terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estudo Diz Que Obesidade Não É Sinônimo de Doença

Para os(as) xiitas do artigo "Nutricionista Gorda(o)? Não Pode!", aqui vai um post (reprodução de matéria publicada no site Folha.com) para vocês.

Os gordinhos podem levar uma vida saudável e são menos propensos a problemas cardiovasculares, afirmaram pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, que estudaram 6.000 americanos obesos durante 16 anos e compararam seu risco de mortalidade com o de indivíduos magros.

"Nossos resultados questionam a ideia de que todos os obesos precisam perder peso", declarou Jennifer Kuk, professora na escola de York de Kinesiologia e de Ciência da Saúde, autora principal do estudo publicado na revista "Applied Physiology, Nutrition and Metabolism".

De acordo com Jennifer, tentar perder peso e fracassar pode ser pior que manter um elevado peso corporal e levar um estilo de vida saudável que inclua atividade física e dieta equilibrada com muita fruta e verdura.

O estudo revelou que as pessoas obesas com poucos ou nenhum problema físico ou psicológico e que tinham um peso maior ao entrar na idade adulta estavam mais conformes com seu peso e tentavam com menor frequência fazer uma dieta. Além disso, eram mais propensas a ser fisicamente ativas e a seguir uma dieta saudável.

Os pesquisadores utilizaram o sistema de classificação da obesidade de Edmonton (EOSS, na sigla em inglês) que, segundo afirmam, é mais confiável que o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal) baseado no peso e na altura, e que aquele que mede a circunferência da cintura.

O novo sistema, desenvolvido pela universidade canadense de Alberta, estabelece cinco fases da obesidade, levando em conta, além do IMC e do tamanho da cintura, parâmetros clínicos que indicam a presença de doenças frequentemente agravadas pela obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas coronários.

Embora um índice elevado de IMC esteja relacionado com um maior risco de doenças relacionadas com a obesidade e de mortalidade, essa é uma medida indireta que não distingue entre tecido gorduroso e magro.

Segundo Jennifer, para saber se devem ou não perder peso, as pessoas deveriam consultar um médico que as avalie de acordo com os critérios do EOSS.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

No Brasil, Ascensão Social Estimula Dieta Mais 'Gorda'

O aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos levou à substituição dos alimentos naturais pelos industrializados e a maiores níveis de estresse e sedentarismo, que estão por trás do crescimento dos índices de obesidade na população, segundo afirmam analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Um estudo divulgado neste ano pela Fundação Getúlio Vargas aponta que, nos últimos dez anos, 39,5 milhões dos brasileiros mais pobres melhoraram de vida e ingressaram na classe C, que hoje agrega 55% da população total, com cerca de 100 milhões de integrantes.

O movimento foi acompanhado por um aumento nas taxas de excesso de peso, que passaram de 42,7%, em 2006, para 48,1%, em 2010, segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. No mesmo período, os índices de obesidade saltaram de 11,4% para 15%.

Para Deborah Malta, coordenadora de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, os dados são "bastante preocupantes". Ela afirma que a ascensão dos brasileiros mais pobres fez com que a fome deixasse de ser um problema generalizado, mas acentuou o problema da qualidade da alimentação.

TRANSIÇÃO NUTRICIONAL

"Enfrentamos uma transição nutricional no país: o arroz com feijão vem sendo substituído por alimentos processados e por lanches", diz Malta.

A afirmação é respaldada pela última POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE, que revelou queda de 40,5% na ingestão per capita de arroz polido entre 2003 a 2009, e de 26,4% no consumo de feijão.

Paralelamente, alimentos processados, como pães, embutidos, biscoitos e refrigerantes, ganharam importância e passaram a responder por 18,4% das fontes de energia consumidas.

Muitos desses alimentos são ingeridos em lanches ou refeições fora de casa, hábito que, segundo a POF, já faz parte do dia a dia de 40% dos brasileiros.

Segundo a POF, 61% dos brasileiros comem mais açúcar do que o indicado no dia a dia. Os excessos são cometidos também em relação às gorduras saturadas (no caso de 82% das pessoas) e de sal (70%).

Segundo Malta, apenas 18% dos brasileiros seguem a recomendação de comer 400 gramas ao dia de frutas, legumes e verduras.

URBANIZAÇÃO

O endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do laboratório de metabolismo e diabetes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), relaciona a mudança nos padrões alimentares a outros dois fatores, além do aumento de renda da população mais pobre: a urbanização, que facilita o acesso a produtos industrializados, e a pressão da indústria alimentícia.

Hoje, segundo o médico, é mais fácil e barato comprar alimentos obesogênicos (processados e com alta densidade de calorias) do que comidas saudáveis, in natura.

Por isso, Geloneze defende a sobretaxação dos alimentos gordurosos e subsídios aos saudáveis. Ele também é favorável à restrição à publicidade de comidas obesogênicas. Segundo ele, política semelhante foi aplicada ao tabagismo, com bons resultados.

O endocrinologista também aponta, entre as razões por trás do aumento da obesidade, os crescentes índices de sedentarismo.

Segundo ele, inovações como o telefone celular e vidros elétricos nos carros tiveram grande peso na redução de atividades físicas fora dos momentos de lazer.

O médico cita ainda a dificuldade para caminhar nas grandes cidades brasileiras, que privilegiam os deslocamentos por automóveis, e a violência, que faz com que muitos evitem sair à rua.

CRIANÇAS OBESAS

O medo da violência, aliás, tem influenciado o crescimento da obesidade também entre as crianças, segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, professor de medicina da Universidade de São Paulo e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Halpern diz que o hábito de brincar na rua tem sido substituído por atividades dentro das casas e apartamentos, que incluem horas diante do computador ou do videogame.

Ele também menciona os níveis crescentes de estresse e a redução nas horas de sono - ambos os fatores, segundo ele, estimulam a produção de hormônios que favorecem o ganho de peso e inibem a produção de hormônios com efeito contrário.

Além dos os fatores associados à urbanização e ao crescimento da renda, todos os especialistas entrevistados pela BBC Brasil citam, entre as causas para os crescentes índices de obesidade no país, as duras condições vividas por boa parte dos adultos brasileiros durante a infância.

Halpern explica que pessoas que nascem com baixo peso, ou que se alimentam mal durante a primeira infância, podem ter o equílibrio do organismo alterado, fazendo com que retenham mais energia.

ACESSO À INFORMAÇÃO

Para frear o crescimento nos índices de obesidade, Bruno Geloneze, da Unicamp, prega a importância da informação. "As pessoas precisam aprender a ler rótulos e a compreender as vantagens dos alimentos in natura", afirma.

Segundo ele, pesquisas indicam que, dentre todos as classes sociais e em todas as regiões do país, somente um grupo, formado por mulheres do Sudeste com alta renda e alta escolaridade, não registrou ganho de peso nos últimos anos.

"Isso não ocorreu porque essas mulheres vão à academia, mas porque possuem informação", diz.

"A nova classe média ganha dinheiro, mas não informação. É natural que haja uma explosão de obesidade."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Perigo da Dietas Rígidas

Sem uma reeducação alimentar e emocional, as dietas podem ter efeitos contrários aos desejados

Não faltam no mercado sugestão de produtos que auxiliam na perda de peso. Propagandas em revistas, sites, tudo é válido para levar ao grande público a tentar perder o peso indesejado. Os famosos chás, medicações e dietas, que oferecem a mágica do emagrecimento, sem ter um acompanhamento adequado e indicado.

Por outro lado, vemos a estatística a respeito da obesidade crescendo a níveis alarmantes, porém a falta de informação, ou muitas vezes a esperança de perder peso rápido acabam sendo o gatilho para se tentar emagrecer.

Quando fazemos dietas por conta própria, sem orientação nutricional, acabamos por tentar um caminho mais curto, porém passando alguns dias ou meses, acabamos recuperando novamente o peso perdido.

Além desse efeito sanfona que causa desânimo, o perigo está em desenvolver um quadro de obesidade maior, ou mesmo transtornos alimentares, como bulimia, anorexia e compulsão.

É fundamental a decisão de se iniciar a reeducação alimentar, pois regimes e dietas são contraproducentes, ou seja, podem ter efeitos contrários aos desejados. Então, faça certo desde o início. Tenha em suas mãos o controle da sua ingestão alimentar, pois comer é para se nutrir, e não para preencher um vazio ou um processo de ansiedade frente a outras situações a que possa estar exposto diariamente.

Portanto, o ideal é traçar metas realistas, para que a frustração não seja obstáculo frente a sua determinação de vencer. Emagrecer aos poucos é a melhor forma de manter o peso magro, lembrando que “dietas” ou “regimes’ restritivos levam a compulsão, atrasando seu objetivo inicial que é a perda de peso.

Quando as tentativas são seguidas de fracassos, acabamos nos desestimulando, com a autoestima prejudicada, tornando um ciclo vicioso. A perda de peso somente é efetiva, quando nos dispomos a realmente buscar a saúde e bem-estar. Esse caminho somente é possível, quando amparados de uma equipe de profissionais, que tem o conhecimento necessário para auxiliar nesse processo.

A reeducação emocional e alimentar é o caminho do sucesso para qualquer processo de perda de peso, pois o objetivo é aprender a comer de forma adequada, somente por fome, e sentir-se leve e tranquilo com as escolhas alimentares.

Autora: Luciana Kotaka

domingo, 7 de agosto de 2011

Comida Que Emagrece

A ciência revela que vários nutrientes são capazes de estimular o corpo a evitar o ganho de peso. As descobertas estão modificando o cardápio de quem está de dieta e incentivam a indústria alimentícia a criar produtos que ajudam na luta contra a balança


CALORIAS A MENOS
A atriz Isa Zampietri, 25 anos, emagreceu 14 quilos em dois anos. Ela
passou a ingerir alimentos que obrigam o corpo a gastar mais energia
durante a digestão. “Todo dia uso uma colher de canela junto com frutas ou
sucos”, conta. Maçã também está no seu menu: ela aumenta a saciedade

Se você está procurando caminhos mais eficazes para perder peso, que tal inserir alguns alimentos no cardápio, em vez de apenas riscar do menu as opções que engordam? Se a sugestão assustou, relaxe. Na verdade, trata-se de uma das mais modernas e espertas estratégias traçadas pela ciência para ajudar quem deseja emagrecer: usar a nosso favor o poder de determinados alimentos para nutrir e ao mesmo tempo evitar o acúmulo de peso. É a comida que emagrece. A descoberta de que, sim, ela existe foi uma das mais importantes informações obtidas nos últimos anos pelos estudiosos que se dedicam a investigar saídas contra a obesidade. “Chegamos à conclusão de que o caminho para acumular menos calorias não é simplesmente cortá-las”, disse à ISTOÉ Darius Mozaffarian, da Universidade de Harvard (EUA). “Hoje sabemos que ingerir mais de diversos tipos de alimentos está associado à perda de peso”, completou.

O que o pesquisador americano está afirmando aqui não se refere à velha máxima de que se deve aumentar o consumo de opções com menor quantidade de calorias se o objetivo é emagrecer. A recomendação continua correta, é claro. O que o cientista quer dizer é que dezenas de pesquisas estão demonstrando que vários alimentos ajudam a prevenir o ganho de peso não por causa da quantidade de calorias que apresentam – ou não somente por isso –, mas devido à ação de nutrientes específicos que impedem o depósito de gordura no organismo.

Essa nova linha de abordagem tem como embasamento a constatação de que os efeitos da comida no organismo e a nossa relação com os alimentos são muito mais complexos do que se imaginava. “Há, por exemplo, uma ligação importante entre o cérebro e o aparelho digestivo”, afirma o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente eleito da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. De fato, descobriu-se a existência de uma espécie de segundo cérebro no corpo: cerca de 100 milhões de células nervosas, do mesmo tipo das que existem no cérebro, estão distribuídas pelas paredes do estômago, esôfago e intestino. E elas estão lá com um propósito claro: participar da regulação das sensações de fome e saciedade. Por meio delas são gerados sinais que vão do intestino ao cérebro avisando quando é hora de parar de comer.


MUDANÇA RADICAL
Há dez anos, a enfermeira Ken Haragushi, 62 anos, decidiu que as
algas e a soja estariam sempre presentes nas refeições da família.
“Essa alimentação me levou a emagrecer dez quilos e melhorou
a minha disposição”, diz o marido, Ricardo, 68 anos

E o que se verificou foi que o envio desses avisos está vinculado ao tipo de alimento em trânsito no aparelho digestivo. Alguns, como carboidratos simples, presentes em pães e massas brancas, por exemplo, demoram mais para estimular os sinais de saciedade. Outros, ao contrário, são mais rápidos na tarefa. Entre eles estão os óleos e gorduras. “Hoje, o estudo da digestão precisa levar em conta o funcionamento do intestino-cérebro”, afirmou à ISTOÉ Heribert Watzke, conselheiro científico do centro de pesquisa em alimentos da Nestlé, na Suíça. “Ele deve ser considerado como um órgão neurológico ativo.”

O pesquisador está concentrado em estabelecer meios de prolongar o tempo de permanência dos alimentos no intestino para aumentar a percepção e a duração da saciedade. Com essa perspectiva, Watzke e sua equipe trabalham em modificações na estrutura do óleo de oliva para que ele seja digerido mais lentamente e fique por um tempo maior no intestino. “Descobrimos que um dos produtos resultantes da digestão do azeite, os monoglicerídeos, desaceleram o processo se estiverem presentes desde o início nesse alimento”, contou ­Watzke. Eles criaram em laboratório moléculas de monoglicerídeos e as adicionaram ao azeite. Após a alteração, sua permanência no intestino foi mais prolongada, aumentando a saciedade.

No Reino Unido, o governo financia trabalhos com o mesmo objetivo. Um dos estudos mais promissores avalia a adição dos galactolipídeos – moléculas de gordura encontradas em cereais – aos alimentos para desacelerar a digestão da gordura. Por enquanto, os britânicos experimentam o desempenho dessas moléculas em uma máquina que simula o estômago e o intestino humanos. “Não queremos parar a digestão da gordura porque isso causaria efeitos ruins, mas estamos seguros de que diminuir a velocidade do processo trará benefícios”, disse à ISTOÉ Peter Wilde, do Institute of Food Research, em Norwich. Ele espera que os galactolipídeos sejam usados como ingredientes de alimentos ricos em gordura como maionese e sorvetes.


BOA TROCA
A estudante de teatro Adriana Cinti, 30 anos, ganhou peso quando trocou o interior
pela capital paulista. Por sugestão de sua nutricionista, cortou a comida fast-food,
passou a tomar até três litros de chá-verde ou branco e enriqueceu o cardápio com
cereais integrais e frutas. “Agora eu como até mais, perdi sete quilos e ganhei energia”

Outro estudo inglês avalia o desempenho do alginato, substância extraída de algas marinhas, em substituição à gordura. “O alginato é uma fibra que retarda a absorção de nutrientes pelo intestino”, explicou à ISTOÉ Jeff Pearson, da Universidade NewCastle e coordenador do trabalho. Os resultados iniciais revelam que a mistura da fibra pode evitar que cerca de 85% da gordura ingerida seja absorvida. Pearson e seu time desenvolveram um pãozinho com alginato. “O sabor ficou ótimo”, garante o cientista. A meta é concluir os testes com o produto até 2013.

Os efeitos da gordura na relação entre cérebro e digestão estão entre os focos principais dos estudiosos. Recentemente, a pesquisadora Deborah Clegg, da Universidade Southwestern (EUA), fez revelações interessantes a esse respeito. Ela descobriu que um componente das gorduras de origem animal (carne, leite e seus derivados), o ácido palmítico, aumenta o desejo de comer. “Ele interfere nos sinais trocados por estruturas celulares e atrapalha a percepção da saciedade”, explicou à ISTOÉ. “A pessoa tem vontade de continuar comendo.”

Para chegar a essa conclusão, ela testou em animais o impacto de vários tipos de gordura no cérebro. A investigação mostrou que a ingestão de carnes e queijos, especialmente, fornece um aporte de ácido palmítico que depois de cair na corrente sanguínea, o que acontece após a digestão, consegue atravessar a barreira hematoencefálica que protege o cérebro e atua em estruturas como o hipotálamo, que regula a ingestão, e o hipocampo, onde essas moléculas prejudicam a memória e a cognição. “Ao penetrar em diferentes núcleos cerebrais, o ácido palmítico bloqueia a atuação de hormônios envolvidos na saciedade, no peso e no gasto ener­gético”, diz.


NOVOS SABORES
O empresário Joseph Gelschyn, 61 anos, conseguiu diminuir o
colesterol e perdeu a barriga consumindo alimentos como purê de
amêndoas, abacate e óleo de coco. “Com eles, fico saciado por mais tempo”

Embora a mai­oria das iniciativas nesse campo ainda esteja em nível de pesquisa, já existem produtos industrializados criados para interferir nos sinais da saciedade. Um deles é uma emulsão de água e óleos de palma e aveia fabricada pela empresa holandesa DSM. A substância, com o nome comercial de Fabuless, é adicionada a produtos dietéticos pela indústria de alimentos ou vendida em potinhos para ser acrescentada em receitas caseiras. “A digestão dessa mistura é mais lenta por causa de substâncias contidas no óleo de aveia. Por isso, quando ela chega ao intestino, um sinal de saciedade é enviado ao cérebro”, disse à ISTOÉ o francês Bruno Baudoin, gerente de produtos da companhia holandesa. No Brasil, a substância é indicada por nutricionistas como Lucyanna Kalluf, do Instituto de Prevenção Personalizada, em São Paulo. “Peço para adicionar aos sucos e sopas”, diz. Entre os produtos com a mistura estão um leite de soja fabricado pela Ohki Pharmaceutical, lançado no Japão no ano passado, e o leite Silhuette Active, disponível na França.

Outra opção de nutriente já acessível são as fibras do tipo inulina. “Elas prolongam a permanência dos alimentos no estômago e no intestino”, explica a nutricionista Cynthia Antonaccio, da Equilibrium Consultoria Nutricional, em São Paulo. Por isso, alimentos como a chicória, rica fonte de inulina, começam a ser incluídos com mais frequência no cardápio de quem precisa emagrecer. Na Alemanha, são vendidos suplementos em pó e tabletes de inulina extraída da chicória. “Há frações da inulina que têm sabor doce e podem substituir o açúcar. Outras substituem a gordura por causa da textura cremosa”, disse à ISTOÉ Marjan Nowens-Roest, da Sensus, empresa alemã que fabrica o Frutafit, nome comercial da linha de produtos contendo o nutriente. Outras fibras, como o glucomanan, estão sendo incluídas em alimentos como a Pasta Slim, um fettuccine fabricado pela Wildwood e vendido nos Estados Unidos.

Bem ao alcance da mão estão outras boas alternativas para adiar a fome. Grãos integrais, iogurtes e nozes estão entre elas. “Eles demoram mais tempo para ser digeridos e melhoram o processo digestivo”, afirma a nutróloga Vânia Assaly, de São Paulo, e membro do Institute of Internal Medicine (EUA). Nessa lista há alguns componentes surpreendentes. Amêndoa, abacate e óleo de coco, por exemplo, são conhecidos por serem calóricos. Por isso, pode causar estranheza vê-los incluídos em um cardápio para emagrecer. Mas o que se descobriu é que eles também prolongam a saciedade. Por essa razão, começaram a ser mais recomendados nas dietas, desde que consumidos com moderação.


ÓLEO
Na Suíça, Watzke testa azeite que prolonga a saciedade

A maçã, por sua vez, sempre foi uma boa pedida contra o peso porque tem poucas calorias e bom valor nutricional. Um estudo feito pela Universidade da Flórida (EUA) adicionou mais um motivo a seu favor. Os cientistas acompanharam 160 mulheres que ingeriram uma maçã seca por dia durante um ano e verificaram que a fruta ajudou na perda de peso não só por ser pouco calórica, mas devido à presença da pectina, fibra que eleva a saciedade.

A comida pode auxiliar no emagrecimento também pela capacidade de alguns nutrientes de aumentar a produção de calor pelo corpo – o que significa queimar mais calorias. É um predicado dos alimentos termogênicos. “O consumo regular de pimenta, pimentões, gengibre, guaraná e chá-verde, por exemplo, acelera a queima de calorias”, explica a nutricionista Lucyanna Kalluf.

Uma investigação do Centro de Nutrição Humana da Universidade da Califórnia (EUA) indicou que as pimentas, por exemplo, dobram a produção de calor até algumas horas depois da refeição em que foram consumidas. Os pesquisadores testaram os efeitos de uma substância similar à capsaicina das pimentas, o dihydrocapsiate, que não provoca ardor. Ela foi ministrada durante 28 dias junto com uma dieta de baixíssimas calorias a 17 pessoas que queriam perder peso. Outros 17 indivíduos seguiram o regime, mas receberam placebo. Entre os que ingeriram o composto, constatou-se que o gasto energético foi duas vezes maior.

Mas aqui há uma controvérsia. Pesquisadores da Purdue University, também nos EUA, afirmam que só se pode usufruir dos outros efeitos atribuídos à pimenta, como a supressão do apetite – ela anestesia a sensação da fome – , se ela for ingerida ao natural. Os testes da Purdue University foram feitos com meia colher de chá de pimenta-vermelha picada nas refeições. Mas qualquer outra pimenta pode ser usada, pois a capsaicina está presente na maioria das pimentas frescas e secas.

O caso das pimentas – capazes de aumentar a queima de calorias e a saciedade – é um bom exemplo da complexidade do papel que os alimentos desempenham no nosso organismo e de seu potencial para nos auxiliar na guerra contra a balança. Com o abacate, o óleo de coco e a canela, por exemplo, ocorre a mesma coisa. São considerados termogênicos e se descobriu que diminuem a sensação de fome. Em relação à canela, esse efeito ficou patente após pesquisa realizada pela Universidade de Lund, na Suécia. Os cientistas avaliaram o papel da canela na rapidez com que o estômago fica vazio após as refeições. Para isso, o estômago de 14 voluntários foi monitorado por ultrassonografia após a ingestão de 300 gramas de arroz-doce com e sem o condimento. O estudo constatou que o tempo de permanência da comida no estômago foi maior para aqueles que tinham consumido o doce com a canela.

Na lista dos alimentos que ajudam a prevenir o ganho de peso também constam aqueles cuja digestão resulta na liberação mais lenta da glicose para o sangue. O açúcar é o combustível para o funcionamento das células, mas em excesso não só pode levar à diabetes como ainda ao acúmulo de peso.

Ocorre que, se a digestão dos alimentos promove uma entrada muito rápida de açúcar no sangue – como é o caso dos pães e doces, de muito fácil digestão –, o pâncreas precisa liberar mais insulina, hormônio que permite a entrada dessa glicose para dentro das células. Mas essa solicitação tem um preço. O desequilíbrio na produção desse hormônio piora a ação da própria insulina, o que promove uma espécie de resistência do corpo ao seu funcionamento. Ou seja, ainda que o corpo libere mais insulina, ela não é suficiente para tirar o açúcar do sangue. A consequência é que isso dificulta a queima da gordura, processo que só entra em cena depois que os estoques de glicose são consumidos, resultando em ganho de peso. Mas há outros desdobramentos. Por causa do mecanismo de resistência, a glicose não entra nas células em quantidade suficiente e o organismo fica sem energia, o que torna constantes o desejo de comer e a sensação de fome. Os alimentos que evitam esse problema são os de baixo índice glicêmico. Entre alguns dos exemplos estão a ameixa, o damasco e o kiwi. Diante de tantas opções, é só usar o bom-senso, equilibrar a dieta e escolher o menu mais indicado para comer, e mesmo assim emagrecer.

OS NEURÔNIOS CANIBAIS
Passar fome não é boa ideia para quem quer emagrecer. Pesquisadores do Albert Einstein College Medicine (EUA) descobriram que a privação de alimento leva os neurônios ligados ao controle do apetite a devorar células semelhantes para obter as substâncias de que necessitam. O processo ocorre no hipotálamo, estrutura cerebral que regula as sensações de fome e saciedade. Por mecanismos complexos e agora explicados por um estudo feito em animais, o processo leva à liberação de ácidos graxos que estavam guardados no interior das células canibalizadas. “Isso aumenta ainda mais a fome”, afirmou Rajat Singh, autor do estudo, 
publicado na edição deste mês da revista “Cell Metabolism”.





Autora: Monica Tarantino
Fonte: Isto É

Amendoim

O amendoim deriva da Arachis hypogaea, uma planta nativa da América do Sul, que pertence à família das leguminosas. Apresenta, na sua composição nutricional, 46% de gordura, 26% de proteínas, entre elas as albunas e globulinas, e 13% de carboidratos. Algumas proteínas do amendoim são bastante alergênicas.

Entre os americanos, mais de 1,5 milhão sofrem com problemas de alergia ao amendoim atualmente. Um dos motivos possíveis seria que os americanos consomem grandes quantidades dessa leguminosa precocemente, desde antes de 1ano de vida. O que torna a alergia ao amendoim importante para uma população ainda não está totalmente elucidado, mas vários fatores contribuem para esse quadro. O fato é que trata-se de um alérgeno significativo nos Estados Unidos.

Há também hipóteses de reação cruzada para explicar essa "epidemia" de alergia ao amendoim na América do Norte, ou seja, a sensibilização combinada com outras proteínas. A soja, por exemplo, aumenta 2,6 vezes o risco de alergia ao amendoim. Mas outros fatores podem contribuir:
- fatores individuais
- fatores genéticos
- ingestão de amendoim pela mãe durante a gravidez
- fatores associados ao alérgeno em si
- processamento e preparo (cozido, torrado etc.)
- frequência de ingestão
- possibilidade de contato com a pele e sensibilização
- ingestão de outras substâncias

A reação ao amendoim é mediada por IgE (imunoglobulina E), um anticorpo importante no nosso organismo. E os sintomas aparecem em segundos ou até duas horas após a ingestão de miligramas da semente, e envolvem fenômenos cutâneos, respiratórios e gatrointestinais, incluindo tosse, edema laríngeo, bronco espasmo, angioedema (inchaço na parte superior do rosto), eritema pruriginoso (urticária), dor abdominal, entre outros.

Quando dois órgãos ou mais estão envolvidos, trata-se de uma reação anafilática, podendo ocorrer sintomas cardiovasculares, como hipotensão, arritmias e até a morte.

O tratamento da alergia ao amendoim é semelhante às outras alergias alimentares e foca-se principalmente em evitar a ingestão acidental do alérgeno. Além disso, é essencial a rápida identificação dos sintomas, para que seja feita a imediata dessensibilização, de acordo com a gravidade das reações alérgicas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Plano de Saúde Deverá Cobrir até 12 Sessões com Nutricionista

A partir do ano que vem, os planos de saúde serão obrigados a cobrir até 12 consultas anuais de seus segurados com nutricionistas --o dobro do número atual. No caso de pacientes diabéticos, serão 18 consultas por ano.

A determinação faz parte do novo rol de procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Publicado ontem no "Diário Oficial" da União, o documento prevê a inclusão de 58 novos procedimentos e a ampliação da cobertura de 11.

As novidades incluem 41 cirurgias por vídeo, método considerado menos invasivo.

Entre elas está a operação de redução de estômago, indicada para pacientes obesos, e a retirada da próstata, intervenção feita geralmente em decorrência de câncer.

O documento também detalha quais despesas devem ser pagas ao acompanhante da mãe durante o trabalho de parto e o pré e pós-parto.

Apesar de a presença do acompanhante estar prevista em resolução anterior da ANS, havia casos de cobranças já que as despesas não eram discriminadas. Elas agora incluem acomodação, alimentação e vestimenta.

Em abril, uma lei paulista proibiu as maternidades de cobrar pela paramentação do acompanhante, mas nada se dizia sobre alimentação.

As mudanças começam a valer em janeiro para planos contratados a partir de 1999.

Para a gerente-geral de regulação assistencial da ANS, Martha Oliveira, a ampliação dos procedimentos não acarretará em aumento significativo de preço aos segurados. Segundo ela, os novos exames podem reduzir o número de internações ou de procedimentos complementares.

"Em 2008, houve uma inclusão de 150 procedimentos. Depois de um ano, o impacto foi de 1,1%. Há procedimentos que, inicialmente, acha-se que têm um alto custo e terão um alto impacto. Mas ele pode ter alto custo, mas reduzir o uso de outros exames e de internações."

Na área da oncologia, há muitas queixas em relação ao novo rol, especialmente pela não inclusão da quimioterapia oral. "A ANS perdeu mais vez a oportunidade de dar uma melhor cobertura ao tratamento de câncer", diz o oncologista Rafael Kaliks, do Instituto Oncoguia.

A ANS excluiu cinco procedimentos. Entre eles está a embolização de artéria uterina, que é usada para tratar fibróides uterinos. O procedimento foi retirado a pedido do Ministério da Saúde.

De acordo com a Comissão de Incorporação de Tecnologias do ministério, os benefícios do procedimento não têm evidência científica. A prática, porém, continua permitida pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), mas não será mais coberta.

As outras quatro exclusões ocorreram porque os procedimentos foram considerados ultrapassados.

Fonte: Folha