sexta-feira, 29 de junho de 2012

Junk food está associada à depressão


Comer muita junk food pode aumentar o risco de depressão, sugere um grande estudo.
Em um estudo de coorte com quase 9.000 adultos na Espanha, aqueles que consumiam com frequência “fast food”, como hambúrgueres e pizzas, tinham probabilidade 40% maior de desenvolver depressão que os participantes que consumiam pouco ou nada desse tipo de alimento. Além disso, os pesquisadores observaram que o risco de depressão aumentou de forma constante a medida que mais “fast food” foi consumida.
Os participantes que consumiam muitas vezes produtos comerciais assados, como croissants e rosquinhas, também estavam sob risco de desenvolver este transtorno.
“Não nos surpreendemos com os resultados. Vários estudos analisaram a associação entre o consumo de fast food e doenças físicas, como obesidade e doença coronariana,” Almudena Sánchez-Villegas, PhD, do Departamento de Ciências Clínicas na Universidade de Las Palmas de Gran Canaria e do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha, disse ao Medscape Medical News.
“Com esses resultados, uma linha de pesquisa relativamente nova é aberta. Limitar o conteúdo de ácidos graxos trans em diversos alimentos, evitando o consumo de fast food e aumentando o consumo de outros produtos, como verduras, legumes e frutas deve ser um dos objetivos principais dos clínicos e daqueles responsáveis por decisões em saúde pública,” acrescentou.
O estudo foi publicado na edição de março de Public Health Nutrition.

Croissants, rosquinhas, muffins, ó céus!
Segundo os pesquisadores, a depressão afeta cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo.
Apesar de “pouco se saber acerca do papel da dieta no desenvolvimento de transtornos depressivos,” estudos anteriores sugeriram que o azeite, vitaminas do complexo B e ácidos graxos ômega-3 podem ter um papel preventivo, escrevem os pesquisadores.
Como publicado pelo Medscape Medical News, Dr. Sánchez-Villegas e colaboradores publicaram um estudo no último ano em PLoS One que associou o consumo de ácidos graxos insaturados trans a um risco significativamente aumentado de depressão.
Para o estudo atual, eles procuraram examinar especificamente o papel que o consumo de fast food e alimentos processados poderia desempenhar no desenvolvimento deste transtorno.
Os pesquisadores examinaram dados de 8964 adultos do Projeto Seguimento da Universidade de Navarra, um estudo em curso de acompanhamento de dieta e estilo de vida que começou em 1999. Nenhum dos participantes do estudo tinha sido diagnosticado com depressão ou tinha tomado antidepressivos antes do início do mesmo.
Exposições e desfechos foram obtidos através de questionários enviados a cada dois anos para os participantes. Um questionário de frequência alimentar foi utilizado para avaliar a ingesta dietética. O consumo de fast food foi definido como o consumo total de hambúrgueres, pizzas e cachorros quentes/salsichas. O consumo de produtos comerciais assados foi definido como o consumo total de croissants, rosquinhas e muffins.
Depressão incidente e/ou auto-relato de diagnóstico médico de depressão, uso de antidepressivos e dados demográficos e de estilo de vida foram registrados em outros questionários.

Frear o consumo de junk food
Os resultados mostraram que 493 dos participantes foram diagnosticados com depressão após um acompanhamento mediano de 6,2 anos.
Aqueles com os níveis mais altos de consumo de fast food apresentaram um risco significativamente maior de desenvolver depressão em comparação com aqueles que apresentaram os menores níveis de consumo (hazard ratio ajustado [HR], 1,40, intervalo de confiança de 95% [IC], 1,05 - 1,86, P = 0,01).
“Além disso, uma relação dose-resposta significativa foi observada (P para a  tendência = 0,001)”, relatam os pesquisadores.
No entanto, os pesquisadores observam que mesmo pequenas quantidades de fast foodestavam associadas a um risco significativamente maior de depressão.
Os participantes que consumiam muitas vezes produtos comerciais assados também estavam sob maior risco de desenvolver este transtorno (HR ajustado, 1,43; IC 95%, 1,06 - 1,93).
Os investigadores também descobriram que os participantes do estudo com o maior consumo de fast food e de produtos comerciais assados tinham maior chance de ser solteiros, menos ativos, fumarem, trabalham mais de 45 horas por semana e comer menos frutas, legumes, nozes, peixes e/ou azeite.
“Embora mais estudos sejam necessários, o consumo deste tipo de alimentos deve ser controlado devido a suas implicações na saúde (obesidade, doença cardiovascular) e bem-estar mental”, disse a Dra. Sánchez-Villegas.
Os pesquisadores acrescentam que o conteúdo legalmente permitido de ácidos graxos trans nesses alimentos “deve ser revisto.”

Avaliação da dieta é “prudente”
“Essa equipe espanhola realizou uma pesquisa muito boa, de qualidade e tomou bastante cuidado ao considerar múltiplas causas possíveis de confusão, como outros fatores que podem explicar tanto os hábitos alimentares e o risco de depressão”, Felice Jacka, PhD, pesquisadora da Universidade Deakin, em Melbourne, Austrália, disse ao Medscape Medical News.
“Por exemplo, eles levam em consideração muitas variáveis que podem representar  consciência em saúde ou estilo de vida saudável, como o uso de cintos de segurança, frequência de exames médicos e odontológicos e dirigir alcoolizado, assim como estado civil, tabagismo, consumo de álcool, e consumo de alimentos ricos em nutrientes. A amostra do estudo também é grande e bem definida, e o desenho de coorte prospectiva oferece o potencial para a investigação de relações causa-efeito”, ela acrescentou.
A Dra. Jacka observou que os resultados respaldam um estudo anterior que ela e seus colaboradores publicaram recentemente no American Journal of Psychiatry, que mostrou que mulheres que consumiam uma dieta rica em alimentos pouco saudáveis e processados eram provavelmente deprimidas. Em um estudo publicado no Australian and New Zealand Journal of Psychiatry, eles relataram os mesmos resultados em uma coorte de adolescentes.
Os resultados do estudo atual “também são concordantes com os dois estudos prospectivos nesta área, tanto em adultos quanto em adolescentes, relatando que dietas pouco saudáveis estão associadas a um risco aumentado de problemas de saúde mental ao longo do tempo”, comentou.
Ela acrescentou que, embora este estudo tenha sido conduzido com rigor e seja bom em termos metodológicos, “talvez seja uma pena o diagnóstico de depressão não ter sido verificado por avaliações clínicas. No entanto, isso é raro em grandes estudos epidemiológicos, e as medidas eles usaram têm sido consideradas válidas.”
A Dra. Jacka ressaltou que, uma vez que pesquisas em dieta e saúde mental são relativamente novas, muitas vezes os médicos não considerem a dieta como alvo para intervenção na atenção à saúde.
“No entanto, este estudo contribui para a literatura altamente consistente e que cresce rapidamente sugerindo que a depressão é outra doença comum, não-transmissível com um significativo componente de estilo de vida”, disse ela.
“Como tal, é prudente que os clínicos avaliem e abordem a dieta, assim como hábitos de atividade física de seus pacientes, além do tratamento farmacológico e de outros já estabelecidos.”
O estudo foi financiado pelo Instituto de Saúde Carlos III e Fundo de Investigações Sanitárias do governo espanhol e pelo Governo Regional de Navarra. Os autores do estudo e a Dra. Jacka não declararam relações financeiras relevantes.

Autora: Deborah Brauser
Fonte: MedCenter

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