sexta-feira, 29 de junho de 2012

Selênio está associado a menor risco de diabetes


Em um novo e grande estudo americano, o risco de desenvolver diabetes tipo II foi até 24% menor em indivíduos com uma dieta rica em selênio.
Os achados, de 7.000 profissionais de saúde de ambos os sexos, acompanhados por décadas, somam-se a um conjunto de evidências sobre os efeitos protetores do selênio, um antioxidante conhecido, quando se trata de diabetes.
“Eu não aconselharia, baseado nos resultados deste estudo, que as pessoas comecem a tomar suplementos de selênio,” disse o Dr. Dariush Mozaffarian, autor sênior do novo estudo, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston.
Uma das razões, disse ele, é que existem vários tipos diferentes de selênio, que podem ter efeitos diferentes – e os suplementos contêm apenas um único tipo.
Em alguns lugares, o selênio ocorre em altas concentrações no solo, afetando a exposição direta das pessoas que vivem nas proximidades e o conteúdo de selênio em alimentos cultivados na região.
Para avaliar o efeito a longo prazo da exposição ao selênio no risco de diabetes em indivíduos saudáveis, Mozaffarian e colaboradores analisaram lascas de unha coletados de 3.630 mulheres do estudo Nurses' Health Study e de 3.535 homens do estudo Health Professionals Follow-Up Study entre 1982 e 1987.
Nenhum paciente tinha diabetes ou doença cardíaca no início do estudo e pouco mais de 10% desenvolveu diabetes tipo II nos anos subsequentes. (Em sua publicação online em 22 de maio no periódico Diabetes Care, os pesquisadores observam que esta taxa provavelmente é menor que na população geral, uma vez que os participantes do estudo eram todos profissionais de saúde.)
Tanto para homens quanto para mulheres, os pesquisadores descobriram que o risco de desenvolver diabetes foi 24% menor entre as pessoas no quintil mais alto de conteúdo de selênio na unha, comparados com aquelas no quintil mais baixo.
A relação inversa entre o risco de diabetes e os níveis de selênio pareceu ser linear, de acordo com o estudo. Os riscos no segundo, terceiro e quarto quintis foram 9%, 22% e 23% inferiores, respectivamente, que no quintil mais baixo (P para tendência = 0,01).
Ainda assim, os autores enfatizam que o estudo reforça a necessidade de uma dieta saudável, ao mesmo tempo em que desencoraja o uso de suplementos para aumentar a ingesta de selênio. Para isso, disse o Dr. Mozaffarian, as pessoas devem escolher alimentos saudáveis como cereais integrais e peixes, que são ricos no mineral.
O Instituto de Medicina, um painel consultivo do governo dos Estados Unidos, recomenda à maioria dos adultos 55 mcg de selênio ao dia. Três onças (cerca de 85g) de atum em conserva contém cerca de 68 mcg, por exemplo, e um ovo 15 mcg, de acordo com o Escritório de Suplementos Dietéticos dos Institutos Nacionais de Saúde.
Toxicidade ao selênio é rara, mas as autoridades de saúde sugerem um limite superior de 400 mcg/dia para adultos para evitar efeitos colaterais. Altos níveis séricos de selênio podem levar a selenose, com sintomas gástricos, perda de cabelo e lesão nervosa leve. (A castanha do pará, por vezes, contém mais de 500 mcg de selênio por onça, levando o Escritório de Suplementos Dietéticos considerar “prudente comer castanhas do pará apenas ocasionalmente.”)
“A faixa entre os efeitos benéficos e os efeitos nocivos do selênio é muito estreita”, disse Dr. Eliseo Guallar da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, que estudou os efeitos do mineral na saúde, mas não esteve envolvido no novo estudo. “Um pouco pode ser muito bom, mas a partir de um certo nível pode haver efeitos colaterais.”
Os autores do estudo observaram que os níveis de selênio na população americana já são bastante elevados devido à alta concentração de selênio no solo de algumas partes do país.
Além disso, eles não descartaram a possibilidade de que altos níveis de selênio nos participantes do estudo eram um sinal de outros fatores relacionados ao estilo de vida que poderiam, em parte, explicar seu menor risco de diabetes.
Os participantes com os maiores níveis de selênio também comiam mais grãos integrais e consumiam menos gordura saturada, café e álcool e tinham menor probabilidade de serem tabagistas que aqueles com os níveis mais baixos do mineral.

Autora: Natasja Sheriff
Fonte: MedCenter

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