sexta-feira, 15 de março de 2013

Chá Verde

Quais são as aplicações clínicas do chá verde? 
por Rita de Cássia Borges de Castro 

O chá verde, produto obtido a partir da planta Camellia sinensis, contém mais de 200 compostos, em que os mais conhecidos e mais abundantes são os polifenóis. Estes incluem as epicatequinas (EC), epigalocatequinas (EGC), epicatequina-3-galato (ECG) e epigalocatequina-3-galato (EGCG). 
Os polifenóis do chá verde podem desempenhar efeitos benéficos em várias condições clínicas, sendo que as mais estudadas e caracterizadas estão relacionadas ao câncer, sobrepeso/obesidade e doença cardiovascular, como demonstrado a seguir: 
Câncer 
Muitos estudos sugerem que o consumo de chá verde está relacionado com a diminuição do risco de diversos tipos de cânceres. Uma meta-análise publicada em 2006 que avaliou estudos epidemiológicos encontrou que o consumo elevado do chá verde (> 5 xícaras/dia) foi associado com uma redução de 20% no risco de câncer de mama (risco relativo = 0,78, 95% intervalo de confiança [IC], 0,61 a 0,98). Outa meta-análise também publicada em 2006 encontrou que o alto consumo de chá verde foi associado com uma redução de 18% no risco de câncer colorretal (risco relativo = 0,82; 95% IC, 0,69-0,98). 
Outros estudos avaliaram a relação entre o chá verde e câncer de próstata. Um estudo científico controlado acompanhou 60 pacientes com neoplasia intraepitelial prostática de alto grau (NIP, lesão benigna). Os pacientes foram agrupados de forma aleatória para receber durante um ano o extrato de catequinas do chá verde (200 mg, 3x/dia) ou placebo. Trinta por cento dos pacientes do grupo placebo (n=9) evoluíram para o câncer de próstata, enquanto que no grupo chá verde foi de apenas 3% (n=1). Um estudo epidemiológico com cerca de 50.000 homens japoneses mostrou uma relação dose-dependente entre o consumo de chá verde e redução no risco de câncer de próstata avançado. 
Sobrepeso/Obesidade 
Estudos clínicos têm analisado o efeito do chá verde na perda e na manutenção do peso. Um estudo duplo-cego e controlado comparou os efeitos da ingestão do extrato de chá verde em 240 adultos japoneses obesos. Os resultados mostraram que o grupo tratado apresentou redução significativa no peso corporal, índice de massa corporal, massa gorda e circunferência da cintura e do quadril (p < 0,05). 
Doenças cardiovasculares 
Estudos epidemiológicos sugerem que a ingestão de chá verde está associada a um menor risco de doenças cardiovasculares. Um estudo de coorte prospectivo com mais de 40.000 adultos japoneses mostrou que o consumo de chá verde foi inversamente associado com a mortalidade por doença cardiovascular. As mulheres que consumiram cinco ou mais xícaras/dia apresentaram 31% menos mortalidade por doença cardiovascular. Um estudo duplo-cego randomizado controlado por placebo com 240 adultos chineses com hipercolesterolemia leve a moderada analisou a suplementação diária do extrato de chá-verde enriquecido com teaflavina. O grupo suplementado apresentou redução de 16,4% nos níveis de LDL (lipoproteína de baixa densidade) e em 11,3% nos níveis de colesterol total em comparação com o grupo placebo. 
Fonte: Nutritotal 

Suplementação de extrato de chá verde associado com vitamina C protege a pele de queimaduras solares 
por Rita de Cássia Borges de Castro 

Pesquisadores do Reino Unido publicaram na revista British Journal of Nutrition um estudo preliminar que demonstrou efeitos benéficos da suplementação de extrato do chá verde associado com vitamina C na proteção contra queimaduras e inflamação causadas por raios solares. 
Foram avaliados nesse estudo 14 indivíduos, sendo a maioria do sexo feminino (n=12), com idade entre 29 a 59 anos. Os participantes receberam, durante doze semanas, suplementos orais na forma de cápsulas, que totalizaram 1350 mg de extrato de chá verde (sendo 540 mg de catequinas) e 50 mg de vitamina C, diariamente, junto com o café da manhã. Os pesquisadores relataram que a baixa dose de vitamina C foi adicionada para estabilizar o extrato de chá verde no lúmen intestinal. 
No período pré e pós-suplementação, a pele foi exposta a radiação ultravioleta (UV) por um simulador solar, que imita a luz do sol, com doses iguais para todos os participantes. Foram coletadas urina, pele (por meio de biópsia) e suor para analisar o conteúdo de catequinas e mediadores inflamatórios. 
Os pesquisadores verificaram que no período pré-suplementação houve aumento nos níveis do ácido 12-hidroxieicosatetraenoico (12-HETE) e prostaglandina E2 (PGE2) na pele. Essas substâncias são mediadores de respostas imunes, indutores da inflamação e quando produzidos em excesso podem desencadear desordens inflamatórias e proliferativas. Após a suplementação houve redução significativa do eritema (vermelhidão) e do 12-HETE (de 64pg/ul para 41pg/ul [p=0,01]), mas os níveis de PGE2 ficaram inalterados. Eles observaram também um aumento significativo das catequinas do chá verde na pele como a epicatequina (EC), epigalocatequina (EGC), epicatequina-3-galato (ECG) e epigalocatequina-3-galato (EGCG). 
“O presente estudo indica que, após a ingestão oral, as catequinas do chá verde alcançam a pele e suprimem a molécula pró-inflamatória 12-HETE e o eritema induzido pela radiação solar. A modulação de moléculas pró-inflamatórias através da suplementação com compostos bioativos nutricionais é uma estratégia atraente para fotoproteção em seres humanos e pode representar uma abordagem complementar aos filtros solares tópicos”, destacam os autores. 
“No entanto, por se tratar de um estudo preliminar, mais estudos são necessários para demonstrar o seu potencial benefício fotoprotetor do chá verde em longo prazo”, concluem.
Fonte: Nutritotal 

Qual a diferença entre o chá verde de saquinho, folhas secas avulsas ou em cápsulas? 
por Iara Waitzberg Lewinski 

O chá verde é obtido das folhas frescas da erva Camellia sinesis. Possui alta quantidade de catequinas (flavonóides), como epicatequina (EC), epigallocatequina (EGC), epicatequina gallato (ECG) e a mais abundante, epigallocatequina gallato (EGCG). 
A aplicação clínica do chá verde é bastante estudada principalmente devido à sua propriedade antioxidante, que auxilia no tratamento e prevenção de obesidade, diabetes e dislipidemias. Também pode reduzir o risco de eventos cardiovasculares, a chance do desenvolvimento de diversos tipos de cânceres e o envelhecimento cutâneo. 
Tanto o chá de saquinho, como as folhas secas ou as cápsulas têm o mesmo efeito e mantém suas propriedades nutricionais. Os chás de saquinho funcionam da mesma maneira que as folhas, porém eles podem conter outras partes da planta, como pequenos pedaços do talo e sementes, o que diminui os efeitos desejados, além de não revelar o real aroma e sabor da bebida. Quanto aos chás em cápsulas, devido ao fato de serem mais concentrados, devem ser consumidos em menor quantidade, para evitar um possível efeito tóxico. 
Os estudos científicos sobre o chá verde são bastante diversificados quanto à metodologia e resultados, porém, o que mais se observa, é que os efeitos benéficos e protetores do chá se manifestam com o consumo de cinco ou mais xícaras por dia. Além da quantidade, outro fator de discussão entre os autores é o tempo de ingestão necessário para que esses efeitos se manifestem, e o que parece ser consenso entre eles é que, para isso, a ingestão do chá verde deve ser um hábito diário. 
Quanto à quantidade máxima, o consumo de até vinte xícaras de chá verde por dia é considerado seguro. Não há dados na literatura sobre a quantidade máxima de consumo dos chás encapsulados. 
Os compostos fenólicos do chá também são considerados antinutrientes, pois diminuem a digestibilidade protéica. Portanto, seu consumo deve ser evitado junto às grandes refeições.
Fonte: Nutritotal

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