quinta-feira, 25 de julho de 2013

Altos níveis plasmáticos de ômega-3 estão associados com maior risco de câncer de próstata

Pesquisa polêmica publicada na revista Journal of the National Cancer Institute demonstrou que concentrações sanguíneas elevadas de ácidos graxos ômega-3 estão associadas ao aumento do risco para o desenvolvimento do câncer de próstata.

Trata-se de um estudo que avaliou 834 homens diagnosticados com câncer de próstata, dos quais 156 tinham câncer de alto grau. Além disso, foi avaliado um subgrupo de 1.393 homens, que foram selecionados aleatoriamente.

Foram coletados dados sobre as características demográficas e de saúde no início do estudo, por meio de um questionário auto administrado. Também foram realizadas medidas de altura e peso, os quais foram utilizados para calcular o índice de massa corporal (IMC), bem como coletadas as amostras de sangue para avaliar os níveis plasmáticos de ácidos graxos ômega-3. Os autores dividiram os níveis de ácidos graxos ômega-3 (ácido eicosapentaenoico [EPA] + ácido docosapentaenoico [DPA] + ácido docosahexaenoico [DHA]) em quartis, comparando o quartil 1 (menor nível plasmático de ômega-3) com o quartil 4 (maior nível de ômega-3). 

Os pesquisadores observaram que os homens pertencentes ao quartil mais elevado de ômega-3 (>5,31% do total de ácidos graxos) apresentaram 71% de risco aumentado para o câncer de próstata de alto grau (p=0,02) quando comparado com os homens nos quartis mais baixos de ômega-3. Ao dividir os membros da família dos ácidos graxos ômega-3, foi encontrado que, ao comparar o menor com o maior quartil, o EPA esteve associado com o aumento do risco em 22% (p=0,048) para o desenvolvimento do câncer, enquanto que o DHA esteve associado com maior risco em 44% (p=0,08) para o desenvolvimento do câncer de próstata, ambos de baixo grau.

“Tomados em conjunto, estes resultados contradizem a expectativa de que o consumo elevado de ácidos graxos ômega-3 reduziria o risco para o desenvolvimento de câncer de próstata”, comentam os autores.

Entretanto, os níveis de ingestão ômega-3, seja pela suplementação ou pela alimentação, não foram mencionados nesse estudo, não sendo possível determinar se o risco está associado com a suplementação ou pelo consumo excessivo de alimentos fontes. 

Os pesquisadores destacam que “estudos anteriores têm demonstrado que o excesso de suplementação de ômega-3 estaria associado com o aumento do risco para o desenvolvimento de câncer de próstata, mas os resultados ainda eram inconclusivos. Isso sugere que as recomendações para aumentar a ingestão de ácidos graxos ômega-3, em particular, por meio de suplementos, devem considerar seus potenciais riscos”, concluem.

Autora: Rita de Cássia Borges de Castro
Fonte: Nutritotal

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