúde, como o desenvolvimento de câncer.

Entre os produtos críticos citados por Arisseto, a maioria envolve óleos – por conta da fritura –, cloreto de sódio e gordura saturada. Atualmente, Arisseto faz pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) com bolsa da FAPESP, dedicando-se a estudos sobre ocorrência de furano em alimentos. O furano é uma substância contaminante que pode causar câncer e foi identificada pela primeira vez em 1968, no café.

De acordo com ela, a preocupação mundial com o tema ressurgiu a partir de um estudo da Administração Americana de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), que revelou a presença de furano em diversos alimentos processados em embalagens fechadas, como alimentos em conserva e alimentos infantis.

“A formação do furano é um pouco complexa e ainda não está completamente elucidada. Os dados indicam que ele pode se formar a partir da reação de Maillard – uma reação química entre um aminoácido ou proteína e um carboidrato reduzido – e que os potenciais precursores são os açúcares, o ácido ascórbico e os ácidos graxos poliinsaturados”, disse a pesquisadora.

Embora sejam realizados estudos sobre os contaminantes, Arisseto ressaltou que o mecanismo exato de formação da maioria das substâncias ainda é incerto e alertou para o surgimento de outras.

“Existe hoje um esforço muito grande de se realizar estudos epidemiológicos e toxicológicos, mas é muito difícil saber quais são os verdadeiros riscos envolvidos na presença dessas substâncias nos alimentos. E já que é impossível evitar que sejam formadas, acredito que seja importante desenvolver estratégias para diminuir sua formação e, dessa forma, diminuirmos também a ingestão dessas substâncias e o risco para a saúde humana”, disse.

Autora: Monica Pileggi
Fonte: FAPESP

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Síndrome do Intestino Irritável - SII

O que é?

A síndrome do intestino irritável é um distúrbio intestinal funcional comum caracterizada por desconforto abdominal recorrente e função intestinal anormal. O desconforto freqüentemente se inicia após a alimentação e desaparece após a evacuação. Os sintomas podem incluir cólicas, náuseas, distensão abdominal, gases, constipação, diarréia e uma sensação de evacuação incompleta. Pode estar associado a graus variados de depressão ou ansiedade.

Estudos demonstram que cerca de 20% das pessoas apresentam a síndrome em algum momento de sua vida, predominando entre as mulheres, principalmente jovens.

Já foi conhecida como indigestão, diarréia nervosa, colite espástica, colite nervosa e neurose intestinal. Não existem anormalidades estruturais como infecção ou úlceras, por isso é chamada de funcional, e não evolui para qualquer tipo de doença orgânica ao longo da vida.

O que causa a síndrome do intestino irritável?

A causa da síndrome do Intestino Irritável (SII) não é bem conhecida e, portanto, não se sabe como, a partir de um certo momento, uma pessoa passa a apresentar os sintomas.

Acredita-se que alterações nos movimentos que propagam o alimento desde a boca até o ânus (motilidade intestinal) e nos estímulos elétricos, responsáveis por esse movimento intestinal, estejam envolvidos.

Já se observou, também, que indivíduos com síndrome do Intestino Irritável, têm um limiar menor para dor proveniente da distensão intestinal, ou seja, menores volumes de gás ou fezes dentro do intestino são capazes de gerar uma sensação, interpretada como dor, enquanto que indivíduos sem a síndrome provavelmente não seriam perturbados por estímulos semelhantes.

A participação de um componente hormonal é sugerida pela piora dos sintomas em mulheres durante a menstruação.

Alterações psicológicas como depressão e ansiedade são mais freqüentes em pessoas com síndrome do intestino irritável que procuram atendimento médico. É possível que essas pessoas percebam e reajam de maneira mais intensa a estímulos menores. O estresse não causa a síndrome do intestino irritável, mas pode desencadear os sintomas.

Sintomas

Períodos sintomáticos podem se alternar com períodos assintomáticos de até vários anos, mas que, por fim, tendem a recorrer.

A dor geralmente é do tipo cólica, intermitente e mais localizada na porção inferior do abdome. Costuma aliviar com a evacuação e piorar com estresse ou nas primeiras horas após as refeições e, dificilmente, faz com que o paciente acorde à noite.

Os indivíduos com síndrome do intestino irritável com predomínio de diarréia apresentam mais de três evacuações/dia, fezes líquidas e/ou pastosas e necessidade urgente de defecar. As evacuações não costumam ocorrer à noite, durante o sono, ao contrário das diarréias de causa orgânica. Não há sangue nas fezes (com exceção dos casos de fissura ou hemorróidas), mas pode haver muco.

Já os com predomínio de constipação (intestino preso) evacuam menos de três vezes/semana, as fezes são duras e fragmentadas (fezes em "cíbalos" ou "caprinas"), e realizam esforço excessivo para evacuar (evacuações laboriosas). A constipação pode durar dias ou semanas e obrigar o paciente a fazer uso de laxantes em quantidades cada vez maiores, o que a agrava ainda mais a doença. Dor abdominal acompanha a gravidade da constipação e tende a aliviar com eliminação de fezes, porém é freqüente a queixa de uma sensação de evacuação incompleta, o que obriga o paciente a tentar evacuar repetidas vezes.

A maioria das pessoas com SII comenta sobre distensão abdominal, eructações e flatulência freqüentes e abundantes. São sintomas inespecíficos e são atribuídos ao excesso de gás intestinal. Entretanto, estudos quantitativos do volume gasoso intestinal em pacientes com SII revelam que a maior parte deles tem volumes normais de gás. Porém, mínimas distensões intestinais provocadas geram esses sintomas, sugerindo uma diminuição (congênita ou adquirida) do limiar de tolerância à distensão.

Queimação, náuseas, vômitos são relatados por até 50% das pessoas com síndrome do intestino irritável.

Diagnóstico

Deve-se sempre procurar atendimento médico e a grande preocupação do médico diante de um paciente com suspeita de SII deve ser afastar a patologia orgânica. Naturalmente, a necessidade ou a quantidade de exames complementares a ser solicitado dependerá da experiência do médico e de fatores ligados ao paciente (p. ex., intensidade e característica dos sintomas, idade, comprometimento do estado geral etc.).

Início dos sintomas após a 4ª década de vida, sintomas com curso progressivo e aparecimento de novos sintomas com o passar do tempo, dor que acorda o paciente, sangramento vivo retal, excluindo-se patologia orificial (ex., hemorróidas) e emagrecimento falam contra a síndrome do intestino irritável e pacientes apresentando esses sintomas devem ser investigados com maior atenção.

Tratamento

O conhecimento de que se trata de uma doença de evolução benigna e que não acarreta ou progride para nenhuma outra circunstância mais grave é um passo muito importante, capaz de, por si só, tranqüilizar e fazer com os sintomas sejam mais bem tolerados.

Certos alimentos são mal tolerados pelas pessoas com SII. A confecção de um diário alimentar correlacionando sintomas com os alimentos ingeridos previamente pode ser capaz de detectar alimentos desencadeantes.

Algumas pessoas têm uma tolerância diminuída ao leite e derivados o que pode desencadear a diarréia. Para essas pessoas a diminuição da ingestão desses alimentos pode melhorar os sintomas.

O uso de bebidas gaseificadas pode levar gás aos intestinos e causar dor abdominal. Comer ou beber rapidamente, mascar chicletes, fumar, inspirar ar pela boca quando nervoso pode levar a algumas pessoas a engolir grandes quantidades de ar, os gases também podem ser produzidos por certos alimentos como feijões, cebolas, brócolis, repolho, uva e ameixa. Comer mais lentamente ou minimizar os alimentos formadores de gases pode ser útil.

Uma vez que a cafeína pode aumentar a motilidade intestinal, as pessoas com a síndrome deveriam evitar ou minimizar o uso de bebidas que contém cafeína como o café e colas cafeínadas.

Retardos desnecessários da defecação deveriam ser evitados. Porque quanto mais tempo as fezes permanecerem no intestino, mais fluídos podem ser absorvidos, dificultando ainda mais a evacuação. O uso de certos laxantes pode perpetuar a constipação porque o intestino pode se tornar dependente deles. Pessoas com a síndrome não deveriam tomar laxantes fortes.

Aumentar o conteúdo de fibras na dieta pode ajudar a regular a atividade intestinal e reduzir tanto a constipação como a diarréia.

Se fontes modificáveis de estresse podem ser descobertas, resolvê-las pode ajudar. Exercícios regulares também podem ajudar a normalizar a função intestinal.

A grande maioria das pessoas melhora com a compreensão de sua doença e com alterações alimentares. Nos pacientes com algum sintoma especialmente incômodo, medicamentos sintomáticos dirigidos diretamente para tratar a diarréia, constipação ou dor abdominal podem ser usados.

Em alguns casos, o uso de medicação antidepressiva é benéfico.

Não existe um tratamento específico para a síndrome do intestino irritável. Deve-se evitar o uso de laxantes e tranqüilizantes, pois causam dependência com certa facilidade. Deve-se ter grande cautela ao usar medicamentos sobre os quais há muita propaganda, porém que não tenham sua real validade e, principalmente, segurança, bem estabelecidos.

As mudanças nos hábitos alimentares é a pedra fundamental no tratamento de pessoas com a síndrome do intestino irritável.