sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Estudo investiga a relação entre obesidade e trauma psicológico

Cirurgia bariátrica para redução do estômago, colocação de balões gástricos e remédios que inibem o apetite são alguns exemplos de terapêuticas atuais usadas para tratar a obesidade mórbida. Para a psicanalista Joana de Vilhena Novaes, mais importante do que métodos rápidos e sedutores, é entender por que esse tipo de paciente, particularmente nas classes populares, se torna obeso e que lugar a comida ocupa em sua constituição psíquica e afetiva. Para isso, ela integra a equipe do Laboratório de Pesquisas Clínicas e Experimentais em Biologia Vascular (BioVasc), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde realiza o acompanhamento psicológico dos pacientes, junto ao serviço médico. 

Ali, continua-se propondo a perda de peso gradual, fundamentada na reeducação alimentar e na prática regular de atividades físicas. "Nosso objetivo é reduzir a desistência do tratamento e evitar que o obeso volte a engordar. Nesse sentido, temos tido bons resultados, apesar do tratamento lento e, para alguns, pouco atrativo. 

Nosso serviço se tornou um diferencial porque o paciente se sente acolhido e termina trazendo outros para a clínica, inclusive familiares", defende a psicanalista, que realiza seu estudo com bolsa do programa de apoio ao pós-doutorado no estado do Rio de Janeiro (PAPDRJ), da parceria Capes-FAPERJ. O BioVasc oferece esse serviço na Policlínica Piquet Carneiro, unidade de saúde da Uerj. 

Em seu pós-doutorado, sob a supervisão da pesquisadora e coordenadora do BioVasc, Eliete Bouskela, Joana investiga a relação entre obesidade e trauma psicológico especificamente nas classes menos favorecidas economicamente. "Temos observado que boa parte dos nossos pacientes pertence a uma das comunidades de baixa renda próximas à universidade. A grande maioria teve algum tipo de trauma decorrente, por exemplo, de abuso sexual, testemunho de assassinato dos pais etc. É justamente após essas experiências que eles desenvolvem obesidade, nesses casos sempre acompanhada de depressão e de uma profunda melancolia", diz a pesquisadora. Ela frisa que esses dois estados emocionais são graves problemas psicológicos e contribuem para desistência do tratamento e para a não sociabilidade do paciente. "Meu objetivo é entender por que esse tipo de paciente se torna obeso. Sobretudo, quero compreender as especificidades clínicas do trauma e entender como suas consequências interferem no comportamento psíquico e social desse obeso", resume Joana. 

Particularidades do serviço multidisciplinar do BioVasc 

Partindo da premissa que a obesidade é uma síndrome plurifatorial, Joana explica que, já na primeira consulta, o paciente é avaliado por uma equipe multidisciplinar, formada por um psiquiatra, um psicólogo, um nutricionista, um professor de educação física e três residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). Como explica a pesquisadora, é traçada uma análise de todo o histórico genético e familiar do paciente, que depois é submetido a exames para verificar doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Com base nos resultados clínicos, sugere-se um plano de atividades aeróbicas e musculares e se propõe uma reeducação alimentar específica para os hábitos e a rotina do paciente.

Numa extensa análise psicológica, é realizado ainda um psicodiagnóstico e uma cuidadosa avaliação psiquiátrica. "Em alguns casos, prescrevemos só terapia, mas em outros a associamos com medicamentos antidepressivos e ansiolíticos", explica a pesquisadora. Como psicanalista do serviço, Joana indaga sobre as causas e consequências psíquicas da obesidade e também sobre a melhor forma de tratar seus sintomas e promover medidas para prevenir o aumento de seus índices. 

Segundo Joana, o método adotado é a psicanálise clássica, ou seja, busca-se a saúde mental por meio do diálogo sistemático sobre as vivências traumáticas. "Falar exaustivamente faz com que os pacientes vivam, por um momento, o luto por suas perdas e traumas, que por vezes são tão dramáticos e violentos. Mas depois daquele momento, eles se tornam aptos a superá-los", explica a pesquisadora. 

Se, por um lado, o objetivo da inclusão do atendimento psicológico ao tratamento é aumentar a adesão do paciente ao que foi prescrito e melhorar seu convívio social, por outro, procura-se garantir a multidisciplinaridade. "Agora, oferecemos um serviço biopsicosocial, que pode ser visto também como uma medida profilática. Ou seja, quando uma mãe, por exemplo, muda seus hábitos alimentares, ela diminui a probabilidade de que seus filhos sejam obesos", afirma a pesquisadora.

A pós-doutoranda destaca que a obesidade já se caracteriza como um problema de saúde pública e que atualmente tem-se observado um crescimento de casos já na infância e na adolescência. "A realidade fica mais cruel, quando entendemos que a sociedade demonstra uma clara ‘lipofobia’, que quer dizer medo da gordura. Isso faz aumentar o nível da psicose coletiva em busca do corpo perfeito, bem como o preconceito com quem está acima do peso, mais claramente com que está obeso", resume. 

Joana estuda há anos a relação entre o que ela chama de doenças da beleza (compulsão alimentar, anorexia, bulimia, obesidade etc) e o comportamento social contemporâneo das diferentes classes sociais. Como resultado de seu trabalho, ela já publicou dois livros sobre o tema: O intolerável peso da feiúra: sobre as mulheres e seus corpos e Com que corpo eu vou: sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares. Este último foi também resultado de uma pesquisa financiada pela FAPERJ. 

No Brasil, os dados são alarmantes. Uma pesquisa de 2007, realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), aponta que 63% da população brasileira estão acima do peso. Os dados ratificam a importância de se ter um eficiente atendimento hospitalar de combate e prevenção à obesidade. "Isso é o que tentamos fazer no BioVasc", conclui Joana.

Autora: Elena Mandarim
Fonte: Faperj

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Suplementação de leucina aumenta síntese proteica pós-exercício

Pesquisadores norte-americanos publicaram um estudo na revista The American Journal of Clinical Nutrition mostrando que a suplementação de aminoácidos essenciais enriquecida de leucina aumenta a síntese proteica muscular pós-exercício.

Este foi um estudo cruzado e randomizado, que avaliou a suplementação de aminoácidos essenciais com duas diferentes concentrações de leucina na síntese de proteína muscular após exercício moderado, caracterizado pela realização de bicicleta ergométrica durante 60 minutos a 60% do VO2 máximo.

“Estes dados demonstram que o aumento da disponibilidade de leucina durante o exercício promove o anabolismo da proteína do músculo esquelético e reposição de proteína endógena. Estudos futuros são necessários para determinar os mecanismos moleculares e se os efeitos observados são influenciados pela intensidade do exercício ou outros nutrientes”, destacam os autores.

“Nossas descobertas indicam que o aumento do teor de leucina nos suplementos proteicos pode ser promissor para as populações suscetíveis à perda de massa muscular, como a caquexia e sarcopenia, devendo ser explorados nos próximos estudos”, concluem.

Autora: Rita de Cassia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

domingo, 11 de setembro de 2011

Usar Remédio Contra Diabetes Para Emagrecer Tem Alto Risco, alerta Anvisa

Em nota emitida na quinta-feira (8), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirma que o medicamento Victoza "não é indicado para emagrecimento" e que seu uso para "qualquer outra finalidade que não seja como antidiabético caracteriza elevado risco" para a saúde.

Lançado em 2009 na Europa, a liraglutida (substância contida no Victoza) tem sido prescrita por endocrinologistas nos últimos meses no Brasil para pessoas que querem perder peso, mas não são necessariamente portadores de diabetes tipo 2.

Mas, segundo a nota da agência, assinada por seu presidente, Dirceu Barbano, não existem estudos que "comprovem qualquer grau de eficácia" para "redução de peso e tratamento de obesidade".

Além disso, os efeitos colaterais do medicamento injetável ainda não são completamente conhecidos.

"Este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos", diz a própria bula do produto, citada no texto.

Alguns dos possíveis "eventos adversos" criados pelo uso do Victoza são hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia, diz a nota, motivada por uma reportagem publicada na última edição da revista "Veja".

"Além destes eventos destacam-se outros riscos: pancreatite [inflamação do pâncreas], desidratação e alteração da função renal e distúrbios da [glândula] tireoide, como nódulos e casos de urticária."

Há ainda um outro estudo, não finalizado, para "confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida". A Novo Nordisk, empresa que produz o Victoza, também incluiu, em junho, a "alteração da função renal como um potencial efeito adverso" do medicamento.

Outro provável problema se refere à resposta do sistema imunológico à liraglutida --ela causa o risco de alergia, anafilaxia e "efeitos inesperados mais graves".

Lei abaixo a íntegra da nota:

*
"Esclarecimentos sobre o risco do uso inadequado do produto Victoza:

Em relação à reportagem intitulada "Parece Milagre", edição número 2.233 da revista VEJA, de 07/09/2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Victoza é um produto "biológico". Ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida. O medicamento, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk, foi aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010, com a finalidade de uso específico no tratamento de diabetes tipo 2. Portanto, seu uso não é indicado para emagrecimento.

A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como "adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado".

Por tratar se de um medicamento "biológico novo", o Victoza, assim como outros medicamentos dessa categoria, estão submetidos a regras específicas tanto para o registro quanto para o acompanhamento de uso após o registro durante os primeiros cinco anos de comercialização. Além disto, o produto traz a seguinte advertência no texto de bula: "este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso informe seu médico."

Para o registro do produto foram apresentados os relatórios de experimentação terapêutica com estudos não clínicos e clínicos Fase I, Fase II e Fase III comprovando a eficácia e segurança do produto, para o uso específico no tratamento de diabetes tipo 2.

É importante destacar que além dos estudos apresentados para o registro, encontra-se em andamento um estudo Fase IV (pós registro) para confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida. Os resultados deste estudo podem trazer novas informações a respeito da segurança do produto.

O laboratório fabricante já enviou à Anvisa três relatórios sobre o comportamento do produto, trata-se do documento conhecido como PSUR (Relatório Periódico de Farmacovigilância). Além disto, o Novo Nordisk decidiu incluir, em junho de 2011, em seu Plano de Minimização de Risco (PMR) a alteração da função renal como um potencial efeito adverso do uso da medicação.

Nos estudos clínicos do registro e nos relatórios apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza, sendo os mais frequentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireoide, como nódulos e casos de urticária.

Outra questão de risco associada aos produtos biológicos são as reações de imunogenicidade, que podem variar desde alergia e anafilaxia até efeitos inesperados mais graves. No caso da liraglutida a mesma apresentou um perfil de imunogenicidade aceitável para a indicação como antidiabético, o que não pode ser extrapolado para outras indicações não estudadas, por ausência de dados científicos de segurança neste caso.

Para o caso de inclusão de novas indicações terapêuticas deve-se apresentar estudo clínico Fase III comprovando a eficácia e segurança desta nova indicação.

A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há até o momento solicitação na Anvisa por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade.

Conclui-se pelos dados expostos acima que desde a submissão do pedido de registro a aprovação do medicamento para comercialização e uso no Brasil, a Anvisa fez uma análise extensa e criteriosa de todos os dados clínicos que sustentam a aprovação das indicações terapêuticas do produto contendo a substância liraglutida, através da comprovação de que o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como antidiabético.

A Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população."

Fonte: Folha

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lorcaserin: Novo Medicamento Para Emagrecimento

O ensaio clínico randomizado, conhecido como BLOSSOM Trial, publicado pelo Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, mostrou que o lorcaserin – um novo medicamento para ajudar na perda de peso de adultos obesos e com sobrepeso, pode vir a ser uma nova opção para pacientes que precisam emagrecer.

O lorcaserin é um agonista seletivo do receptor 2C da serotonina. O novo medicamento foi estudado em ensaio clínico randomizado, controlado por placebo, duplo-cego, incluindo 4.008 pacientes, com idades entre 18 e 65 anos, com índice de massa corporal entre 30 e 45 kg/m² ou entre 27 e 29,9 kg/m² e com uma patologia associada à obesidade.

Os pacientes obtiveram orientações dietéticas e sobre atividades físicas e foram divididos em três grupos que receberam:

10 mg de lorcaserin duas vezes ao dia.
10 mg de lorcaserin uma vez ao dia.
Placebo.
Ecocardiogramas monitoraram as funções das válvulas cardíacas.

Os resultados mostraram que mais pacientes tratados com lorcaserin, duas vezes ao dia ou uma vez ao dia, perderam pelo menos 5% do seu peso corporal (47,2% e 40,2% respectivamente) comparados aos que usaram placebo (25%). Uma perda de peso de pelo menos 10% do peso corporal foi alcançada por 22,6% e 17,4% dos pacientes recebendo 10 mg de lorcaserin duas ou uma vez ao dia, respectivamente, e por 9,7% daqueles em uso de placebo. Cefaleia, náuseas e tonturas foram os principais efeitos colaterais. O U.S. Food and Drug Administration (FDA) definiu que as valvulopatias documentadas ao ecocardiograma ocorreram em 2% dos pacientes recebendo lorcaserin duas vezes ao dia e em 2% daqueles que receberam placebo.

O presente estudo mostra que o lorcaserin, administrado em conjunto com modificações no estilo de vida, está associado à perda de peso dose dependente.

Ainda não se sabe se o medicamento será aprovado para a comercialização.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nutrição na Gastrite

Em entrevista exclusiva fornecida ao Nutritotal, a nutricionista Iara Lewinski, nutricionista do Ganep, especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina e em Nutrição da Criança e do Adolescente pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, tira algumas dúvidas relacionadas com nutrição e gastrite.

1. Quais são as causas da gastrite?
Além da gastrite bacteriana (esta é a causa principal de gastrite?)não é a principal, pode deixar assim como esta, como uma das causas (é a causa mais estudada), causada pela infecção da bactéria Helicobacter pylori, outros motivos podem levar a irritação ou inflamação da mucosa gástrica, que passa a não suportar mais um elevado conteúdo ácido. São eles:

Estresse;
Substâncias irritantes (como medicamentos);
Drogas (como a cocaína);
Fumo;
Álcool;
Substâncias corrosivas (como produtos de limpeza);
Elevados níveis de radiação (na radioterapia, por exemplo);
Algumas doenças auto-imunes;
Algumas doenças digestivas, como doença de Crohn;
Certas espécies de vírus, parasitas e outras bactérias.

2. Existe uma dieta especial para os diferentes tipos de gastrites ou todos os alimentos têm o mesmo efeito em todos os casos?

De maneira geral, a dieta segue o mesmo padrão: o fracionamento de cinco a seis refeições diárias e devem ser evitados os alimentos irritantes e estimulantes de secreção gástrica.

Portanto, nas diferentes fases da doença a dieta recebe as mesmas orientações, mas com diferentes enfoques. . Por exemplo, na gastrite aguda, a dietoterapia consiste em recuperar a mucosa gástrica. Já na gastrite crônica, a dietoterapia consiste em evitar o avanço das lesões e proteger a mucosa gástrica.

Somente em casos de gastrites crônicas com hipersecreção, a dieta deve conter um pouco mais de gorduras, que provocam uma maior liberação de enterogastrona no intestino (hormônio que inibe o peristaltismo estomacal) e, consequentemente, reduz-se a secreção e o tônus do estômago.

3. Quais alimentos ajudam a controlar os sintomas da gastrite e quais alimentos acentuam o desconforto?

Estão separados em duas listas os alimentos que contribuem para controlar os sintomas da doença e outros que devem ser evitados, pois aumentariam o desconforto. Seguem abaixo:

Alimentos que contribuem para controlar os sintomas da gastrite:

Água, chá de frutas e ervas, suco de frutas diluído;
Frutas, gelatina, mingaus;
Leite (combinado a outro alimento) e iogurte desnatado ou light;
Queijos brancos;
Carnes brancas e magras (peixe, frango, perú);
Purês, batata, mandioquinha, suflês, vegetais cozidos;
Geleias, mel, margarina light em quantidade moderada;
Sopas de vegetais e carne.

Alimentos que devem ser evitados:

Condimentos (pimenta-do-reino e a vermelha);
Álcool;
Alimentos estimulantes, como café, chá mate, chá preto, chocolate;
Temperos industrializados, como caldo de carne, maionese, molho tártaro, Extrato ou molho de tomate, molho de soja (shoyo), molho inglês, molho de salada;
Refrigerantes;
Frutas ácidas e tomate;
Carne processadas: presunto, mortadela, copa, lombo, salsicha, linguiça, salame;
Alimentos gordurosos em geral;
Goma de mascar.

Todos estes alimentos são proibidos para não aumentarem a secreção gástrica. Se necessário, faz-se uma suplementação nutricional para evitar deficiências de micronutrientes e não prejudicar a cicatrização tecidual. De qualquer maneira, é importante testar os alimentos que causam desconforto gástrico e assim retirá-los da alimentação.

4. Recomenda-se evitar somente o consumo de frutas ácidas?

Sim. As únicas frutas que devem ser evitadas são aquelas mais ácidas (como laranja, limão, mexerica, entre outras) e frutas que não estejam maduras. É importante lembrar que cada organismo reage diferentemente aos alimentos, então não existe uma lista estabelecida de frutas a serem evitadas, e sim aquelas que causem desconforto ao paciente. Deve-se evitar também a ingestão de sucos ácidos concentrados (limão, laranja). O ideal é diluí-los.

O consumo de outras frutas é recomendado, pois são de fácil digestão, ricas em fibras alimentares, ajudam a manter a hidratação e fornecem vitaminas importantes para manutenção da saúde do indivíduo.

5. Quais dicas nutricionais são importantes para estes pacientes?

Paciente com gastrite está com a mucosa gástrica fragilizada, por isso deve-se poupá-la de maiores esforços. Assim, além da dieta específica, o paciente deve se alimentar em ambientes calmos e mastigar bem o alimento antes de engolir, para facilitar a digestão.

Refeições com grandes volumes de alimentos também vão exigir trabalho extra do sistema digestório. Por isso, recomenda-se uma alimentação fracionada, em que o paciente deve comer mais vezes no dia, em menores quantidades. Esta recomendação também visa diminuir o tempo de jejum, que acidificaria o meio estomacal, aumentando as crises de gastrite. A refeição à noite deve ser leve e de fácil digestão.

Os alimentos devem ser mais abrandados, ou seja, bem cozidos e ingeridos em temperatura morna para que proporcionem uma digestão mais facilitada e recuperação da mucosa gástrica.

6. Quais alimentos possuem propriedades nutricionais especiais que podem aliviar o desconforto da gastrite?

Ovo: Estudos descrevem a importância dos ovos como fonte de uma imunoglobulina específica, a “IgY”, capaz de reduzir a inflamação gástrica causada pela bactéria H. pylori.

Brócolis e broto de brócolis: estudos demonstraram que o Sulforaphane, substância abundante nos brócolis e broto de brócolis, inibe a infecção causada pela bactéria H. pylori, devido ao potencial efeito bactericida desta substância.

Cenoura: estudos relatam relação inversa entre concentração de beta-caroteno, substância presente na cenoura, e risco de gastrite. Ou seja, a ingestão frequente de cenoura pode ajudar a minimizar os riscos de desenvolvimento de gastrite.

Água de coco: esta bebida possui propriedades antioxidantes, além de conter proteínas, gorduras e minerais, como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Por isso, a água de coco além de ser excelente bebida hidratante, ainda protege o organismo contra a ação dos radicais livres. Estudo científico verificou diversas propriedades funcionais na associação de água de coco com caju, como prevenção do câncer, prevenção da Helicobacter pylori causadora da gastrite aguda e propriedades antioxidantes.

Iogurte: devido à fermentação, o iogurte tem fácil digestão (seis vezes mais digerível que o leite). A caseína, proteína do leite e derivados, é facilmente degradada em aminoácidos pelo suco gástrico e disponível para a absorção.


7. O que comer na hora da crise? Como obter esse alívio instantâneo?

Para alívio imediato o tratamento mais utilizado é o uso de antiácidos. O chá de espinheira-santa verdadeira, planta nativa da região do sul do Brasil, também é utilizada principalmente para o tratamento de gastrites e úlceras estomacais.
Após o alívio da dor, o paciente deve seguir com dieta específica para gastrite, conforme descrita anteriormente.

O leite não deve ser consumido nesse momento, pois produz uma sensação de alívio imediato, mas é acompanhado de um “efeito rebote” que aumenta a secreção gástrica.

Fonte: Nutritotal

Quais Alimentos Fornecem Mais Saciedade: Sólidos ou Líquidos?

Evidências sugerem que alimentos na forma sólida geralmente produzem maior sensação de saciedade do que na forma líquida. Isso porque os alimentos sólidos passam por maiores etapas de degradação enzimática, bacteriana e mecânica, proporcionando maior sinalização de saciedade do que os alimentos líquidos. Além disso, os alimentos sólidos podem conter maior teor de fibras do que na forma líquida, e isso pode contribuir para o aumento de saciedade e perda de energia durante a absorção.

Outro fator importante é que a ausência da mastigação durante a ingestão de líquidos diminui o tempo de exposição aos receptores orofaríngeos, que controlam dos centros da fome e da saciedade.

Assim, é possível que o trânsito rápido de líquidos através do estômago e intestino possa levar a estimulação reduzida de sinais de saciedade e menor percepção cognitiva do conteúdo energético.

Além disso, a composição de macronutrientes presentes nos alimentos também é um dos fatores principais na influência da saciedade. As proteínas são os nutrientes mais sacietógenos, em segundo lugar estão os carboidratos e, por último, os lipídios.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

Estudos Mostram a Importância Que O Controle Da Obesidade É Urgente

Uma série de quatro artigos sobre a pandemia global de obesidade foi publicada no The Lancet. O primeiro artigo resume seus condutores, o segundo fala sobre o ônus econômico e para a saúde, o terceiro desvenda a fisiologia por trás do controle de peso e sua manutenção, e o quarto conclui que a ciência fala sobre os tipos de ações necessárias para mudar nosso ambiente obesogênico e reverter o atual "tsunami" de fatores de risco para doenças crônicas nas gerações futuras.

Os últimos dados do Centers for Disease Control and Prevention para a população dos EUA, lançados em julho de 2010, são alarmantes: 12 estados têm taxas de obesidade superior a 30% e nenhum tem taxa inferior a 20%. Já que estes valores dependem de auto-relatos sobre altura e peso, eles tendem a ser subestimados.

No primeiro artigo da série, Boyd Swinburn e colaboradores dizem que 1,46 bilhões de adultos e 170 milhões de crianças em todo o mundo estavam com sobrepeso ou eram obesas em 2008. Se continuarmos sem intervenções bem sucedidas, as projeções para 2030, no segundo artigo da série, estimam mais 65 milhões de adultos obesos só nos EUA e mais 11 milhões apenas no Reino Unido com 6 a 8,5 milhões de pessoas com diabetes, 5,7 a 7,3 milhões com doenças cardíacas e derrames, e 492.000 com câncer. Os custos adicionais projetados para tratar essas doenças evitáveis é de 48 a 66 bilhões de dólares ao ano nos EUA, e 1,9 a 2 bilhões de libras ao ano no Reino Unido. Como os sistemas de saúde em todo o mundo já lutam para conter os custos, sem prevenção e controle dos fatores de risco para a obesidade estes sistemas serão sobrecarregados ao ponto de ruptura.

No entanto, as reações dos governos até o momento são inadequadas e dependem da regulação da indústria de alimentos e de bebidas. Mas argumenta-se que cabe ao indivíduo fazer suas escolhas de maneira adequada. Ao contrário do tabaco, alimentos e bebidas devem ser consumidos e uma interferência do Estado poderia ser considerada uma intromissão demasiada na vida do cidadão. O Governo do Reino Unido, em particular, deixou claro que apenas acordos voluntários com empresas de alimentos e bebidas estão na agenda, e muitos dos comitês de saúde pública são compostos de um grande número desses representantes da indústria. O artigo questiona se esses acordos voluntários funcionam, pois todas as indicações até agora são de que eles não cumprem o seu objetivo.

Uma premissa importante é que o aumento do peso corporal dos indivíduos é o resultado de uma resposta normal, de pessoas normais, para um ambiente anormal, segundo relatado pelo periódico The Lancet. A série de artigos sobre a obesidade deixa resumidamente cinco mensagens importantes sobre a complexa questão da obesidade e como ela deve ser abordada:


  • A epidemia de obesidade não será revertida sem liderança do governo.
  • Trabalhando esta questão como estamos, os custos serão dispendiosos em termos de saúde da população, despesas com cuidados de saúde e perda de produtividade.
  • As suposições atuais sobre a velocidade e a sustentabilidade da perda de peso estão erradas.
  • Precisamos monitorar com precisão e avaliar tanto os dados básicos do peso corporal da população, quanto os resultados de intervenção para esta patologia.
  • Uma abordagem sistemática é necessária, com o envolvimento de vários setores.

Fonte: The Lancet

Estudo mostra necessidade de rever controle do diabetes no País

O diabetes do tipo 1 é uma doença que faz com que o organismo humano destrua as células responsáveis pela produção do hormônio da insulina, fazendo com que o açúcar absorvido pelo corpo humano não seja transformado em energia. Neste caso, o nível de glicose na corrente sanguínea torna-se excessivo. Entre várias complicações, a doença pode levar a problemas de visão, nos rins e no coração. Resultados de um levantamento inédito, feito entre 2008 e 2010, alertam para o risco de uma epidemia e a necessidade de se rever a maneira como tem sido feito o controle da doença. O alerta é da médica endocrinologista, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, Marília de Brito Gomes. Ela coordenou o levantamento, que verificou as condições de saúde de 3.591 crianças, adolescentes e jovens adultos em 20 cidades das cinco diferentes regiões do Brasil.

A pesquisadora chama atenção para outra iniciativa que coordena: o site Diabetes nas Escolas, voltado a auxiliar professores e jovens no diagnóstico e controle da doença. “Os professores precisam estar atentos a alguns sintomas comuns da doença, como necessidade de ir várias vezes ao banheiro, fome e sede constantes, perda excessiva de peso, fraqueza, fadiga e irritação”, destaca. “Poderíamos minimizar o problema com campanhas de saúde pública nos colégios”, acrescenta.

Segundo Marília, dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 30% da população do Brasil apresenta sobrepeso ou obesidade. "Estes fatos contribuem não apenas para o surgimento precoce do diabetes em crianças e adolescentes, como também de sua associação com outras doenças, como hipertensão arterial e displidemia, o excesso de gordura no sangue, que pode levar ao entupimento das artérias, aumentando o risco de infartos e derrame”, afirma a médica.

E embora o material necessário para controle do diabetes – fitas para medir glicemia e injeções de insulina – seja distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde, ainda assim, os diabéticos não têm tomado a atitude adequada para controlar a doença. Apesar de 83% dos pacientes verificarem regularmente a glicemia, o número dos que apresentavam boas taxas de controle da doença se mostrou bem baixo. Isso mostra que poucos mantêm a dieta e tomam medicamentos. “Em idade escolar (6 a 12 anos), o índice de crianças com bom controle foi de 26,5%; em adolescentes foi de 17,3%; e em adultos, de apenas 13,2%. E isso com uma doença crônica”, afirma Marilia. É na adolescência, que os cuidados com a doença começam a diminuir, devido à característica dos jovens de dar pouca importância à própria saúde. Com isso, a doença pode se agravar e gerar complicações mais tarde, como danos aos rins e até mesmo amputações. “Por causa dessas complicações, nosso levantamento encontrou 2,5% da população jovem e 65% da população em idade produtiva desempregada, licenciada ou aposentada pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS)”, completa.

No que diz respeito à eficiência do controle do diabetes nas capitais brasileiras, Marilia destaca que a cidade do Rio de Janeiro foi a que apresentou os melhores resultados. “Enquanto São Paulo teve apenas 17% dos pacientes com controle adequado, Fortaleza teve 27%. Já o Rio de Janeiro, apresentou 30% dos pacientes controlados adequadamente”, explica a pesquisadora. “Entretanto, este número ainda é bem pequeno para uma doença cujo tratamento é gratuito e realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, pondera.

A falta de acompanhamento apropriado das complicações decorrentes da doença também foi apontada pela pesquisa. “No ano anterior à nossa pesquisa, entre 30% e 65% dos entrevistados não tinham rastreado as complicações crônicas que já apresentavam. E pouquíssimos deles tinham feito exames para detectar doenças cardiovasculares, que são responsáveis por até 44% dos índices de mortalidade”, salienta.

O estudo verificou ainda que 42,3% dos diabéticos, principalmente crianças, foram diagnosticados a partir de quadros de cetoacidose – disfunção metabólica grave, caracterizada por baixos níveis relativos de insulina, que exige internação e pode ter consequências deletérias para o paciente. “Em 71,5% deles, isso aconteceu antes dos 15 anos e em 20%, antes dos cinco anos”, complementa. Para a médica, tudo isso aponta para a necessidade de um diagnóstico cada vez mais precoce da doença, o que evitaria altos custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) com as internações. “Essa situação acaba fazendo com que os gastos com a doença sejam altíssimos e subestimados pelo SUS”, conclui Marilia.

Autor: Vinicius Zepeda
Fonte: Faperj